A grata surpresa da vice de Neto, o voo solo dos deputados do PT e o conto do vigário de Rui aos prefeitos

alô alô política
05.08.2022, 08:51:32

A grata surpresa da vice de Neto, o voo solo dos deputados do PT e o conto do vigário de Rui aos prefeitos

Leia a coluna na íntegra

Valter Pontes/Divulgação

Grata surpresa
Anunciada ontem como pré-candidata a vice-governadora na chapa de ACM Neto (União Brasil), a empresária Ana Coelho (Republicanos) impressionou positivamente em sua apresentação oficial. Entre aliados do ex-prefeito de Salvador, o nome dela foi considerado uma “grata surpresa” e já causou impacto em sua primeira manifestação como postulante por sua segurança e preparo. Dizem eles que Ana demonstrou fala simples, direta e sem muita formalidade, além de passar uma imagem de simpatia e carisma. Para eles, ela não só agrega como vai contribuir muito para a chapa. 

Reações positivas
A boa receptividade a Ana Coelho não ficou apenas no meio político. No setor empresarial, a reação também foi positiva e diversos players do meio fizeram manifestações favoráveis ao nome dela para compor a chapa de ACM Neto. Ela é considerada uma grande liderança empresarial do estado e uma pessoa conectada ao tempo atual. 

O dia D
A chapa de ACM Neto vai ser oficializada durante convenção hoje no Centro de Convenções em evento político que vai reunir deputados, prefeitos, candidatos e lideranças de todo o estado, que se mobilizam para participar do ato. A expectativa das lideranças políticas que acompanham o ex-prefeito de Salvador é de que seja um dos maiores eventos políticos da história da Bahia. Além de Ana na vice, a chapa terá ainda o deputado federal Cacá Leão (PP) como candidato ao Senado. 

De olho nos recordes
O detalhe é que a chapa de Neto pode fazer história duplamente caso saia vitoriosa das eleições de outubro. Ana pode ser a primeira vice-governadora eleita na Bahia e Cacá Leão o senador mais jovem do estado. 

Voo solo
Pelo menos quatro dos 13 deputados estaduais do PT devem ficar pelo caminho na corrida da reeleição. A estimativa é de uma avaliação interna dos próprios petistas, que listam, entre outras coisas, pelo menos duas razões para a possível retração: a primeira é que a federação partidária com PV e PCdoB inevitavelmente redesenha a partilha de redutos e conta final dos votos; e a segunda gira em torno da falta de perspectiva no crescimento de Jerônimo Rodrigues. O novo cenário impôs mudanças de rumo nas estratégias de campanha de vários parlamentares, que passam a trabalhar em voo solo e se descolam da majoritária para se apresentar apenas como postulante “do time de Lula”. 

Saí pra lá!
Embora o governador Rui Costa goste de se vangloriar sobre sua popularidade, deputados do grupo aliado ao PT não parecem fazer questão de ter o petista em suas campanhas. Em seus materiais de campanha que estão rodando no interior, parlamentares limaram a imagem de Rui e usam apenas fotos do ex-presidente Lula, considerado por eles o verdadeiro puxador de votos. Agora, se a relação com a base está nesse nível, imaginem o que virá para o governador após as eleições? 

O disseminador de fake news
Na convenção do PT, repercutiu mal e ficou provado por A mais B que, de tanto falar de fake news, o governador Rui Costa (PT) está ficando famoso como disseminador de notícias falsas. Em discurso, dedicou boa parte dele para atacar ACM Neto (UB) e falar de um episódio em que o ex-prefeito teria tomado o microfone de uma liderança de Itarantim, baseado em vídeo montado que circulou nas redes sociais. Mas o fato é que Neto ajudou a trocar o microfone com defeito. No fim de semana, Du Almeida, liderança de citada, esclareceu os fatos, desmoralizou Rui e provou a farsa do governador que não se atentou com a verdade e espalha mentira. Pegou mal, governador. 

O centro das atenções
Ainda sobre a convenção do PT, o senador Angelo Coronel (PSD) foi um dos principais personagens. Crítico ferrenho da condução política de Rui, não deixou barato: tratou logo de ressaltar no seu discurso o péssimo tratamento sofrido por prefeitos e deputados na mão do governador. Pediu a Jerônimo que mirasse em Jaques Wagner (PT) e tratasse melhor esses agentes políticos no futuro. Rui estava longe, no fundo do palco. Aos mais próximos, depois do evento, Coronel confidenciou: “pelo visto gostaram, senti os abraços mais apertados de prefeitos e deputados no final”. Quem não deve ter gostado foi Rui. 

Quem cala consente
E sabe o que é mais curioso? O silêncio ensurdecedor de integrantes da base petista sobre as declarações de Coronel. Integrantes da base dizem que as falas do senador representam o sentimento majoritário da base de que o tratamento dado às lideranças, seja de deputados ou prefeitos, sempre foi ruim e que ninguém se sentiu confortável em rebater. 

O protagonista
Rui Costa tem roubado o protagonismo do seu pupilo e se porta nos eventos de campanha como se candidato fosse. Na coletiva pós-convenção, chegou a tomar o microfone da mão de Jerônimo para responder à pergunta da notícia veiculada em grandes portais de repercussão nacional. E o pior: não deixou Jerônimo voltar para responder ao questionamento. O nervosismo está grande. 

Recursos só na imaginação
O governador Rui Costa segue assinando convênios como se não houvesse amanhã. Entre promessas e embaraços administrativos, Rui já movimentou - pelo menos no imaginário dos prefeitos - algo em torno de R$ 2 bilhões. O problema é que as obras não saem do papel e pelo visto a manobra teve apenas apelo eleitoral. De janeiro a 1º de julho, Rui empenhou R$ 1,8 bilhão, mas depois recuou e cancelou R$ 600 milhões dos atos conveniados. E agora, de julho para cá, já firmou novos convênios que somam R$ 107 milhões. Como a legislação não permite a transferência de recursos aos municípios durante a janela de três meses que antecede as eleições, os valores ficam apenas no campo da imaginação.

Depois da queda o coice
Setores ligados ao PT no estado tiveram duas derrotas na Justiça Eleitoral nesta semana em função das pesquisas com indícios de irregularidades do instituto AltasIntel. Primeiro, o instituto foi multado em R$ 53 mil pela Justiça Eleitoral em função do levantamento anterior, divulgado em meados de julho e já suspenso pelo TRE. Depois, a própria Corte Eleitoral proibiu a divulgação de nova pesquisa, prevista para hoje.

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