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Heider Sacramento
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 22:35
Khaby Lame, dono do maior público das redes sociais, decidiu transformar a própria essência em produto. Em um acordo avaliado em cerca de US$ 975 milhões (R$ 5,13 bilhões), o influenciador autorizou o uso irrestrito do seu rosto, da sua voz e até dos seus gestos para a criação de um gêmeo digital alimentado por inteligência artificial. >
Na prática, a negociação simboliza a venda da chamada “alma digital”. O Khaby virtual pode produzir conteúdos, fazer campanhas publicitárias, interagir com fãs e vender produtos 24 horas por dia, em vários idiomas e fusos horários, enquanto o criador original se mantém fora da operação constante.>
O valor do contrato impressiona e ajuda a dimensionar o tamanho da aposta. A empresa responsável pelo projeto trabalha com a expectativa de gerar mais de US$ 4 bilhões (R$ 21,04 bilhões) em vendas anuais a partir desse clone, transformando personalidade humana em uma máquina infinita de engajamento e consumo.>
Khaby Lame
A decisão virou um debate delicado no mercado digital. Até que ponto um influenciador continua sendo humano quando sua imagem, voz e comportamento passam a pertencer a sistemas automatizados? Para parte do público, o acordo representa o futuro inevitável da fama. Para outros, é o limite simbólico entre criação e mercantilização total da identidade.>
O caso de Khaby Lame pode marcar o início de uma nova era, em que a celebridade deixa de existir apenas como pessoa e passa a operar como ativo permanente, sem descanso, sem silêncio e com valor bilionário.>