Dirigentes criticam gratificações pagas a PMs e policiais civis baianos

bahia
17.11.2017, 02:00:00

Dirigentes criticam gratificações pagas a PMs e policiais civis baianos

Apreensões de armas renderam bônus de R$ 1,46 milhão

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O Governo da Bahia divulgou na quarta-feira (15) que, até outubro deste ano, policiais civis e militares responsáveis pelas apreensões de armas receberam R$ 1.466.000,00 com base no Prêmio Especial, instituído pelo Governo do Estado em 2011.

A gratificação prevê o pagamento, em dinheiro, dividido em três faixas: R$ 300 para revólveres calibre 38 e pistola 380; R$ 600 para pistolas ponto 40, 45 e 9 milímetros; R$ 1.500 para fuzis, metralhadoras e espingarda calibre 12, por exemplo.

Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindipoc), Marco de Oliveira Maurício acredita que a política de gratificações por arma apreendida não estimula a categoria.

“O Governo do Estado paga por delegacia territorial, divide a verba com todo mundo. Como é que o policial vai se sentir estimulado a fazer essas apreensões se o esforço que ele está fazendo não tem uma recompensa direta?”, questiona.

O deputado estadual Marco Prisco Machado (PPS), presidente da Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), também criticou o modelo de pagamento das gratificações. “Apenas uns 5 mil dos 32 mil policiais militares da Bahia recebem essas gratificações, e elas são pagas de seis em seis meses. E é algo que não estimula o policial a fazer este tipo de ação, porque não se avalia diretamente o desempenho pessoal. A grana é dividida entre as guarnições, em que atuam de 4 a 6 policiais”, analisou.

Fuzil apreendido em operação policial este ano, em Salvador (Foto: Alberto Maraux/SSP)

Números
De janeiro de 2014 a setembro deste ano, as polícias Civil e Militar da Bahia apreenderam, ao todo, 18.920 armas, o que dá uma média de 11 unidades apreendidas por dia.

A maioria é formada por revólveres (11.376), espingardas (4.026) e pistolas (2.316). Também aparecem na lista carabinas (96), garruchas (612), rifles (198), escopetas (122), submetralhadoras (82), metralhadoras (46) e fuzis (46). 

Em 2014, foram 4.549 apreensões; 4.962 em 2015; 5.381 em 2016, e 4.028 em 2017 (janeiro a setembro). Neste ano, de janeiro a setembro, houve a apreensão de 22 fuzis contra sete em 2016, aumento de 314%. Já as metralhadoras, foram 12 este ano, contra nove em todo ano passado. Os tipos de fuzis mais apreendidos são o M16, AR 5,56, o Airsoft, além do “sete meia dois”.

Essas armas são consideradas de grosso calibre (de 50 milímetros em diante) ou de grande poder de fogo, quando se consegue dar mais de 100 tiros por minuto. Também foram tiradas de circulação 1.032 espingardas, 2.181 revólveres e 555 pistolas.

Dentre esses armamentos, os que têm chamado mais atenção são os fuzis, um tipo de arma cada vez mais utilizado por traficantes, quadrilhas de assalto a banco e sequestradores.

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