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Vizinhos processam dono de apartamento por fazer horta particular com tomates na própria casa

Tendência de hortas urbanas em apartamentos cresce, mas peso, rega e drenagem podem gerar infiltrações e até disputa entre vizinhos

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 21:15

Caso na Europa reacende o debate: área de uso privativo não é “terra sem lei” quando afeta a estrutura e as partes comuns do prédio
Caso na Europa reacende o debate: área de uso privativo não é “terra sem lei” quando afeta a estrutura e as partes comuns do prédio Crédito: Foto: Banco de imagem

Ter uma horta na varanda virou tendência em cidades grandes, mas um detalhe costuma passar despercebido: terra, água e peso não ficam “só” dentro do seu apartamento quando há laje, garagem e vizinhos logo abaixo.

Um caso na Espanha, em que um morador foi obrigado a retirar uma plantação de tomates do terraço após queixas de infiltração, acendeu um alerta que também vale para quem mora em condomínio no Brasil.

Suco de tomate é a bebida mais benéfica do mundo (Imagem: Africa Studio| Shutterstock) por

A ideia de colher temperos e tomates-cerejas em casa é atrativa e, na maioria das vezes, perfeitamente possível. A questão começa quando a montagem improvisada gera umidade, escorrimento constante, sobrecarga e riscos à conservação do prédio.

Em condomínios, o direito de usar a área privativa convive com deveres que protegem a segurança e o patrimônio coletivo, como prevê o Código Civil.

Por que uma horta pode virar dor de cabeça no condomínio

Em geral, o conflito nasce do conjunto: acúmulo de terra direto no piso, drenagem inexistente, água escorrendo para ralos e juntas, irrigação diária sem controle e estruturas que pressionam impermeabilizações antigas.

A consequência aparece em forma de manchas, bolhas na pintura, mofo e infiltrações em áreas abaixo, além de desgaste acelerado do sistema de vedação.

Quando isso acontece, o tema deixa de ser preferência pessoal e passa a envolver manutenção, segurança e convivência.

Em prédios, infiltração pode evoluir e atingir componentes estruturais, o que torna o assunto especialmente sensível para síndicos e vizinhos.

O que a lei costuma considerar em casos assim

No Brasil, os deveres do condômino incluem não realizar obras ou intervenções que comprometam a segurança da edificação e não usar a unidade de modo a prejudicar sossego, salubridade e segurança dos demais.

É por isso que, mesmo em áreas de uso exclusivo, a regra prática é simples: se causou danos, o condomínio pode exigir correção e interrupção da causa.

Do outro lado, o síndico tem o dever de diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e agir quando há risco ao edifício, o que inclui orientar, notificar e, em último caso, buscar medidas formais.

Há ainda um ponto importante: dependendo de como a horta é instalada, ela pode se aproximar de uma “intervenção” que altera impermeabilização, piso, ralo ou carga sobre a laje.

Em reformas e alterações com potencial de impactar a edificação, a NBR 16280 estabelece um processo de gestão de reformas e responsabilidades para evitar improviso e acidente.

Como evitar que o hobby vire disputa

Se você quer começar uma horta, a estratégia mais inteligente é fazer pequeno e bem feito: poucos vasos, drenagem impecável, nada de escorrimento e zero alteração no piso.

Em caso de reclamação, responda com ação prática: ajuste a rega, instale bandejas maiores, revise o posicionamento e registre a solução.

Para quem busca inspirações e cultivos fáceis, vale ver ideias de horta em apartamento com frutas e legumes que se adaptam bem a vasos.

E, para entender por que infiltração e manutenção podem virar assunto sério em prédios, um exemplo paulistano que ilustra o impacto de problemas acumulados é este conteúdo sobre infiltrações e desgaste estrutural em edifícios.

No fim, a lição do caso que virou notícia é direta: plantar tomates pode ser simples, mas condomínio é um ecossistema.

Quando água e peso começam a atravessar limites invisíveis, o que era hobby vira pauta de reunião, notificação e, em cenários extremos, justiça.