Mais de 2,6 mil tremores foram registrados em 40 dias em município da BA

Segundo pesquisador, registros também têm ocorrido fora dos horários das detonações nas minas e barragens

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  • Da Redação

Publicado em 10 de novembro de 2023 às 21:10

2.620 tremores foram registrados no distrito de Pilar (Jaguarari-BA) desde o dia seis de setembro
2.620 tremores foram registrados no distrito de Pilar (Jaguarari-BA) desde o dia 6 de setembro Crédito: Divulgação

2.620 tremores foram registrados no distrito de Pilar, em Jaguarari, no norte do estado. Os dados foram registrados desde o dia 6 de setembro, quando houve a implantação de um sismógrafo na região. 

Osny Bonfim, da Superintendência da Proteção e da Defesa Civil da Bahia, destacou que em um período de 40 dias foram registrados 2.620 sismos na região, assustando a comunidade que reside nas proximidades. “Enviamos algumas perguntas e não obtivemos respostas, então, aproveitamos a FPI para solicitar os relatórios de operações da barragem, plano emergencial e sistema de defesa civil”, enfatiza.

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), professor Eduardo Menezes, os registros têm ocorrido não somente nos horários das detonações da mineradora local. “Precisamos entender melhor isso para poder auxiliar melhor a exploração. A atividade pode ocorrer, mas precisamos conhecer as possíveis falhas”, completa.

Os dados foram apresentados por integrantes das equipes de Mineração e Barragens da 48ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco (FPI), que realizaram atividades na mineradora Ero Brasil Caraíba. 

Em campo, as equipes conheceram toda a estrutura física da mina, bem como as barragens de rejeitos, levantaram informações com os técnicos para preencher os check lists e compor os relatórios com informações que deverão ser compartilhadas posteriormente.

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O procurador do Ministério Público do Trabalho, Illan Fonseca, falou sobre a necessidade de unir o conhecimento dos órgãos fiscalizadores que integram a FPI com a da empresa para evitar acidentes e transtornos para a sociedade. “Não queremos parar atividade produtiva, mas se for preciso, a gente para porque temos responsabilidade com a sociedade. Precisamos unir nossa expertise em favor da prevenção”.

Acidentes de trabalho

Além da alta recorrência de registros sísmicos, um dos assuntos debatidos durante a visita à empresa foi todo o aparato trabalhista, ambiental e técnico solicitado.

De acordo com o procurador, ocorreram acidentes fatais na empresa nos últimos anos. À Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) da empresa, ele exigiu empenho para a redução desses índices. “As curvas estão acima da média. É necessário empenho por parte da equipe da Comissão para chegar ao nível ideal, que é o zero. A empresa deve adotar medidas para reduzir os impactos no trabalhador”, enfatiza Illan Fonseca.