Vacinas contra dengue vencem em abril e mais da metade ainda não foi aplicada na Bahia

Ministério da Saúde diz que vai redistribuir doses para evitar desperdício

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  • Maysa Polcri

Publicado em 21 de março de 2024 às 05:00

Vacinação contra a dengue em Salvador
Vacinação contra a dengue em Salvador Crédito: Lucas Moura / Secom PMS

A baixa procura pela vacina contra a dengue na Bahia preocupa autoridades e especialistas em saúde. Mais de 97,4 mil doses da QDenga vencem em 30 de abril e ainda não foram aplicadas no estado. O ritmo de vacinação precisa crescer mais de 30% para que os imunizantes não sejam desperdiçados. Atualmente, o público-alvo é formado por crianças de 10 a 14 anos.

O estado recebeu 170.540 doses desde 9 de fevereiro e 73.072 foram aplicadas nos postos de saúde, de acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Com isso, 57% das doses do imunizante estão encalhadas. Na tarde de quarta-feira (20), a ministra da Saúde Nísia Trindade anunciou que o Governo Federal vai redistribuir as doses da vacina que não foram usadas pelos estados e municípios.

Segundo ela, as cidades que decretaram situação de emergência em razão da doença terão prioridade. “Vamos fazer a redistribuição das doses que não foram aplicadas e que estão nos municípios [...] Isso não vai ser detalhado hoje. Está em processo, tem que ser feito de forma muito cuidadosa”, disse a titular da pasta.

Apenas 115 municípios baianos receberam a vacina. Desse total, 44 municípios - todos que receberam o primeiro lote - estão com doses que vencem em 30 de abril, informa Vânia Rebouças, coordenadora do Programa Estadual de Imunização. As cidades que receberam o segundo lote estão com doses que vencem em 30 de junho.

"Teremos mais 40 dias pra usar essas doses. Se vencer, vai precisar ser descartado. O que precisa é usar antes do vencimento. Se a gente focar na busca ativa nem vai precisar remanejar a dose, porque o público-alvo é de meio milhão, só distribuiu 170 mil, percentual bem inferior ao quantitativo [apto]", avalia Rebouças.

Na Bahia, cerca de 14,6 mil crianças foram imunizadas por semana desde o início da vacinação, no mês passado. Para atingir a meta e não desperdiçar doses da vacina, é necessário que cerca de 19 mil pessoas recebam o imunizante semanalmente até dia 30 de abril. Ou seja, um aumento de 33% no número de doses aplicadas.

Há expectativa de que a faixa etária do público-alvo seja ampliada para evitar o desperdício de doses. “Desperdiçar é muito complicado visto que temos vários públicos que poderiam se imunizar. Nós seguimos a determinação do Ministério da Saúde e esperamos que uma manifestação que nos autorize a ampliar esse público”, afirma Andrea Salvador, diretora de vigilância da capital baiana. Das 56.493 doses recebidas, 32.335 foram aplicadas em Salvador (57%).

Para o virologista Gubio Soares, a situação da Bahia é preocupante. “Não houve campanha prévia para estimular a vacinação e o governo precisa correr atrás porque a vacina é muito cara e perdê-las representa um grande prejuízo”, diz.

A Takeda, farmacêutica responsável pela fabricação da QDenga, indica que o imunizante seja aplicado para pessoas de até 60 anos. “É preciso seguir o protocolo do fabricante porque a vacina não foi testada em pessoas idosas. A decisão de ampliar a faixa etária para não perder as vacinas precisa ser tomada pelo Ministério da Saúde”, ressalta o especialista. 

A baixa procura pela vacinação preocupa outras regiões do país. Até a segunda-feira (18), 35,3% do total de 1,235 milhão de doses haviam sido aplicadas no público-alvo, segundo o Ministério da Saúde. A situação é preocupante em estados como Minas Gerais, que recebeu 78 mil doses da QDenga e vacinou apenas 21 mil pessoas (26%). Em Goiás, das 158 mil doses distribuídas, 23% foram aplicadas.

Marcos Sampaio, presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), acredita que este é o momento para a sociedade buscar os postos de saúde. "O Brasil foi o primeiro país a garantir a vacina contra a dengue no calendário nacional e não podemos correr o risco de perder doses devido a baixa adesão. Não devemos criar terrorismo na população porque as vacinas ainda tem validade de mais de um mês, mas é o momento estimular a sociedade a levar as crianças para se imunizarem", alerta. 

Disponível para pré-adolescentes de 10 a 14 anos, em Salvador, o imunizante contra a doença está disponível em mais de 100 salas de vacina de segunda à sexta-feira, e, de forma pontual, aos finais de semana de mobilização de imunização.