Após incêndio, empresas oferecem material para reconstruir obra do Comércio

salvador
22.12.2019, 16:07:00
Atualizado: 22.12.2019, 16:46:56
(Foto: Reprodução e Betto Jr/CORREIO)

Após incêndio, empresas oferecem material para reconstruir obra do Comércio

Monumento à Cidade do Salvador foi destruído neste sábado (21); veja vídeo

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A mobilização pela reconstrução do Monumento à Cidade do Salvador, também chamado de monumento Fonte da Rampa do Mercado, no bairro do Comércio, em Salvador, já deu resultados importantes. Menos de 24 horas depois da estrutura ter sido consumida pelas chamas durante um incêndio, nesse sábado (21), duas empresas de engenharia já se ofereceram para doar o material para a reconstrução da obra de Mario Cravo Jr.

Logo após o incêndio, o prefeito ACM Neto já havia determinado que a Fundação Gregório de Mattos (FGM) reconstrua a obra.

Nas redes sociais, baianos e turistas lamentaram o incêndio, que terá as causas investigadas pela Polícia Civil. O monumento é um dos cartões postais da cidade e figura recorrente nas fotos que baianos e turistas fazem de Salvador, com o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo ao fundo.

Fumaça foi vista até por quem estava na Vitória (Foto: Roberto Abreu/ CORREIO)

Neste domingo (22), o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, contou que a destruição da peça sensibilizou a sociedade. Pelo menos duas empresas de engenharia já se oferecendo para doar o material necessário para a reconstrução. “Não posso dizer os nomes porque ainda estamos resolvendo, mas a cidade está muito mobilizada”, afirmou.

Guerreiro contou que terá uma reunião com os familiares Mario Cravo Júnior (1923-2018), artista plástico responsável pelo monumento, nesta segunda-feira (23).  O motivo do encontro é discutir qual material será usado na obra e quem será o responsável pela reconstrução. A família afirmou que têm a planta original da peça, datada de 1970.

“A ideia é que o monumento seja mantido no mesmo padrão, mas que seja feito de um material não inflamável”, afirmou.

O material usado na construção original era fibra de vidro, considerado altamente inflamável. O presidente da FGM disse que alguns artistas plásticos que participaram da construção da obra, em 1970, estão vivos e devem ajudar na reforma.  

“Meu pai trabalhou a vida inteira no bairro do Comércio. Ele tinha loja de tecidos. Eu passava por quase todos os dias por lá e acabei criando uma relação afetiva com aquele monumento. No início tinha uma curiosidade sobre ele e depois fui criando uma paixão enorme. Ele acabou fazendo parte da paisagem e despertando uma memória afetiva”, contou Guerreiro.

Nas redes sociais, muitas pessoas fizeram montagens com as fotos de antes e depois do incêndio, também numa demonstração de lamento pelo ocorrido.

Monumento ficou completamente destruído (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Incêndio
Segundo moradores e pessoas que trabalham na região, o fogo começou por volta das 15h30 e, em cerca de 10 minutos, tomou conta de toda estrutura. “A gente estava aqui trabalhando quando ouvimos um estouro. Aí de repente o fogo apareceu. Foi tudo muito rápido. Saímos correndo, pois ficamos com medo do fogo chegar até a gente, mas só ficou lá mesmo. A fumaça foi toda pro lado da Marinha”, contou no dia do incêndio a ambulante Eonice Silva, 62 anos, que trabalha no local há 20 anos.

Quando o Corpo de Bombeiros apareceu, por volta das 16h, o monumento já tinha sido todo consumido pelas chamas. “A gente encontrou no entorno roupas e fezes humanas e de animais. Isso indica que tinha gente que usava do espaço, provavelmente pessoas em situação de rua para o uso de drogas. Isso pode ter ocasionado o fogo", disse o tenente Jorge Luiz Sérgio, responsável pela operação de combate às chamas.

Devido as obras de requalificação da Praça Cayru, o local estava fechado por tapumes, mas havia uma porta que, segundo o tenente, era usada pelos funcionários da obra quando havia necessidade. Por outro lado, os funcionários, que não quiseram se identificar, afirmaram que a porta é constantemente arrombada por pessoas em situação de rua.

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) esteve no local para fazer a perícia. Neste domingo, a Polícia Civil confirmou que vai investigar o caso.

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