Caminhada marca protestos contra estação de esgoto na Lagoa do Abaeté

salvador
26.09.2021, 16:44:00
Atualizado: 26.09.2021, 16:58:05
Povo de santo, representantes de diversas organizações se concentraram na Sereia de Itapuã para pedir cuidado com o Abaeté (Carmen Vasconcelos)

Caminhada marca protestos contra estação de esgoto na Lagoa do Abaeté

Manifestantes pedem participação da sociedade nas decisões sobre o local; Governo diz que obra já foi concluída e passa por ajustes finais para entrar em operação

Nem mesmo o tempo fechado e as chuvas, que molharam o início da manhã desse domingo (26), em Salvador, conseguiram desmobilizar o grupo que se concentrou cedo na Sereia de Itapuã em direção à Lagoa do Abaeté. Formado por representantes do povo de santo, comunidade cigana, organizações ambientalistas, moradores e sociedade civil organizada, o ato teve como objetivo sensibilizar os poderes públicos para a defesa do patrimônio ambiental, cultural e material do Abaeté, onde foi construída uma estação elevatória de esgotos, no ano passado.

A chuva não impediu a concentração e a caminhada em defesa da conservação da Lagoa do Abaeté na manhã desse domingo, 26 (Fotos: Carmen Vasconcelos)

De acordo com um dos coordenadores do Fórum Permanente de Itapuã (@fpitapua) Pedro Abib, a sociedade protesta contra a implantação da estação que está muito próxima às margens da lagoa, que é uma área de proteção ambiental. “Acreditamos que essa política pública é equivocada e favorece a toda uma série de agressões àquele ecossistema, a exemplo das invasões e a poluição daquele espaço”, explicou. Abib fez questão de enfatizar que, ao longo de toda a obra, a comunidade não foi consultada. “Exigimos que as decisões sejam tomadas com a consulta a quem usa, vive e protege esse espaço”, completou.

Com uma postura parecida, o sacerdote Doté Saulo reforçou a necessidade de tombamento do Parque do Abaeté como uma forma de proteger a área. “A estação elevatória está muito próxima das margens da Lagoa. Tememos por um desastre ambiental que, não apenas afetaria o povo de santo de toda a cidade, que tem o espaço como sacro, como também para quem tira o seu sustento dali, a exemplo das lavadeiras e pescadores”, reforçou.

Nascida em Itapuã e moradora da área, a costureira Marcela Santos, 31, fez questão de estar presente ao ato. “O povo de santo tem um amor especial por aquela área, onde existem muitas plantas sagradas usadas em rituais e onde depositamos o presente de Oxum. Precisamos cuidar desse espaço para todos e para as futuras gerações”, completou.

O povo de santo e outras comunidades religiosas fizeram questão de marcar presença e exigir cuidado com o local considerado sagrado para diversos credos 

Representante da Tsara Cigana Encontro da Lua Cheia, uma espécie de templo religioso para culto de Santa Sara Kali, Maria Aparecida Silva fez questão de pontuar a importância de uma lagoa do Abaeté viva e saudável para as comunidades locais, especialmente, para os cultos onde a natureza predomina. “Não podemos assistir quietos a essa agressão a um local de paz e comunhão”, enfatizou. 

Procurado peo CORREIO, o Governo do Estado, responsável pela obra, afirmou que "sempre houve diálogo com a comunidade e os devidos esclarecimentos foram prestados, quando solicitados". De acordo com a assessoria, a obra de implantação da Estação Elevatória de Esgoto do Abaeté já foi concluída. A Embasa e a Conder agora realizam ajustes na rede de esgoto antiga para iniciar a operação.

A estação é formada por bombas que irão direcionar os resíduos gerados pelos equipamentos presentes na área da Lagoa para o sistema de esgotamento sanitário da Embasa. A estação é um equipamento subterrâneo e tem a forma de um poço. De acordo com o Governo, o projeto indica que as partes visíveis serão incorporadas às estruturas em concreto já existentes no Parque do Abaeté e não vai gerar nenhum impacto visual ao local, que é um dos pontos turísticos mais famosos da capital baiana.

Um sistema complementar foi planejado para garantir a segurança e a funcionalidade da estação elevatória, sendo composto por um tanque pulmão para conter extravasamentos, com capacidade de retenção de 8 horas, além de gerador, que será acionado em caso de falta de energia, bombas reservas e ainda alerta sonoro e envio de SMS à equipe técnica responsável pela manutenção, em caso de alguma falha operacional.  

"Vale registrar que o projeto foi elaborado com a contribuição da própria Embasa, que ficará responsável pela operação da estação; teve anuência do Inema, órgão ambiental responsável pela gestão da área, e aprovação da Prefeitura Municipal, que concedeu o alvará para execução dos serviços. Além disso, um parecer favorável à obra foi emitido pelo Ministério Público", diz a nota.  

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