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Fernanda Varela
Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 11:11
Uma pesquisa internacional trouxe um novo olhar sobre o câncer ao identificar semelhanças importantes entre a doença em humanos e em gatos domésticos. O estudo, publicado na revista Science, sugere que os felinos podem ajudar a compreender melhor certos tipos de tumor e até contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos.>
Gatos
A análise foi conduzida por uma equipe liderada pelo Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido, que mapeou o DNA tumoral de quase 500 gatos domésticos. Os pesquisadores investigaram cerca de mil genes ligados a 13 tipos diferentes de câncer felino.>
Os resultados mostram que muitos dos genes envolvidos no desenvolvimento do câncer em gatos são semelhantes aos encontrados em humanos. Segundo a pesquisadora Louise Van der Weyden, responsável pelo estudo, a genética da doença em felinos ainda era pouco compreendida, e esse avanço pode beneficiar tanto a medicina veterinária quanto a humana.>
Um dos pontos que mais chamaram atenção dos cientistas foi a relação com o câncer de mama triplo negativo, considerado um dos tipos mais agressivos da doença. Esse subtipo aparece com mais frequência em gatos do que em humanos, o que amplia a possibilidade de estudo e pode ajudar na busca por novos medicamentos.>
Além das semelhanças genéticas, os pesquisadores destacam que gatos e humanos compartilham o mesmo ambiente, o que permite investigar fatores externos que influenciam o surgimento do câncer. Geoffrey Wood, do Ontario Veterinary College, no Canadá, afirma que essa proximidade pode ajudar a entender melhor como a doença se desenvolve e como pode ser prevenida.>
Câncer: sintomas e tratamentos
No Brasil, mais de 30 milhões de gatos vivem como animais de estimação, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação. Apesar da alta presença nos lares, os estudos sobre câncer em gatos ainda são menos frequentes do que em cães, o que reforça a importância da nova pesquisa.>
Os cientistas ressaltam que o avanço não representa uma cura imediata, mas abre novas possibilidades de investigação. A expectativa é que o entendimento mais profundo da doença em diferentes espécies contribua para tratamentos mais eficazes no futuro.>