Almoço de Natal: Cidade da Luz serve 500 pessoas em ceia

salvador
24.12.2019, 18:35:00
Atualizado: 24.12.2019, 18:39:49
(Betto Jr./CORREIO )

Almoço de Natal: Cidade da Luz serve 500 pessoas em ceia

Evento acontece há 20 anos sempre no dia 24

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Almoço em família. Mesmo que os 500 assistidos que aproveitaram o almoço de Natal oferecido pelo centro espírita Cidade da Luz, em Pituaçu, não tenham laços de sangue foi esse o sentimento que preencheu o evento. De uma confraternização tipicamente natalina. A festa é promovida pela instituição há 20 anos. No cardápio, comidas típicas da ceia. Além de dividir o almoço, o público contou com visita do Papai Noel, animação com Tio Paulinho, além da entrega de 150 cestas básicas, 350 panetones e 180 brinquedos para a criançada.

Durante essas duas décadas, o almoço de Natal da Cidade da Luz foi crescendo. Este ano, além dos assistidos da própria instituição, recebeu novamente membros da Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia, (Apalba) e do Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas Pela Hanseníase (Morhan), que também são apoiados pela Cidade da Luz.

Se o almoço foi crescendo de tamanho, era possível encontrar, entre os convidados, quem também cresceu com o Natal marcado pelo evento solidário. “A primeira vez que vim eu era criança. Vim com a minha mãe. Hoje, já pude trazer minha filha e, a cada ano, esse almoço é mais especial”, contou Taís Santos, 26 anos, enquanto se deliciava com o cardápio especial.

Marcar com amor e tornar especial o Natal de quem precisa é, justamente, o intuito do evento. “A gente consegue ver que eles estão se sentindo em casa, são eles que estão fazendo a festa. Essas pessoas são pessoas tão estigmatizadas, e aqui se sentem efetivamente acolhidas. Que seja assim por muitos anos mais”, afirmou José Medrado, fundador do centro espírita.

Servindo o almoço, voluntários se revezaram emocionados. Os trabalhos para tornar o almoço possível começaram dias atrás, com a compra dos materiais e organização das doações. Na véspera de Natal, 500 refeições foram servidas.

“Como a gente assiste a esses grupos e essas pessoas durante todo o ano, hoje é um dia de reunião da família mesmo, um dia de muita alegria para nós”, conta Rosângela Teixeira, 60, uma das voluntárias mais antigas da instituição, há quase 40 anos no serviço voluntário.

Como Rosângela, outras 80 pessoas se uniram para compor a equipe do evento. Entre eles, o sentimento era o mesmo, típico da época: amor e gratidão. “Eu me sinto privilegiada. Venho por amor, por doação. Tudo aqui me inspira crescimento. Quando você pratica o bem tudo lhe chega, tudo de bom retorna. Não sou eu que preciso deles, são eles que precisam de mim”, diz a aposentada Suely Ferreira, 59 anos, que participa do almoço há 14.

Muito amor

Entre os assistidos sentados às grandes mesas onde o almoço foi servido, a sensação era a mesma. “É muito gratificante estar aqui, ver que tem pessoas que disponibilizam esse dia, a véspera do Natal. Venho há cinco anos, e sempre é surpreendente. Tudo com muito amor”, conta Patrícia Campos, 34, que foi levar a filha Natália, 13 anos, portadora de microcefalia. “É um momento muito feliz para ela, que pode estar perto de outras crianças. Muita alegria também com a vista do Papai Noel, a animação do Tio Paulinho. É especial”, garante.

A dona de casa Patrícia Campos, levou a filha Natália para o almoço
(Foto: Betto Jr/COREIO)

O próprio animador participa também de forma voluntária. Presente na festa desde a sua primeira edição, Tio Paulinho, nunca faltou a um evento. “É um presente pra mim. Um fechamento especial para o meu ano e para fazer o que eu acredito que é o Natal, se reunir pelo amor. Saio daqui, renovado, incentivado, por ver que pessoas se reúnem com esse objetivo de fazer o bem. Saio daqui com muita esperança”.

Seja entre quem trabalha ou quem recebeu o almoço, a sensação é de que a festa segue resgatando o espírito da data: comida, abraços e sorrisos repletos de solidariedade, gratidão e amor. “Eu adoro o Papai Noel. O Natal é lindo porque tem amor”, resume Yasmin, 6 anos, que como sua mãe Taís, quer vir por vários anos para o almoço da Cidade da Luz.

*Com orientação do chefe de reportagem Jorge Gauthier 

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