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Pedro Carreiro
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 16:43
Desde 2018, os clássicos entre Bahia e Vitória são disputados com presença de apenas uma torcida nos estádios, cenário marcado por sucessivos episódios de violência ligados ao Ba-Vi. Nesse contexto, um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) propõe tornar obrigatória a formação educativa de integrantes de torcidas organizadas como medida de prevenção a novos conflitos. A iniciativa é de autoria do deputado estadual Penalva (PDT). >
Pelo projeto em tramitação na Alba, torcidas organizadas que atuam no estado deverão assegurar a participação de seus associados em atividades formativas voltadas à cultura de paz, mediação de conflitos, cidadania, direitos humanos e respeito à diversidade, vinculando a medida ao funcionamento regular dessas entidades. >
Torcida do Vitória
O conteúdo mínimo das formações inclui princípios da não violência, prevenção e mediação de conflitos em eventos esportivos, direitos e deveres do torcedor, legislação aplicável às torcidas organizadas e combate ao racismo, à discriminação e a outras formas de intolerância. >
As capacitações poderão ser realizadas diretamente pelas próprias torcidas, desde que com profissionais qualificados, ou por meio de parcerias com órgãos públicos, instituições do sistema de Justiça, universidades e organizações da sociedade civil com atuação em direitos humanos. >
O texto também prevê que a comprovação da realização dessas atividades possa ser exigida para cadastramento ou recadastramento das torcidas, celebração de convênios com o poder público e procedimentos administrativos ou judiciais voltados à regularização do funcionamento das entidades. >
Torcida do Bahia
Na justificativa, o autor afirma que a proposta busca institucionalizar ações educativas já estimuladas por órgãos de controle, priorizando prevenção, diálogo e responsabilidade coletiva como caminhos para reduzir conflitos relacionados ao futebol. >
Segundo o parlamentar, a medida pode fortalecer o papel social das torcidas organizadas, contribuir para a segurança nos estádios e promover um ambiente esportivo mais inclusivo e democrático, sem criação de novas sanções penais ou administrativas. >
O projeto ainda será analisado pelas comissões temáticas da Assembleia Legislativa antes de seguir para votação em plenário.>
O estopim da escalada de violência ocorreu em 9 de abril de 2017, quando uma briga generalizada antes de jogo na Arena Fonte Nova terminou com 45 pessoas apreendidas e, horas depois, deixou um homem morto e outro baleado no Dique do Tororó. >
Diante dos episódios, a CBF, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), determinou que os clássicos fossem disputados com torcida única por seis partidas, período de quase um ano.>
Em 2 de fevereiro de 2018, o Ministério Público avaliou como positivos os resultados da medida em termos de segurança e autorizou o retorno das duas torcidas aos Ba-Vis. Poucas semanas depois, porém, o primeiro clássico do ano, em 18 de fevereiro, lembrado como “Ba-Vi da paz”.>
A partida ficou marcada por uma briga generalizada entre jogadores dentro do Barradão e por confrontos entre torcedores na região da Baixa dos Sapateiros, o que levou a uma nova recomendação de torcida única — mantida até hoje, depois de 31 Ba-Vis. >