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Agência Correio
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 17:00
Poucos sinais corporais são tão diretos quanto o dedo do meio. Em qualquer contexto, ele costuma gerar impacto imediato, seja como afronta, protesto ou desabafo silencioso. A explicação está em sua longa trajetória histórica. >
Muito antes de aparecer em ambientes modernos, o gesto já era usado como ferramenta de desprezo. Registros antigos mostram que sua função ofensiva foi construída ao longo de séculos.>
Mesmo com mudanças culturais, o dedo do meio permaneceu relevante. Ele se adaptou a novos cenários, mas continuou sendo um símbolo claro de reprovação.>
Dedo do meio
Na Atenas do século 4 a.C., o dedo do meio já servia como insulto público. O filósofo Diógenes utilizou o gesto para demonstrar sua aversão ao orador Demóstenes, figura influente da época.>
O episódio foi registrado por historiadores como exemplo de menosprezo explícito. O gesto dispensava explicações, pois seu significado era amplamente compreendido.>
Segundo o antropólogo Desmond Morris, em entrevista à BBC, a força do sinal está no simbolismo sexual. A configuração da mão faz referência direta ao falo, o que torna o insulto primitivo e eficaz.>
Os romanos adotaram o dedo do meio como sinal ofensivo e lhe deram nome. O digitus impudicus aparece em textos literários e relatos históricos como expressão de afronta.>
O poeta Marcial explorou o gesto em seus versos no século 1º d.C., enquanto Tácito descreveu seu uso por povos germânicos contra soldados do Império Romano.>
Com o passar dos séculos, o gesto ganhou variações regionais. Na França, a banana se popularizou. No Reino Unido, o “V” invertido assumiu função semelhante.>
Registros do século 19 mostram que o dedo do meio já fazia parte da cultura popular. Em 1886, uma fotografia esportiva revela o gesto sendo usado como provocação entre times rivais.>
Desmond Morris aponta que comportamentos parecidos existem no reino animal. Para ele, algumas espécies usam exibições corporais para intimidar, o que ajuda a explicar a universalidade do gesto.>
Na leitura contemporânea, o significado se ampliou. O professor Ira Robbins afirma que o dedo do meio hoje expressa sentimentos diversos, como revolta ou contestação, indo além da obscenidade original.>