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BDM ameaça, mas quilombolas vão a julgamento de Mãe Bernadete

Júri começa com três horas de atraso no Fórum Ruy Barbosa

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 13 de abril de 2026 às 15:00

Caso Mãe Bernadete: júri acontece no fórum Ruy Barbosa
Caso Mãe Bernadete: júri acontece no fórum Ruy Barbosa Crédito: Reprodução

Dois ônibus lotados estavam previstos para transportar quilombolas de Simões Filho ao Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, para que pudessem acompanhar o julgamento dos acusados de matar a líder deles, Mãe Bernadete. No entanto, ameaças do grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM) não impediram a vinda deles na manhã desta segunda-feira (13). A audiência começou com três horas de atraso.

“Eles deram ordens de lá para ninguém vir. Mas conseguimos duas vans. O poder paralelo que cresce é uma árvore daninha da sociedade”, declarou Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete, em frente ao fórum. No local, também estavam presentes entidades de direitos humanos como Anistia Internacional, Instituto Odara e Iniciativa Negra.

Mãe Bernadete por Reprodução

Em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, Mãe Bernadete liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares. Ela foi morta na noite de 17 de agosto de 2023, quando homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares como reféns e a executaram a tiros dentro de casa. De acordo com as investigações, a líder quilombola não aceitava a presença do tráfico na região.

Jurandir pontuou que o júri também representa resistência diante da morte do irmão dele, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, executado seis anos antes da mãe. “Meu irmão foi assassinado em 2017 e até hoje os autores estão impunes. A gente está aqui pedindo justiça também por ‘Binho’ e por vários quilombolas ceifados nos últimos anos”, afirmou.

O atraso estaria relacionado à formação do júri. Antes da audiência, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos comentou que a segurança do fórum foi reforçada. “Quando há um caso de repercussão, a gente pede apoio externo às polícias Civil e Militar”, disse.

O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), José Edivaldo Rocha Rotondano, destacou a importância do júri popular. “É um momento importante para o Judiciário da Bahia e do Brasil. Esse é um processo que teve muita repercussão, e precisamos dar uma resposta. Hoje, o júri está acontecendo”, afirmou.