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Raphael Miras
Agência Correio
Publicado em 3 de março de 2026 às 15:00
Se você convive com crianças, já conhece o roteiro: poucas semanas após o início das aulas, o nariz começa a escorrer e o ciclo de espirros se espalha pela casa. >
O que pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram ajuda a explicar por que esse fenômeno é tão comum e por que o vírus do resfriado é tão persistente.>
Um estudo conduzido com quase 300 crianças revelou que tecidos como amígdalas e adenoides funcionam como "esconderijos" para o rinovírus, o principal causador de resfriados no mundo. >
Gripe, virose, resfriado e sinusite
Mesmo sem apresentar nenhum sintoma, muitas crianças carregam o patógeno na garganta e podem transmiti-lo sem que ninguém suspeite.>
Diferente do que se acreditava, o rinovírus não causa apenas aquela infecção passageira de cinco a sete dias. A pesquisa mostrou que ele consegue atingir camadas profundas dos tecidos e infectar células de defesa de vida longa, os linfócitos.>
Em vez de destruir essas células, o vírus permanece nelas em um estado de persistência, similar ao que ocorre com o vírus do herpes. >
De acordo com o virologista Eurico de Arruda Neto, coordenador da investigação, esses tecidos funcionam como uma espécie de "horta" de vírus.>
Embora pareça assustador, para a maioria das pessoas essa permanência pode ser positiva, pois serve como um reforço constante para a memória imunológica, mantendo a produção de anticorpos ativa por mais tempo.>
Apesar de ajudar na imunidade geral, esse "depósito" de vírus pode ser o gatilho para outros problemas de saúde recorrentes na infância:>
A descoberta acende um alerta para médicos e pais. Primeiro, reforça que o contágio escolar muitas vezes parte de crianças que parecem perfeitamente saudáveis, mas que estão "semeando" o vírus após o retorno às aulas.>
Além disso, abre portas para entender melhor as infecções em pacientes imunossuprimidos. >
Existe a hipótese de que, em casos de baixa imunidade, o vírus não venha de fora, mas sim de uma reativação do que já estava guardado nas amígdalas do próprio paciente.>
Para os pais, fica o entendimento de que o resfriado nem sempre é um evento isolado, mas parte de uma dinâmica complexa entre o vírus e o sistema de defesa do corpo, que começa cedo e dura a vida toda.>