Alan Costa e Ismael Carvalho falam sobre vivências de bichas pretas na Bahia

salvador
05.12.2020, 19:30:00
Atualizado: 05.12.2020, 19:32:42
(Foto: Reprodução)

Alan Costa e Ismael Carvalho falam sobre vivências de bichas pretas na Bahia

Dupla participou de mesa na 19ª Parada LGBTQIA+ da Bahia

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A Bahia tem que rimar com alegria, não com homofobia. Essas foram as palavras de Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia e decano da luta pelos direitos de pessoas LGBTQIA+ no Brasil, para abrir a 19ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ da Bahia, que acontece neste exato momento com transmissão pelas redes sociais do CORREIO e Blog Me Salte.

A primeira mesa, que falou sobre bichas pretas, teve na sua abertura uma linda perfomance de Malayka SN, interpretante a música Feeling Good, de Nina Simone, com muita potência. A letra cantada pela norteamericana é forte: um novo amanhecer, um novo dia, uma nova vida pra e mim e me sinto bem. E nada resume tão bem toda essa luta como a busca por bem-estar. Direito a se sentir bem, estar bem, em paz.

A Mesa Bichas Pretas teve participação de Alan Costa, produtor cultural e artístico que também é mobilizador social na "Campanha Jovem Negro Vivo" da Anistia Internacional Brasil e é o grande idealizador do Coletivo Afrobapho - formado por jovens negros LGBT, que utilizam as artes integradas como forma de mobilização social.

Leia mais:
>> Ser bicha preta no Brasil exige resistência diária mesmo dentro do movimento

Alan afirmou que a imagem da bicha preta afeminada é um contraponto ao esterótipo cisgênero e héterosexual brasileiro. O mobilizador aponta que tomando isso como referência, ser um homem gay negro e afeminado é um ato político que incomoda muito.

"As pessoas passam a pensar que dentro delas mesma pode existir um resquício de feminilidade. Nessa sociedade misógina, o feminino é muito odiado", afirmou.

O outro participante da mesa foi o diretor de criação da Preta Agência de Comunicação, Ismael Carvalho. Segundo Ismael, uma bicha preta sofre dentro de dois recortes: o do homem negro e o do gay. E esse sofrimento acontece inclusive dentro do próprios movimentos sociais.

"A comunidade [LGBTQIA+] não está tão aliada às pessoas pretas, enquanto o movimento negro não lida com as questões de sermos bichas pretas, então é importante levantar essas questões dos dois lados", disse Ismael.

Assista à Parada LGBTQIA+ ao vivo no player abaixo.

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