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Em entrevista ao NYT, Wagner Moura critica Bolsonaro e explica porque diz 'não' a Hollywood

Baiano falou do filme O Agente Secreto e diz que não quer estereotipar atores latinos

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Foto do(a) author(a) Estadão
  • Carol Neves

  • Estadão

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 20:16

Wagner Moura no  Instagram na Academia do Oscar
Wagner Moura no Instagram na Academia do Oscar Crédito: Reprodução

Em entrevista publicada neste sábado (10) pelo jornal norte-americano The New York Times, o ator baiano Wagner Moura discutiu a política brasileira, sua carreira no cinema, a repercussão de O Agente Secreto e a temporada de premiações internacionais.

O ator comentou sobre o sucesso do filme, que revisita os problemas vividos pelo Brasil durante a ditadura militar (1964-1985): "Nós vendemos um milhão de ingressos, é um grande sucesso. E eu amo o fato de que o filme foi lançado no Brasil em um momento em que finalmente estamos ficando quites com a nossa memória."

O jornal destacou ainda a trajetória de Moura, desde as novelas até o estrelato com Tropa de Elite, descrevendo-o como animado, opinativo, com senso de humor irreverente, rosto de garoto, cabelos grisalhos e voz profunda e ressonante, quase como um efeito especial.

Baiano foi destaque no NYT
Baiano foi destaque no NYT Crédito: Reprodução

Wagner Moura e a carreira internacional

Sobre sua carreira internacional, Moura revelou ter recusado papéis em Hollywood após a repercussão de Narcos, embora não tenha citado nomes. "Talvez seja um tipo de coisa anticolonialista. Eu nunca fiz nada por dinheiro ou porque era uma grande coisa de Hollywood que todo mundo vai assistir. E especialmente depois de Narcos, eu não quero fazer nada que vá estereotipar latinos", disse. Ele explicou que seus empresários se surpreendiam com a decisão: "Eles diziam: ‘Ah, você é um ator brasileiro, deveria estar feliz com aquela oferta’. E tinha uma parte de mim que sentia um tipo de prazer em dizer: ‘Eu não vou fazer isso’".

Moura reforçou que quer os mesmos tipos de personagens que atores americanos da sua idade interpretam. "Quero interpretar personagens chamados Michael que falam da forma como eu falo", afirmou, creditando sua firmeza a seu pai, sargento da Aeronáutica: "Não quero me vender como uma bússola moral, mas eu me mantenho sobre quem eu sou e as coisas que acredito serem certas. Eu tenho quase 50 anos, então f***-se."

Alinne Rosa lançará música com nome 'Wagner Moura' por Reprodução | Instagram

O ator também comentou a temporada de premiações, lembrando que a “campanha é intensa”. Ele disputa o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama neste domingo (11), e especialistas mencionados pelo NYT acreditam que ele pode conquistar sua primeira indicação ao Oscar, colocando-o ao lado de nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.

Wagner Moura critica Trump e Bolsonaro

Em relação à política, Moura fez comparações entre Jair Bolsonaro (PL) e Donald Trump, destacando a semelhança na reação dos dois após serem derrotados nas urnas e instigarem apoiadores a atos violentos. Ele, porém, enfatizou que as instituições brasileiras agiram de forma rápida e firme: "Foi fascinante a forma com a qual o Brasil foi super rápido em mandar as pessoas para a cadeia, encontrar os financiadores, e cassar os direitos políticos de Bolsonaro. As instituições no Brasil são mais fortes que as dos Estados Unidos? Eu acho que não. Mas na minha opinião isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura."

Moura criticou ainda o grupo político de Bolsonaro e a retórica usada contra artistas: "Quando eles dizem que os artistas são uma elite intelectual que está contra o povo, as pessoas compram isso. É como o antigo manual do fascismo, onde eles atacam a imprensa, os artistas, as universidades, coisas assim. E foi muito efetivo. Uma parte da sociedade brasileira olha para a gente como se fôssemos comunistas." Ele concluiu com uma reflexão histórica: "Todos eles vão embora, é apenas uma onda. Bolsonaro agora está na cadeia, então nos livros de história ele será o fascista eleito pelos brasileiros que tentou um golpe de Estado. Enquanto isso, Caetano Veloso sempre será Caetano Veloso."

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Wagner Moura