Amigos de funcionário da Osid acreditavam em recuperação: 'ninguém esperava que morresse tão rápido'

coronavírus
22.04.2020, 21:10:10
Atualizado: 22.04.2020, 21:52:16
(Acervo Pessoal e Divulgação)

Amigos de funcionário da Osid acreditavam em recuperação: 'ninguém esperava que morresse tão rápido'

Cesinha, que estava no Hospital Couto Maia e faleceu nesta quarta (22), era conhecido por sua dedicação ao trabalho

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Quando o técnico de enfermagem Antônio César Ferreira Pitta de Jesus, 48 anos, foi afastado do trabalho nas Obras Sociais Irmã Dulce, no último dia 15, com sintomas de Covid-19, ninguém imaginava que ele iria morrer uma semana depois, apesar de diabético e hipertenso. Conhecido pela paixão que dedicava ao ofício e querido por pacientes e colegas, Cesinha, como era chamado, não resistiu e morreu no Hospital Couto Maia nesta quarta (22).

“Acabou sendo um quadro grave mesmo. A turma de amigos e a família está muito abalada porque ele era um rapaz forte e ativo. Ninguém esperava que ele morresse tão rápido”, contou Washington, amigo de infância de César.

Desde de 2012, o técnico de enfermagem integrava a equipe da Unidade de Coleta e Transfusão de Sangue (UCT) do Hospital Santo Antônio (HSA). “Era um técnico muito cuidadoso e atencioso com todos, pois amava o que fazia. Tinha o coração de um menino”, afirmou Marília Sentges, líder da UCT, em nota enviada pela instituição.

Cesinha, como era conhecido, era funcionário do banco de sangue da Osid
(Foto: Reprodução)

Uma fonte próxima a Cesinha, que preferiu não se identificar, contou que o estado de saúde do funcionário da Osid piorou rapidamente até ele ser internado no Couto Maia na última segunda-feira. Ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e teve uma parada cardíaca. Desde a terça, o quadro era considerado grave.

“Ele estava bem, mas ficou ruim de uma hora para a outra. De sexta para segunda, quando ele foi internado, ele ficou com a respiração ofegante, como se estivesse correndo. Ele ficava todo roxo. Ele teve três paradas cardíacas no hospital”.

Antônio César nasceu e cresceu no Nordeste de Amaralina. Atualmente, morava no mesmo prédio que a mãe. Lá, conheceu seus amigos de infância, que fazia questão de manter contato. O técnico ainda tinha uma filha de 12 anos chamada Camila. “Cesinha era alegre, comunicativo e todo mundo gostava dele no bairro. O Nordeste de Amaralina está em luto com a morte”, completou a fonte.

Na infância, ele sempre estava com os amigos do Nordeste brincando e jogando bola na praça da Igreja São José ou na praia. O amigo Washington lembrou que Cesinha era fanático pelo Bahia desde pequeno e fazia questão de ir para todos os jogos.

No Twitter, o Bahia postou uma nota de pesar para o fiel torcedor: “Descanse em paz, Cesinha. Nossa homenagem ao tricolor Antônio César Ferreira Pitta de Jesus, técnico de enfermagem das Obras Irmã Dulce, mais uma vítima da Covid-19 na Bahia”.

Segundo a líder da UCT, Antônio César foi afastado das atividades em 15 de abril, quando apresentou febre e tosse. “As providências foram imediatas. O primeiro atendimento foi no ambulatório montado nas Obras Sociais para acolher nossos colaboradores com sintomas gripais. Como o teste deu positivo, ele foi encaminhado para o isolamento em casa”, explicou Marília.

Queixas
Pelo menos 64 profissionais de saúde do Hospital Santo Antônio foram infectados pelo coronavírus. Entre os pacientes, são pelo menos 30 casos confirmados. Com a situação, os funcionários da instituição relatam temer pegar a doença durante o trabalho especialmente, de acordo com eles, devido a escassez de medidas de proteção.

(Foto: Divulgação / Elói Corrêa/GOVBA)

Ao CORREIO, os trabalhadores relataram a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e treinamentos específicos para a proteção contra a doença.

Em resposta enviada ao CORREIO na terça, a Osid afirmou entregar os EPIs necessários aos funcionário e ter realizado treinamentos desde 6 de março, além de possuir uma triagem dos pacientes para evitar a transmissão da doença nas enfermarias do hospital. “O período de incubação da doença é de 7 a 14 dias. Assim sendo, caso algum paciente apresentasse suspeição forte, seria encaminhado para uma enfermaria, para aguardar o resultado da pesquisa viral”, ressaltou.

No domingo, a unidade iniciou a transferência de pacientes, com apoio da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), que possuem casos confirmados de coronavírus e quem têm mais de 60 anos. Neste primeiro momento, seriam 200 pacientes transferidos para uma base de apoio onde ficava a faculdade Ruy Barbosa, no Rio Vermelho, e para a rede estadual de saúde.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

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