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Agência Correio
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 10:00
Barcelona, na Espanha, abriga uma das experiências mais curiosas do transporte público europeu. Um ônibus urbano circula movido a biometano produzido a partir de fezes humanas, unindo inovação e sustentabilidade. >
Em operação contínua há mais de três anos, o projeto acumula milhares de quilômetros rodados e mostra como resíduos urbanos podem ganhar um papel estratégico na transição energética.>
Do bonde ao ônibus elétrico em Salvador
Mesmo sem chamar atenção à primeira vista, o veículo carrega uma solução que provoca debates sobre consumo, reaproveitamento e o futuro das cidades.>
O combustível utilizado surge durante o tratamento de águas residuais. A matéria orgânica retirada do processo passa por decomposição e gera um gás renovável capaz de abastecer o ônibus.>
O jornal Le Monde estima que o biometano tenha sido obtido a partir de dejetos humanos de mais de 1,5 milhão de moradores da cidade catalã, revelando a dimensão do projeto.>
Com isso, resíduos antes descartados passam a integrar um sistema circular. O saneamento deixa de ser apenas um serviço básico e se torna fonte de energia limpa.>
Desde sua implantação, há cerca de 39 meses, o ônibus já rodou mais de 42 mil quilômetros. A média anual supera 14 mil quilômetros utilizando exclusivamente biometano.>
Os ganhos ambientais são significativos. A iniciativa reduziu em mais de 85% a pegada de carbono e ampliou em 70% o aproveitamento energético do biogás.>
Esses dados reforçam o potencial do modelo para outras cidades. A experiência indica que soluções sustentáveis podem ser integradas ao transporte sem grandes mudanças operacionais.>
O Life Nimbus é fruto da parceria entre os setores de água e transporte de Barcelona, institutos de pesquisa e a Universidade Autônoma de Barcelona, garantindo base científica ao projeto.>
Entre os moradores, a ideia desperta curiosidade e aprovação. Rosa Maria Gay avaliou ao Le Monde: “Acho que é uma ideia fantástica. Já aproveitamos os dejetos dos animais, então por que não os nossos?”.>
Já a estudante Alessandra Spano destacou o aspecto prático da iniciativa. “Contanto que seja energia renovável e não tenha mau cheiro, acho ótimo”, resumiu.>