Ibama descarta que óleo esteja na Baía de Todos os Santos

salvador
12.10.2019, 12:11:43
Atualizado: 12.10.2019, 21:41:04
(Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO )

Ibama descarta que óleo esteja na Baía de Todos os Santos

Comando Unificado do Incidente alerta para informes falsos que confundem outros tipos de poluição com óleo

“Não tem vestígios de óleo nem na Baía de Todos os Santos, nem na Baía de Camamu. Em Salvador, estão chegando pedrinhas pequenas. Como ainda não sabemos a origem da mancha – apenas que se trata de uma molécula venezuelana –, ainda existe o risco que um volume maior chegue em Salvador”. Com essas palavras, o superintendente do Ibama, Rodrigo Alves, sintetizou os esforços de contenção da mancha de óleo no litoral baiano, realizados durante este sábado (12).  

A reunião do Comando Unificado do Incidente – composto por Ibama, Sema, Inema, Marinha do Brasil, Universidade Federal da Bahia, Ministérios Público Federal e Estadual, prefeituras municipais das cidades afetadas, Defesa Civil, além dos coordenadores dos planos de área da Baía de Aratu e Todos os Santos – foi realizada pela manhã e definiu a coordenação de Rodrigo Alves.

Além disso, durante o encontro, o vice-governador do estado, João Leão, informou que a Bahia decretará estado de calamidade pública nas cidades afetadas, fato que possibilitará receber o auxílio de forças nacionais. 

Moradores do Rio Vermelho fizeram um mutirão (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Ainda pela manhã, equipes de voluntários fizeram um pente fino em 17 praias de Salvador e do Litoral Norte. Na praia do Buracão, no Rio Vermelho, cerca de 30 pessoas recolheram fragmentos do óleo encontrados na areia e presos nas pedras. Dois militares da Marinha também estavam no local e vão levar o material para análise.

O grupo usou palitos, luvas e sacolas plásticas para recolher o óleo encontrado. Para Miguel Sehbe, um dos organizadores do mutirão, enquanto as autoridades discutem a origem do problema, a sociedade pode ajudar de outras formas.

“A gente resolveu fazer uma mobilização para monitorar e minimizar esse impacto ambiental. A previsão é de que essas manchas aumentem, então, hoje foi um dia de mobilizar os cidadãos que moram próximo dessas praias para ajudar na limpeza. A ideia é a gente se somar em prol da natureza, enquanto não recebemos mais informações sobre esse problema”, afirmou.

O material recolhido será encaminhado para as prefeituras responsáveis pelas praias. Até a tarde deste sábado, seis praias de Salvador haviam registrado a presença de óleo e 35 kg foram retirados das areias pela Limpurb, 15 kg apenas na Praia do Flamengo.

“Os professores passaram as coordenadas e passamos para o comando da operação nacional. Nada indica que aquilo pode ser óleo. Pode ser uma nuvem de chuva ou algo do tipo”, afirmou o superintendente Rodrigo Alves, ao CORREIO, neste sábado. 

Prefeitura fez monitoramento áereo das manchas neste sábado (Foto: Divulgação/ Limpurb)

Monitoramento
Também durante a manhã, uma comitiva com as presenças do presidente da Limpurb, Marcus Passos; o superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Alves; e o gerente executivo da Petrobras, Maurício Diniz, além de técnicos da estatal, sobrevoou toda a costa litorânea da capital baiana.

A vistoria também foi feita no trecho entre Lauro de Freitas (Estrada do Coco) e Mata de São João (Praia do Forte), além de Morro de São Paulo e Boipeba, para verificar as praias que estão sendo ou que podem vir a ser afetadas pelas manchas de petróleo.

Em pouco mais de uma semana, a mancha de óleo percorreu cerca de 200 km da costa baiana e atingiu oito cidades. Em Salvador, o material chegou na noite de quinta-feira, na Praia do Flamengo.

O Ibama descartou a suspeita de que uma mancha de óleo de 21 km² estivesse prestes a atingir o litoral da Bahia, conforme suspeita levantada por pesquisadores da Ufba, depois de localizarem duas supostas manchas em alto mar, a cerca de 100 km da costa alagoana. No entanto, após sobrevoar o local ainda na tarde de sexta-feira, o Ibama descartou que a mancha se tratasse de óleo.

“Os professores passaram as coordenadas e passamos para o comando da operação nacional. Nada indica que aquilo pode ser óleo. Pode ser uma nuvem de chuva ou algo do tipo”, afirmou Rodrigo Alves, do Ibama. 

Diariamente, técnicos do órgão federal têm feito de dois a três voos para acompanhar o alcance do óleo. Os voos são feitos com o helicóptero do Ibama.

Na tarde de sexta, para acessar o local onde estaria a suposta mancha de 21 km², os técnicos contaram com o apoio de um helicóptero especial da Petrobras. 

“É um trabalho difícil de ser feito porque esse óleo vai se movimentar debaixo da superfície da água”, diz Alves, esclarecendo que a pressa das equipes reside justamente em recolher o óleo quando esse chega à areia, que é mais fácil identificar e recolher.

“Quando essa substância não é retirada na areia, existe uma grande possibilidade de que retorne ao mar, com a subida das marés, ou até mesmo grude nas pedras e corais, fato que impacta de modo muito negativo e dificulta a limpeza”, disse o representante do Ibama.

Praia do Forte ficou irreconhecível (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

Alarmes falsos
O superintendente destaca, porém, que há uma grande quantidade de alarmes falsos sendo disseminados. Muitas pessoas têm compartilhado fotos de manchas no mar de Salvador e da Bahia que não necessariamente são causadas pelo óleo. Essas “manchas” são, na verdade, bancos de areia, rochas e até poluição como lixo urbano.

Um vídeo que denuncia a chegada do óleo à Baia de Todos os Santos também foi identificado pelo Comando, que acionou a Marinha. O material foi recolhido e passa por análises, mas Rodrigo Alves acredita se tratar de outro tipo de poluição. 

A orientação da Prefeitura de Salvador é para que a população evite o banho de mar nas regiões atingidas. Até a manhã de sexta, eram seis lugares: Praia do Flamengo, Jardim de Alah, Jardim dos Namorados, Piatã, Itapuã e Buracão (Rio Vermelho).

As praias que passaram por limpeza foram: Praia da Onda (Ondina), Buracão (Rio Vermelho), Colônia de Pescadores (Pituba), Rua K (Itapuã), Stella Surf School (Stella Maris), HCT (Praia do Flamengo), Evolua Surf House (Ipitanga), Ebasurf Gávea (Villas do Atlântico), Foz do Rio (Buraquinho), Praia do 29 (Busca Vida), Interlagos (primeira entrada em frente à lagoa Breno), Praia da Espera (Itacimirim), Praia da Barra do Rio Pojuca (Barra do Pojuca), Praia do Forte (em frente ao Projeto Tamar), Barraca Okabana (Santo Antônio/Diogo), e Jaguaribe (em frente à escola surf Armando Daltro).

Voluntários fizeram a limpeza de 17 praias em Salvador e Litoral Norte (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Cuidados
A prefeitura frisou que a curto prazo, a inalação de vapores advindos do óleo cru pode causar dificuldades de respiração, pneumonite química, dor de cabeça, confusão mental e náusea. Em caso de contato, podem aparecer irritações e erupções na pele, queimação e inchaço, podendo haver danos sistêmicos.

Já a ingestão pode causar dores abdominais, vômito e diarreia. Se a exposição for a longo prazo, pode trazer sérios danos aos pulmões, fígado, rins, sistema nervoso, sistema imune, desregulações hormonais e infertilidade, desordens do sistema circulatório e até mesmo câncer. Por isso, a população deve ficar longe das manchas de petróleo.

Quem encontrar algum animal afetado pelo petróleo deve entrar em contato com a Guarda Civil Municipal pelo telefone (71) 3202-5312, ou com a Polícia Ambiental, no número 190, a qualquer hora do dia. O Ibama também poderá ser acionado pelo (71) 3172-1650.

Marinha recolheu fragmentos na praia do Buracão para análise (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Planejamento 
Ainda como parte das ações de prevenção e controle da mancha de óleo, o Ibama informou que acionou o plano de emergência da Baía de Aratu. Há cinco anos esse planejamento não era colocado em operação.

Na prática, quando o plano de emergência é acionado, as empresas que fazem parte da baía somam esforços para resolver o problema - ou seja, elas pensam, juntas, em alternativas para a questão. O planejamento determina como cada uma delas deve se comportar e quais ações devem ser postas em prática.

Segundo o Ibama, a última vez que o plano foi acionado foi há cinco anos, quando houve vazamento de óleo de uma embarcação. A Baía de Todos-os-Santos Sul também está cogitando acionar o plano dela de emergência, mas, nesse caso, o planejamento que define as regras nessas situações ainda está sendo implementado.


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