Carneiro: 'Não tenho nada contra o novo. A questão é competência'

e.c. vitória
20.04.2019, 05:30:00
Atualizado: 20.04.2019, 19:20:32
Paulo Carneiro quer acumular funções de diretor de futebol (Almiro Lopes / CORREIO)

Carneiro: 'Não tenho nada contra o novo. A questão é competência'

OUÇA ou LEIA entrevista completa com candidato à presidência do Vitória

Paulo Carneiro dispensa apresentações. Presidente mais longevo do Vitória, de 1991 a 2005, ele quer retornar à Toca do Leão nas eleições do próximo dia 24 de abril, das 9h às 21h, no Barradão.

Ele concorreu à presidência em 2016, como cabeça de uma chapa ao Conselho Deliberativo, e em 2017 seria diretor de futebol do candidato Manoel Matos. Em ambas as eleições saiu derrotado.

Nesta entrevista ao CORREIO, Carneiro traz a ideia de recuperar o Vitória S/A, criado por ele nos anos 2000, e transformar o clube de novo numa empresa. Além disso, quer jogar a Série B inteira na Fonte Nova.

Você pode consumir a entrevista em dois formatos: completa, em áudio, em edição do programa Bate-Pronto Podcast, ou em versão menor, editada, em texto.

Pelas regras do CORREIO, as primeiras sete perguntas serão igualmente feitas para todos os candidatos. As últimas cinco foram elaboradas especialmente para cada entrevistado, observando sua trajetória.

O CORREIO já publicou entrevistas com os candidatos Raimundo Viana, Gílson Presídio e Isaura Maria. O candidato Walter Seijo não quis conceder entrevista.

Clique no player abaixo para ouvir a entrevista em áudio ou faça o download para ouvir quando e onde quiser.

Você também pode ouvir o Bate-Pronto Podcast no aplicativo Spotify ou através do serviço iTunes.

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Confira a versão resumida em texto:


Por que você deseja voltar a ser presidente do Vitória?

Reunimos um grupo de rubro-negros históricos desde 2017 pela preocupação com o Vitória. Nós queríamos entrar desde lá, com Manoel Matos, mas o torcedor continuou elegendo o ‘novo’ como se fosse a saída. Não tenho nada contra o novo, a questão é competência para assumir um clube desse peso. As duas últimas gestões foram um fracasso e isso nos fez querer voltar ao clube. Na nossa época – minha, de Alexi (Portela, também ex-presidente) – o Vitória tornou-se um clube estável, ficando muito mais tempo na Série A. Agora, o desafio é duplo: voltar àquele patamar e fazer o clube crescer.

Você foi derrotado nas duas últimas eleições. O que te leva a acreditar que dessa vez será diferente?

É triste dizer isso, mas o apoio à gente aumentou com o fracasso do Vitória. Acho que agora experiência é o que conta. Minha, de Alexi, de Adhemar (Lemos, também ex-presidente). O torcedor vê todos esses juntos e até aqueles que têm rejeição a mim, mas gostam de Alexi, vão acabar votando. Pensam ‘se esses caras estão juntos é porque querem ajudar o clube’. Nossa história de títulos, de atletas que revelamos, tudo pesa diante da situação atual do Vitória.

O apoio à gente aumentou com o fracasso do Vitória. Acho que agora experiência é o que conta.

De onde tirar dinheiro agora, a curto prazo, para investir e tirar o time da Série B? Os contratos de TV estão todos negociados até 2024.

É... Vou ter que assaltar um banco, né (risos)? É o mais rápido. Um banco tricolor de preferência (risos). Vamos ter que nos virar sem dinheiro, não tem milagre. E aí entra a experiência. Preciso conhecer os contratos (de TV). Me parece que no acordo da Série B vai vir um dinheiro a mais. Esse será o primeiro ano em que o Vitória vai disputar a Série B sem receita de Série A, o que agrava. Pretendo colocar grama sintética no Barradão para receber eventos. É barato, e dinheiro para fazer isso eu arranjo fácil na rua.

Como fazer a reformulação no time sem dinheiro?

O Vitória tem quatro oportunidades: um jogador do Cruzeiro (para trazer por empréstimo), com metade do salário pago, e três do Palmeiras (também empréstimo), com tudo pago. Temos que otimizar isso. Não vai ser fácil. Não se pode fechar um acordo assim sem identificar de cara qual jogador trazer, tem que saber se ele aceita jogar Série B. E se ele não quiser jogar a Série B, fica o quê? Jogador sub-20. Você pode achar um menino que ajude muito, mas tem que garimpar, analisar. Se a gente traz bem esses quatro jogadores já melhora a equipe. Vamos ter que mexer no elenco que está lá também, mas agora não posso falar nada, seria antiético.

Quando você vende ingresso a R$ 10, qual o recado que dá? Que seu jogo não vale nada.

O que fazer para trazer a torcida de volta ao estádio?

Começa com o torcedor percebendo que o clube tem comando. É um processo de confiança. Aí, você atrai o torcedor para o plano de sócios. O clube tem acostumado mal o torcedor a ingressos baratos. Quando você vende ingresso a R$ 10, qual o recado que dá? Que seu jogo não vale nada. Assim foi tratado o Vitória no último ano, tivemos uns dez jogos da Série A com ingresso a R$ 10. Isso não vai acontecer comigo. Temos que setorizar o estádio e ajustar o plano de sócios. A categoria ouro de sócio tem que ficar num lugar privilegiado. No plano bronze, que custa R$ 25, o cara só paga 30% do ingresso. Onde já se viu isso? Mas o principal é devolver ao torcedor a chance de sonhar. No meu tempo ele sonhava e enchia o estádio.

O técnico Cláudio Tencati e o gerente de futebol Alarcon Pacheco têm contrato até o final do ano. Eles ficam?

Por enquanto, não vou dizer nada. Não tomo decisões antes de ser presidente. Não sou antiético. Tencati deve ficar porque não quero mexer no técnico. Alarcon está no grupo. Não vou ter diretor de futebol, eu mesmo vou cuidar. Posso ter um gerente, como Alarcon, pode ser ele.

Não vou ter diretor de futebol, eu mesmo vou cuidar. Posso ter um gerente para ajudar.

Se eleito, você assumirá às vésperas da estreia ou com a Série B andando. Como será o planejamento?

Não vamos aguardar nada, os novos hábitos serão implantados imediatamente. Vou me reunir com a equipe, fechar as portas e trabalhar. Quem não estiver satisfeito, a porta da rua será a serventia da casa. O Vitória vai pagar uma conta muito alta por não ter tempo para o novo presidente antes da Série B, mas do jeito que estava não podia continuar.

Seu grupo é cheio de ex-presidentes. Não há entre vocês uma preocupação com a renovação de líderes?

Claro, no nosso programa tem a preparação de futuros gestores em convênio com faculdades. Porque o que vai acontecer com o futebol brasileiro nos próximos anos? A tendência é que todo clube vire empresa. Somos o único mercado de futebol ‘top’ do mundo em que os clubes não são empresas. Mas no nosso quadro já temos renovação. Fábio (Mota, candidato à presidência do Conselho Deliberativo) é uma renovação nítida. Jaílson Reis (candidato a presidente do Conselho Fiscal), também. Eles querem ser presidentes do clube. Se terão esse perfil, o futuro vai dizer. Essas serão grandes experiências. Lideranças surgem naturalmente.

A Fonte Nova vai receber nossa visita. Se a proposta for boa, vamos jogar a Série B inteira lá.

Barradão ou Fonte Nova: onde o Vitória vai jogar sob a sua gestão em 2019?

Onde o Vitória tiver maior geração de caixa. O Vitória não tem que ter paixão por estádio. O Barradão precisa ser modernizado. Então, te digo: na situação em que o clube se encontra hoje, ele vai jogar onde gerar mais caixa. A Fonte Nova vai receber nossa visita assim que eu for eleito. Se a proposta econômica for boa para o Vitória, vamos jogar a Série B inteira lá. Vamos revitalizar o Barradão ao mesmo tempo, mas agora temos que gerar caixa. E a Fonte Nova não pode discriminar o Vitória.

O Vitória S/A, criado por você, concentra a maior parte das dívidas do clube. Vai incorporá-las à do E.C. Vitória sob sua gestão?

Isso foi o ‘mágico de Oz’ do Carlos Falcão quem fez. Em 2009 ele quis aparecer no mercado como um mágico que ia resolver as finanças do Vitória. Daí, deixou as dívidas todas no Vitória S/A e trouxe os ativos para o E.C. Vitória. Como o clube não tinha dívidas, ficou tudo saudável. Isso aí vamos discutir internamente para resolver. Mas te garanto que vamos cuidar da S/A assim como cuidamos do clube, ela não pode mais ficar solta. Vou ver quem é o presidente da S/A, vou chamar ele e vamos definir um plano de ação. A S/A é um grande ativo do Vitória e pode ser a solução do clube. Não tenho dúvida que a empresa será o futuro do Vitória. Mas hoje o Vitória é uma coisa só, o passivo é um só. Não adianta esconder a realidade.

Vamos cuidar da S/A assim como cuidamos do clube. É um grande ativo do Vitória e pode ser a solução do clube.

Na sua gestão, o Vitória contratou jogadores como Bebeto e Túlio. Hoje, você diz que o clube não pode fazer grandes contratações. O que esperar da sua gestão?

O Vitória não deve comprar nenhum jogador. Só atleta jovem, em que você faz investimento de, no máximo, R$ 300 mil. Mas comprar jogador por R$ 1 milhão eu não farei nunca. Nosso clube precisa formar o jogador em casa e só contratar no mercado na posição em que não tenha na base. E, de preferência, trazer por empréstimo, para não errar. Esses aí que você citou não foi o Vitória quem comprou. Foram os parceiros. Do clube eu nunca gastei um centavo. A estratégia agora vai ser a mesma que eu sempre fiz: formar jogador em casa. Se arranjar parceiro, posso fazer grande contratação.

Você é contra a democracia e o voto direto no clube?

Não sou contra a democracia, apenas estou pedindo às pessoas que reflitam: qual o modelo majoritário no futebol mundial? Empresa. Qual o único país com futebol top do mundo que não usa o modelo empresarial? O Brasil. Quando foi que o Vitória atraiu investidores? Quando virou empresa. É preciso plantar essa discussão na mesa. O Vitória tinha uma eleição indireta. É mais ou menos democrática? Muitos acham que menos, porque elege a chapa e a chapa elege um presidente. Mas nos Estados Unidos, como é? Indireta. E dizem que lá é o país mais democrático do mundo. Para mim, o que importa é o gestor. Já que o Vitória tem esse modelo, vamos seguir e tentar fazer a melhor gestão.

Não sou contra a democracia, só estou pedindo às pessoas que reflitam: qual o modelo majoritário no futebol mundial? Empresa.


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