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História do mar que virou areia é uma das maiores tragédias já registradas pelo homem

Veja como a ambição humana secou um dos maiores corpos d’água da Ásia Central

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 15:00

Leito seco do lago está repleto de algas mortas, sal e destroços de navios abandonados
Leito seco do lago está repleto de algas mortas, sal e destroços de navios abandonados Crédito: Adam Harangozó / Wikimedia Commons

Antigamente, o termo turcomeno Aral, que significa mar das ilhas, descrevia perfeitamente um gigante com mais de cem ilhotas. Esse corpo d’água possuía 68 mil quilômetros quadrados e sustentava comunidades inteiras com sua biodiversidade. Hoje, resta apenas um rastro de sal e areia onde antes barcos navegavam livremente.

A busca por algodão e a falha na engenharia

O panorama começou a mudar quando Moscou decidiu expandir a produção têxtil na Ásia Central. O governo planejou obras gigantescas para infiltrar os solos e permitir o plantio em larga escala. Dessa forma, as águas que deveriam chegar ao mar foram redirecionadas para os campos de cultivo uzbeques.

Contudo, os pesquisadores da União Soviética identificaram uma queda acentuada no nível das águas logo nos primeiros anos. O processo de decaimento parecia reversível no início, mas a captação anual só aumentava para manter a produção. Por volta de 1980, a redução do nível hídrico já alcançava números alarmantes todos os anos.

Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, na Ilha dos Frades, foi eleita a melhor do mundo em ranking internacional.  por Fábio Marconi/Divulgação

A morte da pesca e o aumento da salinidade

O impacto econômico foi devastador para as cidades que dependiam das 40 mil toneladas de peixes retiradas anualmente. Com a drenagem de 75% da área total, as fábricas fecharam e a economia de subsistência desapareceu por completo. Além do mais, a água restante tornou-se tóxica devido à alta concentração de sais e poluentes.

O Mar de Aral deixou de ser um regulador climático, o que intensificou o calor e o frio na região. Onde havia ondas, agora existem apenas sedimentos contaminados que voam com o vento durante as tempestades. Esse desequilíbrio entre a evapotranspiração e a reposição hídrica causou um colapso ambiental sem precedentes na história moderna.

Plantando vida no meio da poeira tóxica

Uma iniciativa recente tenta reverter parte desse cenário desolador através da botânica. O Projeto de Restauração Ambiental do Mar de Aral planta saxauls negros para criar barreiras naturais contra o vento. Esses arbustos são essenciais porque são as poucas espécies que resistem ao solo rico em sal e química.

Os especialistas acreditam que tornar o deserto menos árido é o primeiro passo para a recuperação. Atualmente, o trabalho foca em barrar os efeitos negativos trazidos pela intensificação das mudanças climáticas globais. Assim, o Projeto Oasis caminha em passos lentos para devolver um pouco de dignidade ao ecossistema degradado.

Tags:

Meio Ambiente