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O reggae antes de Jesus: descoberta de adega de 4 mil anos mudou o que os historiadores sabiam sobre as festas antigas

Descubra como milênios de história e avanços técnicos moldaram o sabor do vinho que chega à sua taça

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 31 de março de 2026 às 11:00

Uma jornada de 8 mil anos que transformou um antigo xarope na bebida mais celebrada do mundo: o vinho
Uma jornada de 8 mil anos que transformou um antigo xarope na bebida mais celebrada do mundo: o vinho Crédito: Banco de imagem

Já parou para pensar que, ao abrir uma garrafa de vinho, você está servindo milênios de história? O vinho nunca foi apenas "mais uma bebida" na mesa. Desde os seus primeiros vestígios, ele caminha lado a lado com a nossa evolução, ocupando um papel central na vida social, no prazer e nos rituais que moldaram civilizações.

Vinho por Shutterstock

Descoberta de 6 mil anos antes de Cristo

A história de que o vinho é "velho" ganha um novo sentido quando olhamos para a Geórgia. Lá, arqueólogos encontraram resíduos em cerâmicas que provam que, por volta de 6000 a.C., em plena era Neolítica, o ser humano já dominava a produção em larga escala.

Não eram apenas uvas amassadas ao acaso. Os cientistas encontraram o ácido tartárico (a "assinatura química" do vinho) em vasos decorados com desenhos de cachos de uva.

Isso mostra que, enquanto aprendíamos a nos fixar na terra e criar as primeiras aldeias, já fazíamos questão de ter um bom vinho por perto. Como bem definiu Patrick Hunt à National Geographic: “A fermentação do vinho não é uma necessidade de sobrevivência, mas de prazer”.

De bebida sagrada a hábito cotidiano

Se na Geórgia ele nasceu, foi no Egito que ele ganhou status sagrado, sendo essencial em cerimônias religiosas. Mais tarde, na Grécia, o vinho virou o combustível dos famosos "simpósios", reuniões em que o álcool ajudava a soltar a língua em debates filosóficos e festas em honra a Dionísio.

Mas foi em Roma que a bebida realmente se popularizou. Os romanos não faziam distinção: do imperador ao plebeu, todos bebiam vinho diariamente. Com a expansão do Império, eles levaram o cultivo da videira para todos os cantos da Europa, criando a base do que hoje conhecemos como as grandes regiões vinícolas do mundo.

Você reconheceria o vinho de antigamente?

A resposta curta é: provavelmente não. O vinho que nossos ancestrais bebiam era drásticamente diferente do que temos na adega hoje. Antigamente, ele raramente era feito só de uva. Para conservar e dar sabor, misturavam-se resinas, mel, ervas, cereais e até azeite de oliva.

O resultado era uma bebida densa, turva e muito doce, quase como um xarope. Gregos e romanos, inclusive, achavam estranho (e até bárbaro) beber o vinho puro; a regra era misturá-lo com água para torná-lo mais palatável.

A revolução da garrafa e da rolha

O vinho "limpo" e estável que amamos hoje é fruto de séculos de tecnologia. A introdução do enxofre (para conservação), o uso de garrafas de vidro escuro, a invenção da rolha de cortiça e o controle rigoroso da maceração foram os divisores de águas.

Essas técnicas deram à bebida a definição e a elegância que hoje reconhecemos em cada gole, provando que, embora a essência seja a mesma de 8 mil anos atrás, a perfeição está nos detalhes.