Eleições do Bahia: confira entrevista com Guilherme Bellintani

e.c. bahia
05.12.2017, 07:10:00
Guilherme Bellintani concorre à presidência do Bahia nas eleições de 9 de dezembro (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Eleições do Bahia: confira entrevista com Guilherme Bellintani

Ex-secretário municipal é o candidato da situação

Com o fim da Série A, o CORREIO inicia nesta terça (5) uma série de entrevistas com os cinco candidatos à presidência do Bahia, em eleição que ocorre no sábado (9). Primeiro, os entrevistados são Guilherme Bellintani e Binha de São Caetano. Na quarta (6) e na quinta-feira (7) completaremos a série com as respostas de Fernando Jorge, Nelsival Menezes e Abílio Freire.

Em texto, os leitores conferem as respostas das perguntas básicas e comuns aos candidatos de forma editada. Em áudio sem cortes, no Bate-Pronto Podcast Especial (ao fim da entrevista escrita), os candidatos respondem também a perguntas específicas e aditivos às perguntas básicas. 

Guilherme Bellintani
Candidato da situação nas eleições do dia 9 de dezembro, Guilherme Bellintani concorre pela primeira vez ao cargo de presidente do Bahia. Sua chapa tem o assessor jurídico do clube, Vitor Ferraz, como candidato à vice-presidência. Bellintani chefiava a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador e se licenciou para concorrer ao pleito no tricolor. Sua principal proposta é alavancar a receita do clube no próximo triênio, período mínimo de mandato da gestão que sucederá Marcelo Sant’Ana e Pedro Henriques.    

CORREIO: Caso você seja eleito, a ideia é dar continuidade ou reformular o trabalho da gestão anterior?

Guilherme Bellintani: As duas coisas. Dar continuidade e reformular. A gente tem uma percepção muito clara do avanço que a gestão Marcelo Sant’Ana e Pedro Henriques trouxe (...), qual o desafio do próximo presidente? Ampliar a receita. E fazer o que com essa ampliação de receita? Investir no futebol. Fazer com que a folha, que hoje é uma das menores do Brasil, temos a 16ª folha de futebol da Série A, passe por uma nova alavancagem, passe por crescimento e que a gente consiga gradativamente diminuir a desigualdade econômica que temos com os outros grandes clubes e, aí, naturalmente com ampliação de receita, certamente investimento maior no futebol e melhoria do resultado em campo. 

C: Qual a estrutura diretiva ideal que você imagina e pretende aplicar no Bahia? 
GB: Eu vejo a diretoria administrativo/financeira como um projeto muito bem-sucedido e, não falando de pessoas especificamente, entendo que o modelo como ela está constituída, com suas gerências, está bem e eu, se eleito presidente, deixarei exatamente ela como está. Na diretoria de mercado, a gente vê a necessidade de um acréscimo de outra estrutura que não existe ali, uma divisão da diretoria de mercado em uma parte que cuide do que eu chamo internamente de mercado analógico que é o mercado atual que o Bahia já explora, venda de espaço em camisas, estruturação de um outro modelo de parcerias. E uma outra parte da diretoria de mercado  que é o negócio digital, que é justamente a implementação de uma forte carga de tecnologia nos negócios do Bahia. Por fim, a diretoria de futebol, que a gente entende que veio num processo de aprendizagem e crescimento, mas que também precisa melhorar (...) a gente não precisa de super-heróis. Não estou falando que a gente tenha hoje. Mas essa história antiga de colocar apenas em uma pessoa a responsabilidade pela política do futebol do clube não combina com meu estilo. O futebol é o coração do time e o cérebro também. Então a gente vai ter uma divisão de responsabilidades.

C: Qual o projeto para a Cidade Tricolor e o Fazendão? 
GB: Temos uma percepção muito clara que não dá para o Bahia ficar com dois equipamentos dessa dimensão. O custo é muito caro, a manutenção vai pesar muito no orçamento do Bahia e o Bahia precisa escolher um. Escolher entre os dois, naturalmente nossa escolha é a da Cidade Tricolor, uma estrutura muito melhor. É incomparável o que a gente tem no Fazendão com o que tem na Cidade Tricolor. Então, vamos concentrar todas as atividades do time profissional e a divisão de base também na Cidade Tricolor. A gente quer fazer de lá um centro internacional de formação de atletas. É ali que vamos fazer nossa nova base. 

C: Você vê o Bahia em qual patamar hoje e onde o clube pode chegar em três anos? 
GB: O Bahia tem histórico no Brasil enorme, mas os resultados do futebol nos últimos 10, 20 anos, não transmitem ou refletem essa importância. Qual o nosso objetivo para os próximos três anos? Reduzir essa diferença. Fazer com que o clube volte cada vez mais a ser respeitado pelo Brasil e consiga entrar nos torneios jogando em um nível de competitividade que o futebol apresenta entre os seus vencedores. Não tem milagre para isso. O ponto número um é continuar com responsabilidade no pagamento de dívida, honrando seus compromissos, se organizando como gestão cada vez mais profissional. Ponto número dois: alavancar receita.

C: Por que quer ser presidente? 
GB: Isso me honra muito, essa pergunta. É preciso revisitar como a minha candidatura foi construída. A força política, de movimento de dentro do clube, que elegeu e sustentou Marcelo, queria que ele continuasse. Por motivos pessoais, ele decidiu não ser candidato. E a partir daí foram buscar um nome para dar sequência e aí meu nome foi escolhido. Isso me honra muito, portanto eu personifico um projeto para o clube. Não sou candidato de mim mesmo e o nome de Vitor Ferraz também foi escolhido para me acompanhar nessa jornada. 

C: Como pretende melhorar a relação com a Arena Fonte Nova? 
GB: Nós entendemos que a Fonte Nova é, sim, o estádio do Bahia e o que precisamos é da reconstrução de uma nova relação. O que acontece, na minha interpretação, é que a Fonte Nova ainda está com a cabeça na Copa do Mundo. O modelo de operação da Fonte Nova ainda é um modelo Copa de 2014. Não é um modelo Bahia, ou com a cara da torcida. Primeiro que a gente vai propor que os setores sejam nomeados por “naming rights”, que cada empresa nomeia um determinado setor. Segundo, a redução do número de setores. Para que tanta interrupção? Será que temos um público tão segmentado a ponto de haver esse separatismo absoluto?

QUEM É?
Guilherme Bellintani  tem 40 anos, é graduado em Direito pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal) e doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano pela Universidade Salvador (Unifacs). Ele é sócio, diretor-geral e professor da Faculdade Baiana de Direito e um dos fundadores do Juspodivm, editora de livros jurídicos.


Áudio

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