Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

30 anos de Pokémon: Conheça as histórias de quem cresceu com a franquia da Nintendo

As novidades da franquia serão anunciadas nesta sexta-feira (27), quando Pokémon completa 30 anos

  • Foto do(a) author(a) Alan Pinheiro
  • Foto do(a) author(a) Pedro Carreiro
  • Alan Pinheiro

  • Pedro Carreiro

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 05:00

Coleção de Pokémon
Coleção de Pokémon Crédito: Miro Palma/CORREIO

Desenho, jogos, pelúcias, adulto ou criança. Independente de como conheceu e da idade, Pokémon desperta a paixão de fãs que comemoram os 30 anos da franquia nesta sexta-feira (27). Além da expectativa pelo anúncio de novidades da marca, o dia também celebra as histórias daqueles que cresceram com os famosos monstros de bolso.

Com os mesmos 30 anos da franquia, o editor de vídeo Pedro Maia se encantou pelo universo de monstrinhos com seis anos. Depois de participar do filme “Depois da chuva”, o soteropolitano comprou o seu primeiro console com o dinheiro que recebeu da produção somente para conseguir jogar, de forma oficial, o lançamento da época.

Cartas de Pokémon por Alan Pinheiro/CORREIO

“Fiz tudo que tinha para fazer nesse jogo. Lembro de ficar muito emocionado de estar jogando um jogo de pokémon oficialmente pela primeira vez. Fiz muitos amigos aleatórios só porque soube que eles também jogavam e a gente sempre tinha muita experiência em comum para compartilhar”, relembra.

A Pokémon Company, empresa responsável pela franquia, anunciará as novidades no Pokémon Day, evento que será transmitido globalmente a partir das 14h no Youtube. Oficialmente, a programação vai contar com o anúncio do retorno dos jogos FireRed e LeafGreen para o console atual da Nintendo, além de novidades de outras mídias, como o card game oficial e a primeira linha de brinquedos Lego.

O grande destaque, no entanto, será a apresentação da 10ª geração de jogos, apelidada extra-oficialmente de Winds & Waves. O termo “geração” é usado pelos fãs para se referir a cada uma das novas regiões, onde os fãs são apresentados a mais uma lista de novos monstros, personagens e jogos.

Se há aqueles que estão ansiosos pelos novos jogos, há outros que estão na bronca depois dos últimos lançamentos. “Não tenho expectativa para o futuro da franquia. Sou extremamente saudosista quando o assunto é Pokémon e as últimas mídias que envolvem esse universo não me agradaram nem um pouco. Tomara que agora a Nintendo recalcule a rota e nos entregue novamente aquele mesmo mundo mágico e único”, confessa o estudante Ítalo de Santana, de 20 anos.

A origem dos “monstros de bolso" é quase poética: Satoshi Tajiri, que passava a infância colecionando insetos, transformou essa obsessão em ideia de jogo e, junto com parceiros, fundou a Game Freak, empresa que viria a desenvolver Pokémon. Usando outros elementos da cultura japonesa como inspiração, como os Tokusatsus, Youkais e Kaijus, a franquia foi criada com esse impulso de colecionar e trocar.

O dia 27 de fevereiro de 1996 marcou o lançamento dos primeiros jogos, sempre em duplas. Pokémon Red & Green chegaram ao Game Boy e, desde então, a linha principal atravessou nove gerações, somando mais de 20 títulos centrais distribuídos por sete consoles da Nintendo, do portátil monocromático ao híbrido moderno.

O ilustrador Vitor Farias, de 33 anos, é um daqueles que cultivou sua relação de amor através dos jogos. Sem conseguir um dos consoles portáteis da Nintendo, começou com emuladores. Lembrando com carinho de seu primeiro Pokémon, ele define a franquia como um meio de voltar para a infância e relembrar momentos marcantes.

Desperta um sentimento que sinto que vem de um lugar da infância, de querer sair por aí e desbravar o mundo. Apesar de ser uma franquia pensada para um público mais infanto-juvenil, acredito que pessoas de qualquer idade conseguem se identificar com esses sentimentos e se divertir

Vitor Farias

Ilustrador

Paralelamente aos jogos principais, os spin-offs expandiram o universo para além do RPG tradicional. Pokémon Stadium levou as batalhas ao 3D no console de mesa, Pokémon Snap trocou combates por fotografia, e produções como Pokémon Unite inseriram a marca no cenário competitivo de MOBAs, além do Pokémon GO, que virou febre no Brasil. Essa diversidade ajudou a manter a franquia ativa entre diferentes perfis de jogadores.

Temos que pegar

Além dos já tradicionais jogos, outra grande porta de entrada no Brasil foi a animação japonesa, que estreou no país em 1999, na Record TV. A premissa que sustentou a série por mais de duas décadas era simples. A jornada de um garoto chamado Ash Ketchum, da cidade de Pallet, determinado a se tornar um Mestre Pokémon.

Para a professora de teatro Rudá, foi assistindo ao desenho com sua irmã que a paixão começou. 17 anos depois, ela entende a franquia como uma forma de acolhimento e de conexão emocional com a parente.

“Minha história com Pokémon começou quando eu tinha uns cinco anos. Passava na RedeTV! quase todo dia, no fim da tarde. Minha mãe trabalhava até tarde, então eu ficava muito tempo sozinha com a minha irmã, e Pokémon virou nossa companhia. Não era só entretenimento, era presença. Foi a partir daí que eu me apaixonei: queria brinquedo, pelúcia, tudo. Comecei assistindo à primeira temporada e nunca mais parei de me aprofundar”, explica.

A música de abertura em português virou praticamente um hino pop: é impossível ouvir “Esse meu jeito de viver…” sem completar mentalmente o restante da letra. A exibição na TV aberta impulsionou vendas de brinquedos, álbuns de figurinhas, mochilas e todo tipo de produto estampado com Pikachu. Pokémon deixou de ser apenas um desenho animado: virou recreio, conversa de intervalo e parte da cultura pop brasileira do fim dos anos 1990 e início dos 2000.

Ao lado de seu parceiro inseparável, Pikachu, Ash viajou por diferentes regiões, enfrentou líderes de ginásio, desafiou ligas e perseguiu o sonho de capturar e treinar cada vez mais monstrinhos, sempre movido pela promessa de “ser o melhor”.

Após 26 anos como protagonista, Ash Ketchum se despediu oficialmente do anime em 2023, encerrando um ciclo que marcou gerações. Depois de conquistar a Liga de Alola, em 2019, e se tornar Campeão Mundial em 2022 do Torneio dos Oito Mares, o personagem teve sua jornada concluída em uma série especial de episódios que serviram como despedida.

A partir daí, a franquia iniciou uma nova fase com Pokémon Horizontes, que apresenta Liko e Roy como os novos protagonistas, abrindo espaço para histórias inéditas e uma renovação completa da narrativa. Pokémon também conta com mais de 20 filmes animados e o live-action “Detetive Pikachu”, lançado em 2019.

Todo Pokémon é o favorito de alguém

Atualmente, existem 1.025 Pokémon. Apesar da enorme variedade de bichinhos, é consenso dentro da comunidade de fãs que cada um desses mais de mil monstros de bolso figuram na lista de favoritos de alguém. Há quem prefira algum dos mais desconhecidos e tem aqueles que não escondem o gosto pelos mais populares, como o vídeo maker Allan Cristian, que prefere o Pikachu por ser o representante da franquia.

Lucario é o favorito de Péricles Filho e João Vitor Salles por Reprodução

Péricles Filho, 22 anos, e João Vitor Salles, 24 anos, ambos concordaram com o Lucario como o melhor. Para o primeiro, o conceito da criação e um dos episódios da série animada foram o suficiente para que o Pokémon se tornasse o preferido. Já o segundo citou o estilo de luta e o design do personagem.

A aparência também foi citada pelo estudante de direito Guilherme Britto, 22 anos, como motivo para escolher o Cloyster como favorito. “Gosto do design dele, principalmente por transmitir uma aparência menos convidativa à aproximação, Além disso, já utilizei em um jogo e gostei bastante do desempenho dele em batalha, o que acabou fortalecendo minha preferência”, explica.

Estudante de engenharia mecatrônica, Breno Seixas escolheu o Zigzagoon de Galar pelos elementos de rock no conceito do monstrinho. O Pokémon em questão foi inspirado no cenário de rock britânico, no texugo europeu e na estética da banda de rock KISS.

Coleção de cartas

Poucos meses após a estreia dos jogos no Game Boy, o jogo de cartas oficial foi lançado como mais um produto. O TCG (Trading Card Game) conta com um cenário competitivo organizado em ligas locais, campeonatos regionais e internacionais, culminando no Pokémon World Championships, que reúne atletas de diferentes faixas etárias ao redor do mundo.

No Brasil, as cartas chegaram no fim dos anos 1990, embaladas pelo sucesso do anime na TV aberta e pela popularidade dos tazos que vinham em pacotes de salgadinhos. Em pouco tempo, boosters e decks passaram a ocupar bancas, papelarias e lojas especializadas.

O casal Sávio e Polyana lembram com carinho de quando saíram por São Paulo buscando um pacote de cartas específico. “No primeiro dia de viagem, passamos pela Avenida Paulista procurando e voltamos três dias depois, indo de banca em banca buscando por ela. Foi muito divertido”, contou o engenheiro de computação.

Ao longo das décadas, o TCG conviveu com picos de popularidade, mas contou com uma retomada expressiva durante a pandemia, impulsionada por criadores de conteúdo que viralizaram abrindo pacotes e pelo aquecimento do mercado de colecionismo. Cartas raríssimas passaram a atingir valores milionários — como o famoso “Pikachu Illustrator”, negociado por 16.492.000 dólares.