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Quem era Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo que morreu aos 18 anos

Jovem atleta ficou internado por uma semana após ser atropelado, mas não resistiu

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 11:07

Cauã Batista
Cauã Batista Crédito: Divulgação

O mundo do esporte lamenta a morte de Cauã Batista Gomes, promessa do taekwondo, que morreu aos 18 anos nesta quarta-feira (25), no Rio de JaneiroEle estava internado havia cerca de uma semana no Hospital Municipal Miguel Couto após ser atropelado por um carro, mas não resistiu aos ferimentos.

Dentro e fora do dojô, o jovem era lembrado como exemplo de disciplina e perseverança. Em nota, a Soares Team o descreveu como “um atleta admirável, competidor incansável e um verdadeiro lutador da vida”.

Integrado ao Centro de Treinamento Soares Team há nove anos, Cauã representava o Rio de Janeiro e estava inscrito para disputar a Seletiva Aberta Nacional, marcada para esta quinta-feira (26). Ele competia na categoria adulto até 63 kg.

Cauã Batista por Divulgação

O treinador da equipe, Luan Dias, afirmou em entrevista ao portal G1 que o atleta tinha perfil autodidata e levava intensidade máxima aos treinos. “Ele aprendia muita coisa sozinho, assistindo a vídeos, e aplicava na aula. Fez parte do meu exame de mestre e me deu uma bela bicuda nas costas, me jogando para fora da sala”, relembrou o professor, em tom descontraído.

Segundo Luan, Cauã “amava a vida no simples” e demonstrava paixão em tudo o que fazia. Para o treinador, a intensidade era sua principal virtude - embora também o levasse a tentar movimentos ousados demais nas competições.

O técnico contou ainda que o atleta chegou à academia ainda criança e enfrentou resistência inicial por causa da idade. “Ele foi meu primeiro aluno infantil. Eu neguei várias vezes, porque a turma só tinha adulto pesado e graduado. Como eu ia colocar uma criança de 8 ou 9 anos naquele contexto? Era faixa branca ainda. Se acontecesse algo, a responsabilidade seria minha. O tempo passou voando e, quando vi, o moleque já era carne da minha unha e calo do meu pé, porque não me largava”, relatou.

Persistência marcada por anos de luta

De acordo com o instrutor, Cauã passou aproximadamente dez anos sem vencer uma luta oficial, mas nunca abandonou o esporte. Com o tempo, tornou-se conhecido pela perseverança e pelo respeito à arte marcial.

“Ele amava a vida no simples. Sabe quantos anos demorou para ganhar um round? Foram 10 anos sem ganhar nada. Poderia ter largado, mas a paixão pela arte marcial falou mais alto. Não era o atleta mais famoso do Rio nem do Brasil, mas era conhecido por todos do meio pela persistência, pela insistência e pelo respeito à arte marcial”, disse.

Luan também lembrou o último treino que realizou com o jovem, na véspera do acidente. “Um dia antes do acidente, levei ele para malhar comigo porque estava fazendo os exercícios todos errados. Treinamos a série dele, depois a minha, e depois ele ainda fez duas aulas seguidas de taekwondo. Foram cinco horas de treino direto. Ele estava todo feliz. No final, me perguntou: ‘posso malhar sempre contigo?’”, recordou.

O amigo e mestre Gustavo Silveira, do Time Dragão Branco, afirmou que o atleta tinha um estilo de luta diferenciado. “Ele era explosivo, tinha um jeito único, com movimentos até acrobáticos. Ele fazia o que dava na cabeça dele. Era talentoso demais, tanto que chamou a atenção da seleção brasileira”, destacou.

Segundo a Confederação Brasileira de Taekwondo, Cauã se destacava pela dedicação, pelo respeito e pela paixão pela modalidade. Em 2024, foi campeão da Copa Thokinim, em Cachoeiras de Macacu. No ano anterior, conquistou a medalha de bronze no ranking da categoria júnior do Rio de Janeiro, entre atletas abaixo dos 63 kg.

Tags:

Taekwondo Cauã Batista