110 anos da relatividade especial de Einstein

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16.04.2015, 10:07:00
Atualizado: 16.04.2015, 10:12:17

110 anos da relatividade especial de Einstein

"Uma hora sentado ao lado de uma bela moça em um banco de uma praça parece um minuto; mas um minuto sentado em cima de um forno quente parece uma hora"

Entre março e novembro de 1905, um físico desconhecido, com apenas 26 anos de idade, servidor público federal, perito técnico de terceira classe da repartição de patentes de Berna (Suíça), recém-casado e com filho pequeno, surpreendeu o mundo ao publicar quatro artigos fundamentais (além de sua tese de doutorado) sobre diferentes assuntos: o primeiro defendia a hipótese do quantum de luz; o segundo resolvia a questão do “movimento browniano”; o terceiro apresentava uma nova teoria física, logo denominada “Relatividade”; o quarto envolvia a  famosa equação E=mc2, conseqüência direta do artigo anterior, relacionando energia (E) e massa (m).

Já sua tese foi sobre a determinação do tamanho das moléculas bem como do número de Avogadro, a partir de dados de dissolução de açúcar em água, algo surpreendente, simples e inovador à época. Este período foi denominado “Annus Mirabilis” (‘Ano Miraculoso’).

Qualquer um destes quatro artigos lhe traria prestígio científico. E de fato obteve o Prêmio Nobel de Física em 1921 pelo primeiro trabalho. Mas foi em 30 de junho de 1905 que marcou o mundo publicando a Relatividade Especial num renomado jornal. Em 2015 celebram-se 110 anos desta famosa descoberta, também denominada Relatividade Restrita, que modestamente mudou a forma de vermos o mundo ao se assumir apenas dois postulados: as leis físicas são as mesmas para todos os sistemas de referência inerciais; para todos observadores a velocidade da luz no vácuo c é a mesma.

O preço a pagar para validar estes dois postulados era simplesmente modificar as idéias fundamentais da física clássica. Assim, mostrou que o espaço não era absoluto, e o tempo não corria da mesma maneira em todas as partes, mas eram sim grandezas relativas, que dependiam do observador. Uma conseqüência da relatividade é que, quanto mais veloz um objeto, mais lento o tempo passa em relação a ele.

Outra é que, à medida que se aproxima da velocidade da luz, o objeto encolhe na direção do movimento. Tudo isto ocorre porque a velocidade é medida pela relação entre espaço e tempo. Se a velocidade da luz é fixa, o tempo e o espaço precisam variar. Se um corpo estiver então viajando muito, muito rápido (mas abaixo do limite c), o tempo vai passar de modo alterado (precisamente mais devagar) assim como o espaço (o objeto vai se contrair).

Chegou a escrever no prefácio de uma de suas várias biografias, esta de Philipp Frank (1884-1966) em 1942 (“Einstein: Sein Leben und seine Zeit”, algo como “Einstein: Sua Vida e seu Tempo”): “Nunca entendi por que a teoria da relatividade, com seus conceitos e problemas tão distantes da vida prática, tem encontrado por tanto tempo uma ressonância tão acalorada, e até mesmo apaixonada, entre vários círculos públicos. Até hoje não tive uma resposta verdadeiramente convincente para esta pergunta”. Faleceu aos 76 anos em 1955, após uma vida plena de significados.

Nas últimas décadas, assoberbado por pedidos de jornalistas e do público em geral, pediu à sua fiel secretária Helen Dukas (1896-1982) que desse a seguinte explicação com relação às perguntas sobre a relatividade: “uma hora sentado ao lado de uma bela moça em um banco de uma praça parece um minuto; mas um minuto sentado em cima de um forno quente parece uma hora”.

Convidado a participar da première do filme “Luzes da Cidade” (1931) pelo gênio universal do cinema mudo, Charles Spencer Chaplin (1889-1977), notaram que ambos eram efusivamente aplaudidos. Chaplin disse então que o público o saudava porque lhe entendia, e saudava-o porque ninguém o entendia.

 

Professor da Escola Politécnica, Departamento de Engenharia Química e do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA


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