Atirador de Goiânia trocava mensagens sobre nazismo com amigos

brasil
28.10.2017, 09:03:00
Atualizado: 28.10.2017, 09:19:35

Atirador de Goiânia trocava mensagens sobre nazismo com amigos

Adolescente usava perfil com codinome Adolf, em alusão a Adolf Hitler

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O adolescente de 14 anos que atirou contra dos colegas de classe em plena sala de aula em um colégio em Goiânia, matando dois e deixando quatro feridos, usava um perfil no Skype com o codinome Adolf e tentava convencer os amigos da mesma idade que o nazismo havia sido positivo para a humanidade. As conversas foram descobertas pelo pai de um dos melhores amigos do atirador, que, depois do incidente, decidiu vasculhar as mensagens que os dois trocavam na internet. A revista Veja divulgou alguns trechos.

Pelos diálogos ocorridos entre abril e outubro deste ano no Skype, é possível concluir que o garoto tirava tais ideias de sites de notícias falsas e de teorias da conspiração, como as que propagam que o holocausto dos judeus foi uma farsa e que as imagens dos campos de concentração foram montadas. Nas mensagens, o amigo rebate as afirmações e chega a dizer que não quer falar sobre o assunto, porque o pai poderia ver as mensagens e porque o atirador achava que Hitler estava certo.

(Foto: Reprodução)

"Adolf" chega a citar o youtuber sueco Felix PewDiePie Kjellberg, um dos mais famosos do mundo, para justificar a empatia pelas ideias nazistas. Em fevereiro,  Kjellberg, que fala sobre games em seu canal e é seguido por vários adolescentes em todo o mundo, envolveu-se em uma polêmica depois de fazer piadas antissemitas. Com a repercussão negativa do caso, ele se justificou dizendo que tudo não passou de uma brincadeira.

(Foto: Reprodução)

O autor dos disparos era considerado pelos pais e professores um ótimo aluno. Gostava muito de ler, tirava notas boas e chegou até a ganhar uma medalha neste ano numa competição da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) realizada no colégio. Para os amigos mais próximos, no entanto, ele se comportava de maneira diferente. Segundo eles, o garoto desenhava o símbolo da suástica em seu caderno e no braço e, quando era alvo de brincadeira dos colegas, costumava ameaçá-los. “Vou matar você e sua família”, dizia ele. Os colegas, no entanto, nunca as levaram a sério.

O pai do amigo do adolescente também relatou que no início do ano o seu filho lhe trouxe um desenho em quadrinhos com diversas suástica feito pelo atirador. Ele se assustou ao ver a imagem e explicou ao filho que aquilo era errado.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o garoto abriu fogo contra os colegas porque era alvo de bullying. Dois dias antes do crime, um dos estudantes mortos havia lhe trazido um desodorante — ela era chamado na sala de “fedorento”. O delegado Luiz Gonzaga Júnior disse que por ora não considera relevante para o caso as posições políticas do garoto, mas que o Instituto de Criminalística deve traçar um perfil psicológico sobre ele para entender quais foram as  motivações do crime.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas