Após dois anos sem jogar, joia do Vitória busca espaço no sub-23

e.c. vitória
25.12.2018, 06:00:00
Rafael Puridade voltou aos treinos cinco meses após cirurgia (Maurícia da Matta / EC Vitória)

Após dois anos sem jogar, joia do Vitória busca espaço no sub-23

Goleiro descobriu duas hérnias na coluna aos 17 anos; aos 20, quer retomar carreira

Em toda a Toca do Leão, ninguém terá um Natal mais feliz do que Rafael Puridade. O goleiro de 20 anos conviveu nos últimos três com as dores e a incerteza. Na flor da idade para qualquer atleta, ficou sem poder jogar e sequer treinar por causa de uma lesão. Neste mês, veio o presente: incorporado ao time sub-23, voltará a sonhar em ser jogador profissional de futebol.

Puri, como é chamado pelos colegas, é cria da Motta Academia de Futebol, projeto encabeçado pelo ex-diretor de base do Vitória, Newton Motta. Em abril de 2015, foi levado para o clube como uma grande promessa. Seu talento era tanto que, com 16 anos recém-completados, foi incorporado ao sub-20.

O menino vivia o sonho de outros tantos no seu bairro, Mirantes de Periperi, no Subúrbio Ferroviário. Porém a queda veio rápida. Em dezembro de 2015, após poucos jogos, começou a sentir dores na região lombar. “De início, a dor ia e voltava. Ficava bem, treinava uma semana e sentia de novo. Quando foi em abril de 2016, a coluna travou de vez. Não conseguia me mexer direito. Como goleiro usa muito a lombar e o quadril, eu sentia uma dor insuportável”, recorda.

“Fiquei um mês fazendo fisioterapia e nada de melhorar. Foi aí que fiz um exame. Deu que tinha hérnia do lado esquerdo e do lado direito da coluna. Entre (as vértebras) L4 e L5 do esquerdo e L5 e S1 do lado direito”, conta. Rafael tinha, na época do diagnóstico, apenas 17 anos.

As dores da lesão

Na prática, Puridade passou uma parte da idade de juvenil (16 e 17 anos) e quase todo o júnior (18 aos 20) parado. Foram dois anos e três meses sem treinar e sem jogar. “Passei por quatro especialistas de coluna aqui em Salvador. Todos disseram que eu teria que fazer uma cirurgia que me impediria de voltar a jogar futebol”, lembra.

Os prognósticos tiraram o ânimo do menino. Ele confessa que, nos primeiros meses, sem saber se teria chances de voltar a jogar, começou a deixar o tratamento de lado. Num texto em seu Facebook, resumiu a dor: “Pensei várias vezes em abandonar o futebol, porque já não estava aguentando tanto sofrimento”.

Nessa época, uma palavra em inglês aterrorizava o garoto: core. Na fisioterapia, ela é usada para englobar uma série de exercícios específicos – e difíceis – para fortalecer a lombar e o quadril. Uma atividade dolorosa. “Eu só fazia isso. Acho que ninguém na história do clube fez mais core que eu. Quando eu chegava na academia, os caras diziam ‘chegou o homem-core’”, comenta.

A volta aos treinos

Rafael conta que o esforço para recuperá-lo envolveu mais de um profissional do clube: “Morei no alojamento do Vitória durante todo esse tempo. O professor Ferreira (Itamar, treinador de goleiros da base) e Carlão (diretor da base) me conseguiram isso. A doutora Verena (Freire, psicóloga do clube) me ajudou muito também”.

Ele dois profissionais em especial: Nathália Figueiredo, médica da base, e Adonai Dias, fisioterapeuta. A dupla conseguiu uma consulta com especialista em hérnia, em São Paulo. Lá, Rafael ouviu a tão esperada notícia: com uma cirurgia e graças ao core que vinha fazendo tão dedicadamente, poderia voltar a jogar.

A cirurgia completará seis meses no dia 29. E graças ao core, a recuperação foi mais rápida que o esperado: em novembro ele já treinava. “Quando Puri voltou a treinar, todo mundo do clube ficou muito emocionado. Era uma vontade e um compromisso que encantaram a todo mundo”, relata a fotógrafa do Vitória, Maurícia da Matta.

Rafael Puridade tem contrato com o Leão até dezembro de 2019. Como nasceu em 1998, não pode jogar mais pela base. Desde o dia 17, quando o sub-23 se reapresentou, o goleiro é, forçosamente, profissional. E terá que buscar espaço no mais alto nível. Pelo planejamento rubro-negro, o time de aspirantes vai disputar o Baianão de 2019.

“Tenho consciência de que estou muito atrás dos outros, mas já lutei muito para chegar até aqui. Quero jogar, pegar ritmo e ser titular do Vitória. Ainda sonho em ser chamado pela seleção brasileira. Vou ralar muito para conseguir tudo o que tenho direito”.

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