Cabeça feita: oficina de turbantes ensina arte vinda da África

correio afro
27.01.2022, 06:00:00
Adereço de origem africana, turbante virou acessório fashion (Ana Lúcia Albuquerque)

Cabeça feita: oficina de turbantes ensina arte vinda da África

Projeto Verão Salvador Shopping ainda contará com shows, eventos culturais, atrações kids e vai até 28 de fevereiro

Além de símbolo religioso, o turbante é parte da afirmação da identidade cultural que foi trazida pelos povos africanos que vieram para o Brasil quando foram escravizados. Para exaltar essa potência, as turbanteiras Ainá Montanhas, 31 anos, e Marluce de Oliveira, de 46 anos, realizaram ontem uma oficina gratuita que ensinou a colocação do adereço em mais de 100 tecidos.

O evento aconteceu dentro da programação do Projeto Verão Salvador Shopping. Para Marluce, que há 10 anos trabalha com oficinas de turbantes e tranças durante feiras e eventos em Salvador e Aracaju, o turbante é o símbolo mais forte dentro da comunidade do candomblé. “Ele era e ainda é muito usado por pessoas iniciantes no candomblé para manter a cabeça coberta. A cor usada é sempre o branco. E depois disso ele passa a ser usado de acordo com as obrigações da pessoa dentro da religião”, conta.

Com o tempo, os adereços trazidos da África passaram a ser reproduzidos, assim como as estampas e as colorações que tinham em seus países de origem. Para a oficina, os tecidos escolhidos foram o africano, a renda, a malha e o crepe de seda. Segundo as profissionais, cada um é usado para tipos específicos de penteados. O tecido africano, por exemplo, é ideal para produções mais elaboradas, para dar diferentes formatos ao turbante, como grandes laços. Já a malha é um tecido mais fluido, sendo mais indicado para as amarrações de tiaras e flores. 

“O turbante era muito mais usado pelo povo preto, mas hoje ele também é um acessório. Para mim, o turbante me enaltece, eu me sinto poderosa. Não tem como você passar por uma mulher de turbante e não olhar para ela. Então, eu vejo que essa é uma forma de exaltar a autoestima da mulher”, garante Marluce. 

Projeto Verão Salvador Shopping vai até fevereiro

(Foto: Ana Lúcia Albuquerque/ CORREIO) 

A partir do comércio entre Ocidente e Oriente durante o período escravocrata, as trocas culturais foram intensificadas e levaram os turbantes para o mundo da moda, especialmente na Europa, nas décadas de 20 e 30. Desde então, o adereço se popularizou e se consolidou, também, como um acessório fashion. 

Monique Alves, de 48 anos, contou que sempre teve vontade de usar a peça, mas faltava oportunidade. A oficina foi o momento ideal para isso. “Eu nunca tive oportunidade de aprender. Em mim, nunca havia feito, nunca me vi assim com o adereço e gostei demais, quero tirar várias fotos agora”, conta ela, que passeava pelo shopping no momento que a oficina era realizada. 

Ao descobrir que o evento aconteceria, Marluce Bittencourt, 35, que já costuma usar turbantes semiprontos, foi até o local para conhecer as amarrações. “Eu adoro turbantes, mas ainda não tinha tanta habilidade para fazer. Vim e adorei o resultado, valeu muito a pena”, comentou. 

O Projeto Verão Salvador Shopping segue até o dia 28 de fevereiro, na Praça Central (Piso L1), sempre gratuito. A programação conta com a Quarta Cultural, das 17h às 18h, onde se apresentam atrações que valorizam a cultura do estado; a Quinta Sunset Show, sempre com atrações musicais, das 19h às 20h; e o Sábado Verão Kids, dedicado a fazer a alegria da criançada, das 10h às 11h.

Emilly Tifanny Oliveira, com orientação de Monique Lôbo 

Confira abaixo a programação completa:

Quarta Cultural

  • 2/2 - 17h às 18h - Apresentação das Ganhadeiras de Itapuã
  • 9/2 - 17h às 18h - Balé Afro
  • 16/2 - 17h às 18h - Apresentação de Dança
  • 23/2 - 17h às 18h - Pintura da Timbalada e apresentação do Pracatum 

Quinta Sunset Show

  • 27/1 - 19h às 20h - Batifun
  • 3/2 - 19h às 20h - Aloísio Menezes
  • 10/2 - 19h às 20h - Batifun
  • 17/2 - 19h às 20h - Sérgio Passos
  • 24/2 - 19h às 20h - Peu Tanajura

Sábado Verão Kids

  • 29/1 - 10h às 11h - Corrupio - música e histórias cantadas 
  • 5/2 - 10h às 11h - Pipoca Bacana 
  • 12/2 - 10h às 11h - Espaço Musical
  • 19/2 - 10h às 11h - Canela Fina
  • 26/2 - 10h às 11h - Tio Paulinho e personagens
     

Com supervisão da subchef de reportagem Monique Lôbo.

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