Casal ouve gritos e dá socorro a vítimas de tentativa de estupro em barco

salvador
07.09.2018, 05:30:00

Casal ouve gritos e dá socorro a vítimas de tentativa de estupro em barco

Dois suspeitos continuam foragidos; rapaz de 19 anos está desaparecido

Já perto das 23h de quarta-feira (5), Paulo Henrique, 29 anos, ouviu os gritos de socorro na direção do mar, em Plataforma. Ele e a esposa, Cláudia Santos, 21, assistiam à novela quando ouviram os primeiros gritos abafados. Àquela hora, o costume é haver silêncio na rua onde moram, em frente à Praia de Bate Estaca. Quem pedia socorro eram as meninas Victoria Maria Branquini, 22, e Victoria Musi Vitti, 33, que pularam na Baía de Todos-os-Santos para fugir de assaltantes

Paulo Henrique conta como foi o resgate de três das quatro vítimas (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

A contragosto de Cláudia, Paulo desceu para descobrir o que acontecia no mar. Outros moradores também já estavam do lado de fora e tentavam descobrir o motivo do desespero. As amigas tentavam nadar até a areia.

“Gritei para elas nadarem para lá (para o Alvejado, praia vizinha). Tava mais claro, aí foram para lá e encontramos elas”, lembrou ele.

Mas, ao chegar na areia, todos começaram a estranhar o comportamento das mulheres. “Estavam bêbadas. Ficavam desesperadas, depois irônicas. Choravam e gargalhavam”, contou Cláudia, que ligou para a polícia e registrou a ocorrência. A essa altura, Paulo e dois amigos já estavam no mar, num pequeno barco, em busca de Ícaro de Oliveira, 21, e Robson de Jesus dos Santos, 19. Os dois, segundo as meninas, tinham sido jogados na água. E Ícaro tinha asma, poderia ter dificuldade para nadar.

Ao encontrarem Ícaro, ele, com falta de ar, já começava a perder para a força da água. “Foi a gente que tirou ele lá de dentro e trouxe para a areia”, diz Paulo. Robson, no entanto, permanecia na água sem ser encontrado. Os bombeiros retomarão as buscas por ele nesta sexta-feira (7). Ícaro esperou ajuda no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com sinais de afogamento. As amigas não não tinham ferimentos.

A embarcação onde estavam poucos minutos antes sequer foi avistada pelos moradores. Nessa quinta (6), a polícia visitou alguns endereços em busca de pistas pelos dois suspeitos que tentaram, segundo as meninas, estuprá-las. Eles também disseram ao grupo ser donos da embarcação. “Mas tudo ainda é muito preliminar. Não encontramos ninguém ainda”, disse o delegado Luis Henrique Costa Ferreira, da 29ª (Plataforma). Nenhum objeto foi roubado.

* Com supervisão da editora Tharsila Prates

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