Com medo de suspeito, estudante agredida em Camaçari sai da casa da avó

bahia
28.03.2019, 05:00:00
Atualizado: 28.03.2019, 13:12:18

Com medo de suspeito, estudante agredida em Camaçari sai da casa da avó

Também de Camaçari, Eva Luana acompanha o caso e foi procurada pela mãe da vítima
(Fotos: Reprodução e Evandro Veiga/CORREIO)

Após circular a informação de que o suspeito das agressões estaria andando no bairro, a estudante Deisiane Souza Cerqueira, 18 anos, foi retirada da casa da avó paterna no último domingo (24), na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS). Ela estava com a idosa desde o último dia 19, quando o pai, o taxista Robson Cerqueira Santos, 43, a salvou de um cárcere privado mantido pelo namorado da vítima, o tatuador Marcos Alexandre da Silva, 35.

Além de cárcere privado, Marcos Alexandre é acusado por Deisiane de inúmeras agressões que deixaram o rosto dela desfigurado e cicatrizes espalhadas no pescoço, costas e pernas, resultado de sessões diárias de murros, facadas, queimaduras de cigarro, mordidas e outras agressões físicas que começaram logo após os dois primeiros meses da relação. A estudante ainda sofreu tortura psicológica: durante os seis meses em que foi mantida em cárcere privado, era ameaçada de morte diariamente. O advogado dele diz que o suspeito é inocente.

Ela foi retirada da casa da avó paterna pela estudante de Direito Eva Luana da Silva, 21 anos, jovem que foi violentada por mais de oito anos pelo padrasto e hoje atua ajudando outras mulheres vítimas de violência. Eva contou com a ajuda da Polícia Militar para levar Deisiane. 

O CORREIO conversou com a advogada de Eva, Maria Cristina Carneiro. “Eva soube através da mãe de Deisiane que o acusado das agressões estava rondando o bairro. Então, Eva foi lá oferecer ajuda. Foi com a polícia porque o local é perigoso. Chegando na casa, Eva encontrou a jovem expelindo sangue por conta da reação das medicações que vinha tomando para tratar dos coágulos internos fruto da agressão. Então, ela foi levada de imediato para uma unidade médica e posteriormente para o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) por vontade própria”, disse a advogada.

Ainda de acordo com ela, a estudante está numa unidade de referência de apoio às mulheres vítimas de violência. O local não foi revelado por uma questão de segurança.

Marcos Alexandre é acusado por Deisiane de ameaças (Foto: Reprodução)

Reprovação
Já o pai de Deisiane, o taxista Robson, que estava em casa quando a filha foi retirada do local, reprovou a atitude.

“Dias antes, Eva me procurou dizendo que queria ajudar levando minha filha para um centro onde são tratadas mulheres vítimas de violência. Mas o acertado é que não seria por agora, porque precisava ficar mais com a minha filha. Só que no domingo Eva veio para levá-la contra a minha vontade. Veio com duas viaturas. Eles tiraram minha filha de mim. Quando fui falar, os policiais ameaçaram me prender”, contou Robson. 

Questionada sobre as acusações de Robson, a advogada de Eva, Maria Cristina Carneiro, rebateu.

“Deisiane é maior de idade e veio por conta própria. A jovem estava muito fragilizada. Precisava não só de atendimento médico, mas também sair daquela casa, pois havia o relato da mãe de que ela e a filha tinham sido agredidas pelo pai da jovem. Quando um policial perguntou se queria sair da casa, a jovem respondeu: ‘Pelo amor de Deus, me tire daqui’”, contou a advogada. 

Agressão
O relato da agressão contra a mãe e filha está sendo apurado pela delegada Florisbela Rodrigues, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Camaçari.

“De fato houve a denúncia e estamos apurando, inclusive o pai já foi intimado a vir prestar esclarecimentos”, disse a delegada. O CORREIO tentou falar novamente com Roberto, para repercutir a acusação, mas ele não atendeu. 

Florisbela está também à frente do inquérito que apura o cárcere privado e as sessões que deixaram o rosto desfigurado e cicatrizes espalhadas no corpo de Deisiane. A delegada aguarda a apresentação do acusado. “O advogado ficou de apresentá-lo, mas até agora nada. É importante ouvir o que tem a dizer para concluirmos o inquérito”, disse.

O CORREIO falou novamente com um dos advogados de Marcos, Linsmar Monteiro. “Estamos resolvendo uma questão de logística. A gente não pode expor ele à situação de violência, uma vez que, como a situação virou notícia, ele corre sérios riscos da reação popular”, declarou.


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