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Mistério no quarto 348: a morte 'sem explicação' que intrigou a polícia

Homem foi encontrado morto em quarto que estava trancado por dentro; não havia vestígios de sangue no local

  • Foto do(a) author(a) Giuliana Mancini
  • Giuliana Mancini

Publicado em 31 de agosto de 2025 às 11:23

Susie e Greg Fleniken
Susie e Greg Fleniken Crédito: Reprodução

O que parecia ser um caso de morte por causas naturais se tornou em um mistério para a polícia dos Estados Unidos. Em 2010, Greg Fleniken foi encontrado sem vida em um quarto de hotel no Texas. Não havia sinais de violência visíveis, mas a autópsia revelou graves lesões internas que intrigaram autoridades. O enigma só foi resolvido meses depois, graças ao trabalho de investigadores particulares.

Fleniken tinha 55 anos e trabalhava como empresário no setor de petróleo e gás, o que o fazia viajar com frequência e passar longos períodos em hotéis pelo país. Em setembro de 2010, ele hospedou-se no quarto 348 do MCM Elegante Hotel, em Beaumont, Texas.

Na noite do dia 15, o homem repetiu sua rotina: comeu chocolate, fez pipoca de micro-ondas, acendeu um cigarro e ligou para a esposa, Susie. Depois, deitou-se na cama para assistir à televisão. Mas, na manhã seguinte, foi encontrado morto por colegas de trabalho. As informações são da revista Vanity Fair.

Morte de Greg Fleniken nos EUA por Reprodução

O corpo estava no chão, perto da cama, de bruços e ainda de pijama, com um cigarro entre os dedos. O quarto estava trancado por dentro e intacto, sem sinais de invasão ou roubo. A polícia não encontrou vestígios de sangue no quarto nem sinais de ferimentos externos no corpo. Por isso, em um primeiro momento, a suspeita era de ataque cardíaco.

Autópsia intrigante

Tudo mudou, porém, após a autópsia. O legista descobriu que Fleniken tinha costelas quebradas e seu esterno (osso central na região do tórax) estava fraturado. Além disso, o coração e fígado estavam lacerados. A lesão mais estranha estava na região escrotal: inchada, rasgada e com uma marca profunda semelhante a um impacto violento.

Apesar da gravidade dos ferimentos internos, não havia hematomas externos, cortes ou sinais de luta. O legista chegou a cogitar que as lesões teriam sido causadas por tentativas de reanimação, mas logo ficou claro que Fleniken já estava morto há horas e ninguém tentara socorrê-lo.

Preta Gil - 20 de julho - 50 anos por Reprodução

O que o legista não percebeu era que a pequena abertura na bolsa escrotal era, na verdade, um ponto de entrada de bala. A pele havia se dobrado sobre o ferimento e o ferimento não foi identificado corretamente na autópsia. Como resultado, a morte foi registrada como homicídio de causa indeterminada.

A virada na investigação

Esposa de Greg, Susie Fleniken ficou inconformada com a falta de respostas e contratou o investigador particular Ken Brennan, ex-agente da DEA (sigla em inglês para Administração de Repressão às Drogas, órgão federal de segurança nos EUA). Ele se uniu ao detetive local Scott Apple para uma análise paralela do caso.

Ao revisarem o quarto 348, os homens encontraram um pequeno buraco na parede. Era pequeno o suficiente para passar despercebido em uma primeira varredura, mas grande o suficiente para a passagem de uma bala. Os detetives foram ao quarto do lado, de número 349, onde encontraram um buraco idêntico, mas tapado com pasta de dente.

A partir daí, a dupla passou a juntar as peças da história, e passaram a investigar os hóspedes que estavam no quarto ao lado da suíte de Greg na noite da morte. Na ocasião, três eletricistas dividiam o quarto 349. Inicialmente, eles negaram envolvimento. Mas, pressionados em novo interrogatório, um deles - Tim Steinmetz - revelou a verdade.

A bala perdida

Segundo Steinmetz, ele, Trent Pasano e Lance Mueller estavam bebendo após o trabalho quando Mueller, embriagado, pegou uma pistola Ruger 9 mm para se exibir. Ele apontou a arma para os colegas até que, acidentalmente, o disparo aconteceu.

Em pânico, os três notaram o buraco na parede, mas disseram não ouvir gritos. De acordo com o relato, ninguém apareceu no quarto 349 para saber o que havia acontecido. Assim, eles tamparam o buraco com pasta de dente e esconderam a arma no carro de Mueller. Convencidos de que ninguém havia sido atingido, foram ao bar do hotel continuar bebendo.

Do outro lado da parede, entretanto, a bala atravessou a bolsa escrotal de Fleniken e percorreu seu corpo de baixo para cima, destruindo órgãos vitais antes de se alojar em seu peito. Com novas análises das fotos da autópsia e os depoimentos coletados, Brennan e Apple conseguiram esclarecer definitivamente o caso.

Condenação

Em 2012, Mueller se declarou culpado de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e foi condenado a dez anos de prisão. O mistério do quarto 348, que começou como uma morte aparentemente banal, terminou revelando uma tragédia causada por imprudência, álcool e uma bala perdida.