Enganado, nigeriano que aparece em vídeo do governo Bolsonaro é alvo de racismo

salvador
13.09.2019, 18:00:00
Atualizado: 13.09.2019, 22:34:00
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Enganado, nigeriano que aparece em vídeo do governo Bolsonaro é alvo de racismo

'Fiquei mal, não consegui sair de casa', relata professor que vive em Salvador

A vida do nigeriano Falade Damilar e Olaoluwa, 25 anos, virou ao avesso depois que ele apareceu em uma propaganda do Governo Federal. Ele, que é professor de línguas e mora em Salvador, disse que foi enganado e acabou sendo alvo de ataques na internet.

Por isso, ele foi na manhã desta sexta ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) para dar entrada numa ação judicial contra o Governo Federal.

“Detesto tudo que esse governo representa. Agora, nas ruas, ficam me chamando de ‘Bolsominion’”, reclamou ele, que é conhecido nas redes sociais como Professor Dammy.

O procedimento solicita que todos os vídeos que tenham a imagem dele sejam retirados do ar. Além disso, pede uma indenização por danos morais por veicular a imagem do nigeriano sem autorização, o que gerou mal-estar para Falade. "Acabei de relatar tudo contra a empresa que me enganou e entreguei também os prints dos ataques. Pretendo processar as pessoas que estão me atacando na internet com comentários xenófobos e racistas", disse ele.

Segundo o professor, ele foi enganado por uma equipe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), órgão logado ao Ministério das Comunicações, que solicitou a participação dele em um documentário sobre o Hino Nacional Brasileiro. No entanto, a peça foi usada como propaganda para o governo Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro.  

Após tornar o caso público em suas redes sociais, o nigeriano começou a sofrer ataques na internet. “Disseram frases como ‘Volta pra Nigéria’, ‘Você não deveria estar aqui’, ‘Está querendo é fama’. Isso tudo me fez muito mal. Fiquei mal de verdade, não consegui sair de casa por alguns dias.”, relatou ao CORREIO.

Falade deu entrada na ação judicial através do Grupo Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação (Gehdis). O advogado do nigeriano, Luziel Camime Carvalho Santos, explicou que a ação também pede punição dos internautas que agrediram seu cliente.

“Além da retirada dos vídeos e a indenização, porque a EBC é uma empresa da União, o MP-BA vai analisar os prints dos delitos cometidos no post dele. Alguns poderão gerar uma ação criminal, como os casos de xenofobia (manifestações de aversão, hostilidade ou ódio contra pessoas que são estrangeiras), a exemplo de quem disse ‘Volta para a Nigéria’. Outras situações podem ser enquadradas como injúria ou difamação”, explicou.

Em conversa com a reportagem, o nigeriano disse que ficou bastante abalado com os ataques que sofreu.

“Fiquei profundamente triste. Nunca imaginei que as pessoas pudessem agir dessa forma aqui no Brasil. Estou na Bahia há quatro anos e gosto muito do país, que tem a fama de acolhedor. Essa não é a primeira vez que sofro com isso", revelou.

Falade contou ainda que já sofreu com xenofobia antes, mas em outro país. "Por incrível que pareça, o primeiro caso de xenofobia foi em Benin (país de língua francesa da África Ocidental), quando me destrataram pessoalmente, me acusando de tomar o emprego das pessoas de lá”, disse ele, que explicou como foi induzido a gravar.

Foto: Marina Silva/CORREIO

Filmagem
A filmagem ocorreu no dia 27 de agosto deste ano, quando ele viajou a Brasília para renovar o visto de permanência no país. Ao passar pelo Museu Nacional, Falade conta que foi abordado por um grupo de dança que lhe pediu para fazer uma apresentação em um lugar público.

“Cheguei na frente do Museu Nacional e vi um pessoal com câmeras, aí imaginei que eles fossem turistas também. Fui lá e dei meu celular para um deles me filmar dançando. Depois da minha dança, fui pegar meu celular de volta e me disseram que estavam fazendo um documentário sobre o Hino Nacional. Disseram que falariam sobre o fato de que muitos brasileiros não sabem a letra ou cantam engraçado, e pediram para eu tentar cantar”, explicou ele, que dá aulas e faz traduções de inglês, francês e iorubá.

Responsável pela gravação, a EBC alegou que a equipe “informou que o vídeo institucional, sem fins comerciais, estava sendo produzido para divulgação da Presidência da República”, sem responder se foi feito algum tipo de contrato.


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