Boca do Rio e Centro têm aumento de movimentação após fim das restrições

salvador
19.05.2020, 17:00:00
Atualizado: 19.05.2020, 17:02:51
Movimento na Avenida Sete cresceu mesmo com a manhã chuvosa (Arisson Marinho/CORREIO)

Boca do Rio e Centro têm aumento de movimentação após fim das restrições

Ambulantes e comerciantes esperam que circulação nos bairros aumente ainda mais nos próximos dias

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A chuva que caiu na manhã desta terça-feira (19), em Salvador, não impediu que a Rua Hélio Machado, na Boca do Rio, e as avenidas Sete de Setembro e Joana Angélica, no Centro, tivessem um visível aumento de movimentação. É que hoje é o primeiro dia de suspensão das medidas mais restritivas de circulação, que estavam em vigor nesses locais. 

Isso significa que a circulação de carros voltou ao normal e que qualquer loja de até 200 metros quadrados pode voltar a funcionar. Isso inclui os vendedores ambulantes, que puderam montar suas barracas após ficarem oito dias em casa, cumprindo isolamento social.  

Estabelecimentos de vários tipos voltaram a funcionar nos dois bairros: roupas, variedades, instrumentos musicais, doces, tecidos e utilidades do lar são alguns dos segmentos que estão de portas abertas. O sentimento dos comerciantes era um misto de alegria por poderem voltar ao trabalho e preocupação, por não se resguardarem em casa.  

"Queria que aqui ficasse vazio como estava antes, mas em casa tinha o medo de perder o emprego", disse o segurança Aldo Sérgio, 51, que atende a algumas lojas da Rua Hélio Machado. “O movimento está começando a voltar ao normal, mas não é nada comparado a antes. Aqui era uma muvuca”, lembrou. 

A chuva não impediu que as pessoas saíssem de casa na Boca do Rio (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

A comerciante Emily dos Santos, 21, que trabalha há dois anos no segmento de vestuário, admite que preferia estar em casa nesse período. "Meu sentimento é de aflição por saber que algumas pessoas não estão respeitando o isolamento social. Estamos lidando com clientes, com dinheiro e fica o medo de ser contaminada", disse. Apesar disso, ela também demonstrou preocupação com a questão econômica.

"Essa angústia se estende também ao futuro da loja. Agora, o que as pessoas estão menos comprando são roupas. São João é um período que vendíamos muito, por exemplo", lembrou. 

Para o aposentado Raimundo da Hora, 65, a volta do comércio é algo positivo, pois ele pode comprar o que precisa. “Hoje mesmo eu vim comprar alimentos. Antes, várias lojas estavam fechadas e é um pouco triste”, disse ele, que admitiu que não tem sido responsável no cumprimento das medidas de distanciamento social. “Tenho saído de casa pelo menos umas cinco vezes na semana”, completou. 

Mercado informal 
Na Avenida Sete e na Joana Angélica, onde ferve o comércio informal da cidade, ambulantes comemoraram a possibilidade de voltar a trabalhar na região, mas lamentaram o fraco movimento. Houve gente que só conseguiu vender a primeira mercadoria às 10h30, como é o caso do vendedor de salgados Antonio Carlos, 58. 

“Me sinto angustiado, pois a gente trabalha aqui é para sobreviver. Em casa, parado, só vendo as contas chegar, não dá certo”, disse o morador do Dois de Julho. Vivendo sozinho e de aluguel, seu Antonio carrega diariamente a mercadoria da sua casa até a frente do Shopping Center Lapa, onde vende seus salgados.  

Seu colega de trabalho, José Roberto, 41, explicou que alguns setores do mercado informal são mais afetados do que outros. “Quem vende água e alimentos, por exemplo, fica mais prejudicado do que eu, que vendo produtos tecnológicos, porque os produtos deles podem estragar. Graças a Deus, a minha área não é muito afetada, pois as pessoas têm consumido tecnologia nesse período. Minha venda é praticamente a mesma de antes", disse. 

Por não ter cumprido a determinação da prefeitura de ficar em casa nessa semana de medidas mais restritivas no bairro e ter buscado outras formas de vender seus produtos, Roberto disse que não buscou a cesta básica que foi fornecida para os ambulantes pela Secretaria de Ordem Pública (Semop). “Tenho colegas que precisam mais do que eu nesse momento”, confessou.   

Roberto não usava a máscara corretamente enquanto falava com a reportagem. Vale lembrar que todos os ambulantes e feirantes devem usar o equipamento de proteção individual, além de terem álcool em gel 70% e obedecer a distância mínima de dois metros entre as barracas. Para o comércio formal, valem as regras gerais anunciadas para toda a cidade (veja mais abaixo). 

Marcas no chão foram estabelecidas para separar os ambulantes e feirantes (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

O aposentado Antonio Franco, 65, que mora na Avenida Sete, ficou feliz com o fim das medidas restritivas no bairro. “Tinha que voltar, pois o Centro é um espaço grande e dá para mantermos um distanciamento social. É só termos ordem”, disse, a caminho de uma farmácia e garantindo que está saindo pouco de casa. 

Já para o gari Gabriel Reis, 28, que trabalha no local, a volta do comércio o preocupa. “Com os dias, acho que o movimento aqui vai aumentar ainda mais e, assim, aumenta o risco de eu ser contaminado”, disse. Reis já encontrou máscaras no chão do bairro, o que pode ser um foco de contaminação. “Tenho que manter a máxima distância para conseguir coletar o material com a vassoura e a pá, para depois colocar no lixo”, afirmou.  

Outros bairros 
Ao contrário da Boca do Rio e do Centro, em Plataforma as ações restritivas e de proteção à vida seguem por mais sete dias. Sobre as restrições na Pituba, a definição se haverá continuidade ou não só será divulgada nesta quarta-feira (20). Nesta mesma data, ACM Neto determinou que haverá o início de restrições e ações de proteção à vida em mais três bairros: Lobato, Bonfim e Liberdade, áreas onde o número de casos da covid-19 preocupa, por ter apresentado forte crescimento em maio. Por isso, é necessário ampliar o isolamento social. 

Assim como em Plataforma, no Lobato, no Bonfim e na Liberdade os comércios formal e informal devem permanecer fechados entre os dias 20 e 26 de maio, com exceção de supermercados, farmácias, agências bancárias, lotéricas, estabelecimentos que fazem delivery, cartórios, repartições públicas, clinicas veterinárias, serviços de imagem e radiologia, atendimento de tratamento contínuo (oncologia, hemoterapia, hemodiálise) e laboratórios de análise clínica. 

A Prefeitura vai realizar, nesses bairros com medidas regionalizadas, testes rápidos para detectar pessoas com a covid-19, distribuição de máscaras, entrega de cestas básicas a ambulantes e feirantes, combate ao mosquito Aedes Aegypti e o projeto Cras Itinerante. 

Regras gerais para estabelecimentos autorizados a funcionar em toda a cidade: 

Manter a distância mínima segura entre as pessoas de dois metros, readequando espaços e realizando marcações em locais mais críticos, com formação de filas; 

Obrigatoriedade do uso de máscaras faciais, tanto para funcionários próprios e terceirizados quanto para os clientes; 

Disponibilizar kits de higienização à base de álcool em gel 70% ao longo do estabelecimento, em locais visíveis, de maior fluxo de pessoas;  

Exigir que clientes ou usuários higienizem as mãos com álcool em gel 70% ou soluções de efeito similar ao acessarem e saírem do estabelecimento; 

Disponibilizar kit completo para higienização nos banheiros; 

Antes, durante e após o período de funcionamento, reforçar a sanitização do ambiente, sendo que banheiros, superfícies de toque e meios de pagamento devem ser higienizados constantemente; 

Fica vedado a experimentação, testagem e/ou prova de produtos nos estabelecimentos; 

Fica vedado a prestação de serviços de manobrista. 

***

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