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Pai de Romário foi sequestrado às vésperas da Copa de 1994; atacante ameaçou deixar a Seleção e até chefes do tráfico entraram na busca pelo tetra

Caso mobilizou policiais, criminosos e colocou em dúvida a presença do atacante na Copa do Mundo de 1994, vencida pelo Brasil nos Estados Unidos

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 23 de maio de 2026 às 06:50

Romário
Romário Crédito: Reprodução

A poucos dias de embarcar para a Copa do Mundo de 1994, Romário viveu um dos momentos mais tensos da vida pessoal e profissional. Principal nome da Seleção Brasileira naquele ano, o atacante ameaçou não disputar o torneio após o pai, Edevair de Souza Faria, ser sequestrado no Rio de Janeiro. O caso chocou o país, ganhou repercussão internacional e terminou envolvendo policiais, figuras do submundo do crime e até traficantes na busca pelo familiar do craque.

O desaparecimento aconteceu em 2 de maio de 1994. Edevair havia saído do bar Garota do Quitungo, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, quando foi levado pelos criminosos. Na época, o estado enfrentava uma onda de sequestros que assustava empresários, artistas e jogadores de futebol.

Romário com o pai, Edevair de Souza Faria por Reprodução

Enquanto isso, Romário atravessava o auge da carreira. O atacante defendia o Barcelona, era apontado como melhor jogador do mundo e chegava para o Mundial como principal esperança do Brasil na busca pelo tetracampeonato, que não vinha desde 1970.

Dois dias após o crime, os sequestradores entraram em contato com a família e pediram US$ 7 milhões pelo resgate. O valor chamou atenção até das autoridades, que classificaram a ação como desorganizada pela quantia considerada fora da realidade.

A situação abalou completamente o jogador. Em entrevista a um jornal espanhol, Romário fez um aviso que parou o país: “Ou meu pai aparece ou não irei ao Mundial”. A declaração rapidamente tomou conta dos programas esportivos e aumentou ainda mais a pressão sobre a investigação.

Naquele momento, imaginar a Seleção sem Romário parecia impossível. O atacante vinha de temporada histórica na Espanha e formava, ao lado de Bebeto, a dupla ofensiva mais aguardada da Copa.

A mobilização para encontrar Edevair acabou ultrapassando o trabalho policial. Anos depois, na série documental “Romário - O Cara”, da HBO Max, o ex-jogador revelou que pessoas ligadas a ele procuraram ajuda em diferentes setores, incluindo traficantes e criminosos influentes do Rio de Janeiro. “Pessoas ligadas a mim falaram com traficantes, policiais, vagabundos, com a p*rra toda. Eu queria meu pai em casa”, contou o ex-atacante.

Segundo relatos da época, a repercussão nacional fez com que até nomes ligados ao crime passassem a procurar os sequestradores. O caso ganhou proporção tão grande que se transformou em um assunto nacional às vésperas da Copa do Mundo.

Edevair foi libertado em 8 de maio, seis dias após o sequestro. Ele foi encontrado em um cativeiro em Queimados, na Baixada Fluminense, sem que o resgate fosse pago.

Romário comprou cobertura de R$ 8 milhões no Rio de Janeiro por Avanço Realizações/Reprodução

Após a libertação do pai, Romário retornou à Espanha, encerrou a temporada pelo Barcelona e embarcou para os Estados Unidos com a Seleção Brasileira. Em campo, o atacante confirmou o favoritismo e se tornou um dos principais nomes da campanha do tetra.

O Brasil conquistou a Copa do Mundo ao vencer a Itália nos pênaltis, após empate sem gols na final. Romário marcou cinco vezes durante o torneio e terminou o ano eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa.

Depois de viver dias de medo e incerteza, o atacante cumpriu a promessa feita após o resgate do pai: deu ao Brasil um dos títulos mais marcantes da história da Seleção.