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Coordenador de hospital estadual é denunciado ao MP por suposta fraude em esquema em escalas

Médico nega irregularidades e afirma que escalas não significam que o profissional esteve presencialmente na unidade

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 06:15

Hospital Especializado Octávio Mangabeira fica localizado no bairro Pau Miúdo, em Salvador
Hospital Especializado Octávio Mangabeira fica localizado no bairro Pau Miúdo, em Salvador Crédito: Leonardo Rattes/SaúdeGovBA

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público do Estado Bahia (MP-BA) alega supostos indícios de irregularidades em escalas do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Especializado Octávio Mangabeira, em Salvador. Nas planilhas de horários dos médicos, o coordenador do setor tem o nome inserido em registros que indicam cobertura praticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, por quatro meses consecutivos.

A reportagem teve acesso às escalas do setor de Infectologia do hospital estadual. Na planilha de fevereiro, o nome do médico Bruno Buzo, coordenador do setor, aparece em todos os dias da semana, estando sozinho nos plantões durante todos os sábados, domingos e segundas-feiras.

Conforme a escala, o médico trabalharia durante 24 horas em todos os dias de fevereiro, com exceção dos turnos de 8 horas às 12 horas nas sextas-feiras. Os plantões são divididos com outros dois médicos, que têm cargas de trabalho muito inferiores ao do profissional (veja abaixo).

Escala de novembro. Nome de outros dois profissionais foram preservados por Reprodução

Ao CORREIO, o médico negou irregularidades e informou que parte das escalas se referem ao sobreaviso híbrido conectado, quando o profissional não precisa, necessariamente, ir ao hospital. Ele ressalta ainda que o serviço de Infectologia é de responsabilidade de uma empresa terceirizada. A reportagem apurou que trata-se da BL2 – Serviços Médicos SS, que tem como sócio o próprio coordenador do setor. 

Mesmo assim, a denúncia apresentada ao Ministério Público afirma que o modelo de escala adotado indicaria ausência de períodos adequados de descanso, o que pode configurar infração ética, além de representar risco à segurança dos pacientes. O texto também aponta possíveis danos aos cofres públicos, com suspeita de desvio de recursos e fraude contra a administração pública. 

No mês de novembro do ano passado, por exemplo, o nome do médico Bruno Buzo aparece 87 vezes na escala, trabalhando em todos os dias da semana. O nome de um outro médico aparece 17 vezes, enquanto uma outra médica tem o nome inscrito uma vez no mês, segundo a planilha. Em agosto do ano passado, quando outra empresa era responsável pelo serviço de Infectologia, cada plantão médico custava o equivalente a R$ 1.165,81 por dia (veja abaixo). 

Valor do plantão do setor de Infectologia em agosto do ano passado
Valor do plantão do setor de Infectologia em agosto do ano passado Crédito: Reprodução

O relato foi encaminhado às Promotorias de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público, conforme apuração da reportagem. O CORREIO entrou em contato com a Fundação José Silveira, responsável pela gestão do hospital estadual. A instituição afirma que desconhece a origem das escalas médicas enviadas ao MP-BA. 

Outro lado 

Procurado, o médico infectologista Bruno Buzo, coordenador do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Octávio Mangabeira, nega irregularidades e afirma que o serviço é prestado por empresa especializada, responsável pela formação escala. Ele também afirma que escalas noturnas e de fins de semana referem-se, em grande parte, ao sobreaviso híbrido conectado, quando o profissional só vai ao hospital quando necessário. 

"Sobre as escalas, é importante esclarecer que o serviço de Infectologia do Hospital Octávio Mangabeira é prestado por empresa especializada, e a organização das escalas e indicação dos profissionais são de responsabilidade da empresa, com participação de diversos médicos, sem configuração de sobrecarga individual", afirma, em nota. A empresa contratada é a BL2 – Serviços Medicos SS, que tem Bruno Buzo como sócio. 

"As escalas noturnas e de fins de semana referem-se, em grande parte, ao sobreaviso híbrido conectado: suporte técnico remoto, com discussão de casos e orientação às equipes, e eventual presença apenas quando necessário, não sendo plantão presencial contínuo. Assim, a leitura de 'trabalho sem descanso' decorre de interpretação equivocada. Não há irregularidades", acrescenta o profissional. 

Já a Fundação José Silveira, responsável pela gestão do hospital disse, em nota, desconhece a origem e finalidade das escalas médicas. "Quanto ao serviço de infectologia, vem sendo prestado pela empresa BL2 – Serviços Médicos SS, com base nas disposições contratuais firmadas, cabendo unicamente à empresa a divisão de tarefas entre seus profissionais, sócios, empregados ou contratados. O hospital não contrata médico individualmente e, por conseguinte, não lhe faz nenhum pagamento direto, pelo que desconhece a remuneração de cada profissional", afirma. 

"Os serviços de infectologia vêm sendo realizados pelos profissionais designados pela referida empresa, todos devidamente qualificados e inscritos no conselho de classe, e na forma por eles definida, cabendo a empresa contratada garantir os resultados assistenciais de qualidade, realização das consultas/interconsultas e demais atividades previstas no contrato celebrado", acrescenta. 

Procurada, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) disse apenas que a gestão do hospital estadual é de responsabilidade da Fundação José Silveira. A reportagem entrou em contato com o MP-BA, que não forneceu informações sobre a denúncia.