Após ausência de Gerson, meia Ramírez presta depoimento ao STJD

e.c. bahia
03.02.2021, 19:17:00
Atualizado: 03.02.2021, 19:17:41
Por meio virtual, Ramírez foi ouvido pelo STJD (Foto: Divulgação/EC Bahia)

Após ausência de Gerson, meia Ramírez presta depoimento ao STJD

Colombiano foi ouvido sobre acusação de suposta injúria racial

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Acusado de cometer injúria racial contra o volante Gerson, do Flamengo, o meia colombiano Juan Pablo Ramírez, do Bahia, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (3), no inquérito aberto pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para apurar o caso.

Ao lado advogado Milton Jordão, que representa do Bahia, Ramírez foi ouvido por meio de videoconferência e deu a sua versão do que aconteceu no episódio em que ele foi acusado de ter cometido racismo.

O jogador tricolor foi ouvido pelo relator Maurício Neves Fonseca, escolhido para cuidar do inquérito. Como as investigações correm em sigilo, o conteúdo do depoimento não foi divulgado. Ramírez voltou a se defender e negou ter cometido o crime.

Além de Juan Pablo Ramírez, o técnico Mano Menezes também prestou depoimento por videoconferência. Mano era técnico do Bahia na partida contra o Flamengo, quando a acusação aconteceu. Antes de treinador e jogador, o trio de arbitragem do jogo também havia sido convocado para prestar esclarecimentos.

Gerson ausente 
Apesar de ter colhido os depoimentos de Ramírez e Mano Menezes, o inquérito do STJD deve ser encerrado. O motivo foi não comparecimento dos jogadores do Flamengo na audiência.

Mesmo tendo acusado Ramírez e prestado queixa sobre a suposta injúria, o volante Gerson faltou ao depoimento. Ele deveria ter sido ouvido na manhã desta terça-feira, mas não compareceu. Além dele, foram intimados como testemunhas o zagueiro Nathan e o atacante Bruno Henrique. A dupla seguiu o mesmo caminho do volante.

O Flamengo justificou que seus jogadores não poderiam prestar depoimentos pois estão concentrados para a partida de quinta-feira (4) contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro.

No entanto, foi o próprio Flamengo que escolheu a data dos depoimentos, concordando em marcá-los para essa quarta-feira. O clube carioca posteriormente tentou adiar as audiências, mas não conseguiu.

Pelo cronograma, o relator Maurício Neves Fonseca terá até o próximo dia 11 de fevereiro para dar um parecer sobre o inquérito. Mas com ausência do depoimento do acusador, a tendência é de que as investigações sejam encerradas e a promotoria do STJD não ofereça denúncia contra Ramírez.

O órgão esclareceu ainda que, concluído o inquérito que apuro o suposto racismo, vai analisar o não comparecimento dos jogadores do Flamengo à audiência. Confirmada a infração, time carioca pode ser punido.

Relembre o caso
Durante a partida entre Bahia e Flamengo, vencida pelo time carioca por 4x3, em dezembro do ano passado, no Maracanã, Gerson acusou o colombiano Ramírez de ter falado "cala boca, negro!".

No momento do suposto ocorrido, houve uma grande discussão no campo, que resultou também em acusação na esfera criminal, investigada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

"O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: "Cala a boca, negro". Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito", acusou Gerson em entrevista pós-jogo.

"Em nenhum fui racista com nenhum dos jogadores, nem com Gerson, nem com qualquer outra pessoa. Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e o Bruno Henrique finge e eu arranco a correr e eu digo a Bruno que” jogue rápido, por favor”, "vamos irmão, jogar sério”. Aí ele joga a bola para trás e Gerson, não sei o que me fala, mas eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei "joga rápido, irmão", se defendeu Ramírez.

Ramírez chegou a ser afastado das atividades pelo Bahia, enquanto uma apuração interna foi realizada pelo clube. na leitura labial feita por especialistas contratados pelo tricolor, foi constatado que o jogador não usou a palavra "negro" durante os diálogos.

Sem a comprovação de que o colombiano havia cometido a injúria, Ramírez foi reintegrado ao elenco do Bahia e vem sendo peça importante na luta do Esquadrão para escapar do rebaixamento.

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