Caso da babá: há muito o que se explicar ainda

ivan dias marques
04.09.2021, 05:00:00
Atualizado: 04.09.2021, 07:41:32

Caso da babá: há muito o que se explicar ainda

Notícias que marcaram a semana

O caso da babá Raiana Ribeiro, que caiu do 3º andar de um edifício no Imbuí para fugir do cárcere privado da patroa Melina Esteves França, já havia virado assunto dos baianos na última semana. Se no início havia alguma dúvida do relato da babá, já que havia uma declaração de um condômino sobre uma suposta agressão dela a uma das crianças que cuidava, com o passar dos dias, o surgimento de outras denúncias contra Melina foi deixando claro que Raiana falava a verdade.

Mas nada disso tem o impacto das imagens exibidas pela TV Bahia na noite da última quinta-feira. Vídeo de câmeras de segurança do apartamento da patroa não deixam dúvidas das agressões seguidas que Raiana sofreu. São fortes – e indignantes. Como uma pessoa é capaz de dar socos, puxões de cabelo e chutes numa outra, na frente de seus próprios filhos, sem qualquer medo de ser denunciada e ir presa? Como uma pessoa que faz isso seguidamente, ao longo de anos (de acordo com o depoimento de outras 11 vítimas), e não é parada, não é presa?

O vídeo deixa muitas certezas, mas também perguntas. Por que o comportamento de Milena não foi coibido por outras pessoas do seu entorno? Uma outra funcionária presenciou as agressões e, aparentemente, sabia o que estava acontecendo. Por que não denunciou? Por que as outras vítimas de Melina nunca foram à polícia antes? As mudanças de endereço de Melina têm a ver com as agressões que ela praticava contra suas funcionárias? Nenhum amigo, vizinho ou funcionário de condomínio ouvia os gritos ou achava estranho a constante troca de funcionárias nas residências dela?

As perguntas deverão ser respondidas pela polícia ao longo da investigação e todos nós merecemos respostas, sobretudo as vítimas de Melina. Os traumas decorridos das agressões podem durar uma vida, causar danos inimagináveis às mulheres agredidas. Que as lições desse caso durem mais que as marcas que Melina deixou em suas vítimas.

Um medo maior do que ser esquecido no mercado
Deixado para trás em um mercado de Salvador na noite da última terça-feira, o maior medo de Carlos Santana não era ter que dormir fora de casa ou se explicar para a esposa o porquê de ter ido fazer compras e não ter retornado (ela pensou, sim, que era ‘zig’). Ele não é claustrofóbico e, aparentemente, não declarou ter medo de fantasmas. O real medo de Carlos, que encontrou as portas do local fechadas quando tentou sair e nenhum funcionário para abri-las, era ser mais uma vítima do racismo estrutural no Brasil.

"Já tenho a pele mais escura, né? Eu rodando dentro daquele supermercado, porque quando eu desci as luzes estavam acesas. Aí pensei: ‘daqui a pouco aciona o alarme aqui, daqui que eu explique que sou cliente, eles acreditarem, já tomei um tiro’. Aí veio o medo", contou ao CORREIO na manhã da quarta-feira (1º).

A viatura que chegou no local foi chamada por amigos dele. Não cabe a ninguém questionar o medo de Carlos. Se ele o sente, é porque as experiências vividas por ele ou por pessoas próximas o levaram a temer perder a vida por conta da cor de sua pele. No fim de tudo, o CORREIO pôde ajuda-lo, afinal, apenas depois que o jornal publicou a matéria alertando que ele estava preso no mercado, que um funcionário foi abrir a porta para que ele pudesse sair. 
 

Fim de festa no Itaigara
Uma mansão acima de quase qualquer suspeita foi alvo de uma operação policial na noite da última quarta-feira. A discrição contrastava com o que foi achado pelas autoridades: mulheres sendo rifadas para programas sexuais. Além de constatar a exploração sexual, os policiais ainda encontraram um alto valor em dinheiro em três moedas diferentes (reais, euros e dólares), máquinas de cartão e cadernos com diversas anotações. A responsável pelo esquema com as mulheres foi presa.

O chifre que mobilizou a internet
O brasileiro é um povo que, mesmo nas piores dificuldades, não costuma perder a piada. Após a revelação, pelo site Metrópoles, de que o presidente Jair Bolsonaro havia descoberto que sua ex-mulher, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, o havia traído com um bombeiro que era seu segurança, não faltaram memes e piadas com a situação nas redes sociais. O objetivo, claro, era tirar sarro da pose de ‘macho alfa’ que o presidente costuma gostar de exibir e atingir o ego dele.

Violência no interior
Dois casos de crimes violentos chamaram a atenção no interior da Bahia durante a semana. Em Aurelino Leal, no Sul do estado, o empresário e fazendeiro João Coutinho, de 64 anos, foi sequestrado no último domingo (29) na frente de dois funcionários dentro de uma de suas propriedades. Passou 36 horas em poder dos sequestradores, que exigiram um resgate de R$ 1,5 milhão. De acordo com a apuração do CORREIO, após esse valor ser pago pela família do fazendeiro, ele foi liberado a cerca de 100km do local em que foi levado. Os sequestradores não foram localizados ainda pela polícia.

Em Feira de Santana, o final não foi feliz para a família de Gabriela Jardim Peixoto, cujo corpo foi encontrado no último sábado (28), às margens da BR-116. Desta vez, a polícia conseguiu rapidamente construir a maior parte do quebra-cabeça do caso e, na última sexta (3), o ex-companheiro dela, o médico Antônio Marcos Rêgo Costa, que havia ido para o Acre, teve a prisão preventiva decretada, acusado de tê-la assassinado. 

Bilionários

  • Dois Baianos pareceram na lista dos 315 bilionários brasileiros revelada pela revista Forbes Brasil
  • 1,65 bilhão de reais é a fortuna do empresário José Caetano Paula de Lacerda, baiano mais bem colocado na listam em 235º
     

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