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Agência Correio
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 15:00
Antigamente, o termo turcomeno Aral, que significa mar das ilhas, descrevia perfeitamente um gigante com mais de cem ilhotas. Esse corpo d’água possuía 68 mil quilômetros quadrados e sustentava comunidades inteiras com sua biodiversidade. Hoje, resta apenas um rastro de sal e areia onde antes barcos navegavam livremente. >
O panorama começou a mudar quando Moscou decidiu expandir a produção têxtil na Ásia Central. O governo planejou obras gigantescas para infiltrar os solos e permitir o plantio em larga escala. Dessa forma, as águas que deveriam chegar ao mar foram redirecionadas para os campos de cultivo uzbeques.>
Contudo, os pesquisadores da União Soviética identificaram uma queda acentuada no nível das águas logo nos primeiros anos. O processo de decaimento parecia reversível no início, mas a captação anual só aumentava para manter a produção. Por volta de 1980, a redução do nível hídrico já alcançava números alarmantes todos os anos.>
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O impacto econômico foi devastador para as cidades que dependiam das 40 mil toneladas de peixes retiradas anualmente. Com a drenagem de 75% da área total, as fábricas fecharam e a economia de subsistência desapareceu por completo. Além do mais, a água restante tornou-se tóxica devido à alta concentração de sais e poluentes.>
O Mar de Aral deixou de ser um regulador climático, o que intensificou o calor e o frio na região. Onde havia ondas, agora existem apenas sedimentos contaminados que voam com o vento durante as tempestades. Esse desequilíbrio entre a evapotranspiração e a reposição hídrica causou um colapso ambiental sem precedentes na história moderna.>
Uma iniciativa recente tenta reverter parte desse cenário desolador através da botânica. O Projeto de Restauração Ambiental do Mar de Aral planta saxauls negros para criar barreiras naturais contra o vento. Esses arbustos são essenciais porque são as poucas espécies que resistem ao solo rico em sal e química.>
Os especialistas acreditam que tornar o deserto menos árido é o primeiro passo para a recuperação. Atualmente, o trabalho foca em barrar os efeitos negativos trazidos pela intensificação das mudanças climáticas globais. Assim, o Projeto Oasis caminha em passos lentos para devolver um pouco de dignidade ao ecossistema degradado.>