Entrando no mundo Metaverso 

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10.02.2022, 16:17:00
(Divulgação)

Entrando no mundo Metaverso 

Assim como a internet e a telefonia celular, hoje com 4.5 bilhões de usuários, tornaram-se rapidamente acessíveis à maioria da população global (no Brasil, 170 milhões), permitindo o advento de máquinas de busca como google, e de mídias digitais, como whatsapp, blogs, waze e o pix, a era metaversa penetra na sociedade de forma rápida e silenciosa, construindo espaços da Realidade Virtual (RV) e da Realidade Aumentada (RA) onde viveremos. 
 
Meta, em grego, significa “além” e verso vem de “universo”. O metaverso é uma espécie de universo além do que conhecemos. Grandes novidades sobre mundos digitais aparecem a cada poucos anos. No entanto, há uma enorme empolgação sobre o metaverso entre investidores e grandes empresas de tecnologia focados na Governança Socioeconômica e Ambiental (ESG), unindo mundo físico e online, numa realidade paralela com experiências de imersão. Ninguém quer ficar para trás porque há a sensação de que, pela primeira vez, a tecnologia está quase lá. 
 
O metaverso foi usado pela primeira vez no livro “Nevasca” (1992), de Neal Stephenson, para definir um espaço virtual, compartilhado em ambiente 3D, que usa RV e RA para gerar uma sensação de presença. A RV, como o nome sugere, é uma tecnologia que transporta o usuário de forma audível e visual para outro lugar ou tempo, uma poderosa ferramenta comum nos videogames. Hoje, um número crescente de empresas em diversas áreas, especialmente escolas, empresas e museus inovadores, já fazem uso da RV. 
 
Educação 
Na área de educação, alunos foram obrigados a experimentar a escola online em 2020. Professores e administradores escolares lutaram para criar uma versão online de salas de aula funcionais, mudando a dinâmica cultural de ensino e de aprendizagem. O Zoom ajudou a complementar o aprendizado e, agora, o metaverso está sendo apresentado como nova experiência, usando o mundo ‘gamer’ como uma porta de entrada. 
 
O dia escolar típico será dividido em horas de tutoriais ao vivo, realizados na sala de aula metaversa, e outras horas de estudo independente e cursos complementares. Os alunos, orientados pelos professores, poderão escolher seu próprio curso de estudos e selecionar projetos e tarefas agendados como sessões de RV e RA ao vivo, que podem levá-los da astronomia à Roma Antiga, das pirâmides do Egito para aulas de história e entrar na independência da Bahia em 2 de julho de 1823. 

Entretenimento, artes e cultura 
Uma das plataformas mais populares dos últimos anos, o Timelooper [timelooper.com], usada por museus, é um aplicativo projetado para dar aos indivíduos a capacidade de mergulhar em eventos históricos, experimentando o passado a partir da sua própria perspectiva. 
 
O aplicativo permite que os usuários viagem de volta a momentos da história. Por meio dessa experiência de 360 graus, espectadores podem, por exemplo, passear nas coleções do Museu do Louvre, em Paris, vendo e ouvindo cenas dos artistas de diferentes épocas, por meio do uso da tecnologia de remasterização, que reúne o que foi previamente gravado separadamente, voz, instrumentos e imagens.  
 
Combinando vários elementos de tecnologia, reunindo robótica e computação quântica em espaços virtuais holográficos, os usuários "vivem" em um universo digital que transformará rapidamente os meios de aprendizagem, a indústria, os transportes, a logística, o turismo, a cultura, as mídias e a forma como vivemos.  
 
Parte da população mundial que foi forçada a ficar em casa durante a pandemia, provou que é possível trabalhar de qualquer lugar, contribuindo para acelerar investimentos no metaverso, que também inclui a Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), para replicar a realidade através de dispositivos digitais. 

História e Turismo  
Em visita a Salvador, a convite do WWI, Stephanie Norby, diretora do Smithsonian Institute [smithsonianchannel.com], maior e mais inovador museu do mundo, sediado em Washington DC – encantada pela aula do saudoso professor Cid Teixeira ensinando que o Forte de São Marcelo foi batizado pelos antigos navegadores como Umbigo da América Latina – Norby afirmou que “a partir do seu umbigo podemos criar todo um imaginário metaverso da Capital da Amazônia Azul”, formada pela Cidade do Salvador e a Baía de Todos os Santos - ainda desconhecidas pelo mundo. 
 
O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia [IGHB.org.br], fundado em 1894, por sua vez, reúne destacados pesquisadores e estudiosos nas áreas de geografia, história, sociologia e ciências afins; e é possuidor da maior coleção de jornais datados desde o século XIX até a atualidade, está sendo desafiado para inovar na era metaversa entrando na rede global do Smithsonian, onde fatos históricos locais poderão ser visitados em aplicativos como o Timelooper, mostrando vidas passadas, presentes e futuras. 
 
Indústria 
Formado por comunidades de empresas, uma espécie de simbiose industrial, o Eco-Industrial Park (EIP) do Senai-Cimatec, um dos melhores centros de ensino e pesquisa do Brasil – ainda muito pouco conhecido no país e no mundo –, estimula o “innovation ecosystem”, obtendo vantagens competitivas por meio da troca e compartilhamento de materiais, energia, água e subprodutos críticos para a inovação, com inteligência nova, usando computação quântica e buscando a eficiência de recursos industriais na economia circular.  
 
Acompanhados pela United Nations Industrial Development Organization (Unido), que coordena os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a indústria; e articulados com o Banco Mundial e a alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), os EIPs de todo o mundo ajudam a preencher lacunas, contribuindo para cidades e indústrias inovadoras, inteligentes e metaversas.  
 
Exibindo novidades, o EIP Cimatec é o único do mundo com uma biodiversa área de preservação de mata nativa e estudos da flora e fauna, de interesse da indústria farmacêutica. Sediando um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em convenio com o Ibama, acessível globalmente em ambiente metaverso, serve de referência para o setor industrial global.  
 
Com o crescimento da Economia do Mar, que movimenta cerca de 20% do PIB local e global, acessos metaversos a pontos especiais do planeta como a Capital da Amazônia Azul, sede do Cimatec Mar, serão facilitados por empresas como a Starlink [starlink.com], do empresário Elon Musk, que usará satélites não-geoestacionários, de baixa órbita, para oferecer banda larga de alta velocidade e baixo custo. 
 
Comercio e Serviços 
Assim como o projeto Aria, do Facebook, que foca nas tecnologias de Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) visando comercializações em larga escala, Amazon, Google, Apple e Nike, também trabalham produtos nesse sentido. A Nike comprou a RTFKT, startup com linha de tênis virtuais para o metaverso. A L'Oréal lançou a sua primeira coleção 100% virtual, chamada Signature Faces que permite uso de batons e sombras em videoconferência metaversas. 
 
Como passo seguinte para a transformação digital de consumidores, marcas e tipos de negócios, o e-commerce voltou-se para o metaverso fazendo com que grandes marcas entrassem na corrida de investimentos previstos pela PricewaterhouseCoopers (PwC), de 1,5 trilhão de dólares até 2030. 
 
Nos Estados Unidos, o Small Business Administration (SBA), o Sebrae americano, está orientando as micro e pequenas empresas na entrada no mercado metaverso estimado em US$ 800 bilhões, de 2022 a 2024, pela Bloomberg Intelligence. No Brasil, a Confederação Nacional do Comercio (CNC) articula com as federações meios de apoiar clientes e associados. 

Logística e transportes
Conhecidos através dos séculos pelo Umbigo da América Latina, os portos profundos e abrigados da Baía de Todos os Santos formam o maior complexo portuário do Atlântico Sul e serão opções prioritárias para transportes intermodais de cargas no país, segundo a visão estratégica das economias eurasianas, quando ligados por modal ferroviário nos projetos metaversos. 
 
Fundada pela natural vocação portuária da sua baía mãe, Salvador sediará evento internacional do World Economic Fórum (WEF), em 2022, e será divulgada nos espaços metaversos globais como Capital da Amazônia Azul, integrante no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (www.marinha.mil.br/sisgaaz-protecao-e-monitoramento-das-aguas-jurisdicionais-brasileiras) SisGAAz. 
 

Eduardo Athayde é diretor do WWI no Brasil. eduathayde@gmail.com 

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