Ataque a faca deixa 3 mortos na Basílica de Nice, na França

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29.10.2020, 06:39:22
Atualizado: 29.10.2020, 08:00:01
Prefeito conversa com policiais (Reprodução)

Ataque a faca deixa 3 mortos na Basílica de Nice, na França

Prefeito da cidade afirmou que foi ato terrorista e um suspeito foi preso

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Três pessoas foram mortas e várias ficaram feridas na manhã desta quinta-feira (29) em um ataque a faca na Basílica de Nice, na França. O caso ocorreu por volta das 9h horas locais (6 horas em Brasília). O prefeito Christian Estrosi classificou o caso como terrorismo e disse que um suspeito foi preso.

Segundo relatos da imprensa francesa, duas mulheres foram mortas dentro da basílica e a terceira pessoa foi morta do lado de fora. O jornal 'Le Parisien' diz que uma das mulheres foi degolada durante o ataque. Uma equipe da polícia antibomba foi enviada até o local para verificar a possibilidade de algum artefato explosivo ter sido deixado lá.

A Procuradoria antiterrorismo francesa iniciou uma investigação sobre o caso. O ministro do Interior do país, Gérald Darmanin, disse que terá uma "reunião de crise" com o presidente Emmanuel Macron, que depois seguirá para Nice.

As mortes acontecem em meio a um momento difícil na França, pouco depois da decapitação do professor Samuel Paty, morto após exibir uma charge de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão. A morte gerou vários protestos no país e reacendeu tensões com a comunidade muçulmana.

Não há informação se os dois casos têm relação, mas o prefeito citou o caso e disse que a França precisa "eliminar o islamo-fascismo".

Terrorismo
A basílica Nortre-Dame, que fica no centro da cidade de Nice, na Riviera Francesa, já tinha sido alvo de um atentado em 2016, com 84 mortos. Um caminhão passou atropelando pessoas que assistiam à queima de fogos pelo 14 de julho, Dia da Bastilha, data muito celebrada na França.

O caso mais recente de terrorismo na França aconteceu há menos de duas semanas - a decapitação do professor Paty.. Em sala de aula, ele exibiu uma charge do profeta Maomé, o que é considerado blasfêmia pelos muçulmanos. A imagem mostrada era da revista satírica Charlie Hebdo, também alvo de um atentado em 2015.

Em setembro desse ano, houve outro ataque nas proximidades da antiga redação da revista, que mudou de lugar após o atentado de 2015. Duas pessoas ficaram gravemente feridas. 

A morte do professor causou comoção e gerou protestos em toda a França. No funeral de Paty, o presidente Macron disse que o país não vai renunciar às caricaturas.  "Nós continuaremos, professor. Nós defenderemos a liberdade que você ensinava tão bem e nós levaremos a laicidade. Nós não renunciaremos às caricaturas e aos desenhos", afirmou Macron. “Samuel Paty foi morto porque os islâmicos querem nosso futuro, mas a França não desistirá de nossos cartuns", reafirmou.

A fala de Macron foi criticada em países de maioria muçulmana, que clamaram por um boicote à França. O presidente da Túrquia, Recep Tayyip Erdogan, questionou a saúde mental do presidente francês. Erdogan disse que “uma campanha de linchamento está sendo realizada contra os muçulmanos, semelhante à dos judeus da Europa antes da Segunda Guerra Mundial”.

A França tem a maior população muçulmana da Europa Ocidental, cerca de 9%, e defende o secularismo no Estado, com medidas consideradas polêmicas, como a proibição de uso de niqabs, o véu muçulmano que cobre o rosto, em locais públicos e nas escolas.

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