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Alan Pinheiro
Publicado em 14 de abril de 2026 às 05:00
Conseguir a sonhada aposentadoria é o desejo de grande parte dos brasileiros, mas a dor de cabeça até obter este direito tem sido cada vez mais constante. No início deste ano, cresceu o número de pessoas que aguardam a análise e concessão de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). >
A Bahia tem 210.881 processos parados no INSS, aproximadamente 8% a mais em relação aos 193.761 registrados em outubro de 2025. O número faz com que o estado tenha a terceira maior fila de pessoas que aguardam a conclusão de seus requerimentos no Brasil e a primeira no Nordeste.>
Como simular sua aposentadoria no INSS
Entre as categorias, se destaca o número de pessoas na fila para receber benefício por incapacidade: 98.383, dos quais 38.270 solicitaram em até 45 dias e 60.114 há mais de 45 dias. O prazo máximo para análises de benefícios pelo INSS é, por lei, de 60 dias. O tempo previsto pela legislação para as perícias, por sua vez, é de 45 dias.>
Com 1.014.296 solicitantes no aguardo, o Nordeste é a região com a maior fila de espera dos benefícios. A Bahia, com mais de 200 mil processos em análise ou parados, corresponde a 20,7% do índice da região.>
O sinal de alerta, no entanto, está ligado para quem vai dar entrada, já que o número de benefícios negados no Brasil também bateu recorde. Quase 797 mil pedidos foram indeferidos em março, representando uma taxa de rejeição de 47%. >
Os principais motivos para as negativas incluem falta de comprovação de incapacidade na perícia médica, não preenchimento dos critérios de renda para o BPC do Idoso (renda superior a 1/4 do salário mínimo por pessoa) e falta de tempo de contribuição ou idade para as novas regras de aposentadoria.>
Como fazer a prova de vida do INSS
Para o coordenador do Sindicato dos Servidores Federais da Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Sindprev Bahia), Edivaldo Santa Rita, dois fatores centrais explicam o alto número de processos parados no INSS na Bahia: o déficit de servidores e as condições de funcionamento das agências no estado.>
“Nos últimos anos, o INSS enfrentou uma redução significativa no quadro de funcionários, resultado de aposentadorias e da falta de reposição por meio de concursos públicos. Com menos servidores para analisar um volume crescente de pedidos, o sistema acaba sobrecarregado, o que impacta diretamente no tempo de resposta”, explica.>
“Falta de estrutura adequada, limitações tecnológicas e dificuldades operacionais reduzem a capacidade de atendimento e processamento dos requerimentos. Isso cria um efeito cascata: menos atendimentos realizados, mais processos acumulados e maior tempo de espera para a população”, complementa.>
Após meses de gargalos e reclamações, há um motivo para os baianos respirarem um pouco mais aliviados. Dados oficiais divulgados no relatório de Transparência Previdenciária revelam que a fila de espera no estado encolheu no mês de março.>
Se em fevereiro a Bahia somava mais de 227 mil pedidos travados, o mês de março fechou com 210.881 requerimentos na fila. A agilidade também impactou o relógio. O Tempo Médio de Concessão (TMC) para a região Nordeste, que havia disparado para 90 dias em fevereiro, caiu para 73 dias em março. No cenário nacional, a média de espera hoje é de 54 dias.>
Dentre os processos em análise ou parados no estado, 90.301 solicitaram em até 45 dias, enquanto 120.580 há mais de 45 dias. A otimização na agilidade não esconde o fato de 57% dos baianos no recorte esperarem mais do que o tempo previsto pela legislação para as perícias.>
Apesar da melhora, a maior parte da demanda baiana ainda se concentra em serviços complexos. Dos mais de 210 mil pedidos na fila do estado, cerca de 98 mil são para Benefícios por Incapacidade (como o antigo auxílio-doença) e mais de 62 mil são benefícios assistenciais (como o BPC/LOAS). As aposentadorias representam pouco mais de 23 mil pedidos aguardando resposta na Bahia.>
Especialista em direito previdenciário, o advogado Lucas Muhana explica que a diminuição na fila de fevereiro para março acontece por uma oscilação natural. Não tem nenhum fator que explique localmente essa diferença, até porque as demandas entram em um sistema de julgamento unificado. Um pedido realizado na Bahia pode ser atendido no Acre, por exemplo”, disse.>
Dar entrada no benefício hoje é um processo majoritariamente digital. São poucos os casos em que o cidadão precisa ir diretamente a uma agência física. O requerimento pode ser feito de forma rápida pelo aplicativo ou portal Meu INSS, ou através da Central Telefônica 135 (que atende de segunda a sábado, das 7h às 22h). >
Em alguns casos, a concessão é automática e a apresentação de documentos é dispensada. Porém, caso haja exigências ou o cidadão queira anexar a documentação previamente, é recomendado ter em mãos a carteira de trabalho e outros documentos que possam comprovar os vínculos empregatícios e as contribuições, além de documento de identificação e comprovante de residência para atualização de cadastro. >
Quando há pendências, o INSS envia uma notificação pelo próprio aplicativo Meu INSS indicando exatamente o que falta.>
Se o atendimento presencial for estritamente necessário, é recomendado realizar o agendamento prévio. Em Salvador, o INSS conta com sete unidades de atendimento: Brotas, Odilon Dórea, Bonfim, Periperi, Centro, Itapuã e no SAC Salvador Shopping.>
A demora na análise após dar entrada no INSS ocorre por uma série de fatores. Segundo o próprio órgão, o tempo de espera depende diretamente da quantidade de requerimentos na fila e da complexidade da vida laboral e contributiva de cada cidadão.>
O tempo de espera gira em média de 60 a 90 dias. O prazo se alonga, principalmente, quando o segurado precisa apresentar documentos complementares para comprovar vínculos empregatícios antigos ou períodos de contribuição que não constam na base de dados original.>
A regra atual para ter direito ao benefício foi estabelecida pela Emenda Constitucional 103, no ano de 2019. São necessários 62 anos de idade e 180 contribuições (15 anos) para a mulher e 65 anos de idade e 240 contribuições (20 anos) para os homens.>
Além da regra geral, existem as regras de transição — também estabelecidas em 2019 —, que levam em consideração a idade e o tempo de contribuição de quem já estava no mercado de trabalho antes da reforma. O INSS disponibiliza um simulador de aposentadoria no aplicativo e a ferramenta aponta as condições necessárias e as que já foram alcançadas em todas as regras. >