Imóveis empresariais recuperam o valor

economia
31.05.2018, 06:00:00

Imóveis empresariais recuperam o valor

Pesquisa mostra valorização de salas e escritórios em Salvador; momento é bom para quem quer investir

O mercado imobiliário é um termômetro da economia: se o cenário vai bem, as vendas e aluguéis de imóveis aquecem; se vai mal, os contratos dão lugar ao aumento de estoque. Porém, dentro desse universo, há um tipo de imóvel que sente as mudanças com mais agilidade: empreendimentos empresariais. 

Representada  por edifícios de escritórios, a modalidade que vinha sofrendo desvalorização em função da crise dos últimos anos já começa a reagir em Salvador, tendo registrado  R$ 6.229 no valor do m² para venda em abril deste ano contra R$ 6.221 do mesmo mês de 2017. Na locação,  o m² subiu de R$ 47 em abril do ano passado para R$ 49 deste ano, de acordo com pesquisa do  Zap, maior portal de imóveis do Brasil. Membros do mercado apontam que o crescimento na procura já esboça a volta do interesse do consumidor, e que a receita para reaquecer os negócios está em aliar preços atrativos a projetos que ofereçam  nova forma de viver o ambiente de trabalho.

História
Para enteder melhor o panorama dos empreendimentos empresariais na cidade, deve-se conhecer a história desse segmento que, segundo o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uneb Márcio Campos, começou após a Segunda Guerra Mundial, com a construção de prédios no bairros do Comércio e Centro a fim de solucionar uma demanda pela concentração de bancos, corporações e serviços públicos em uma mesma região.

“Hoje, o grande desafio do mercado é facilitar a logística das empresas e reduzir os impactos dos contratempos urbanos" - Márcio Campos, professor da UNEB


O segundo boom foi ancorado pela chegada do Shopping Iguatemi (atual Shopping da Bahia), que atraiu empresas e deslocou o ‘o coração econômico’ de Salvador para a região do Caminho das Árvores.  A terceira onda de empreendimentos empresariais se deu nos anos 2000 com a implantação de projetos mais modernos no vetor de crescimento da cidade, a Paralela. “A formação dos ‘bolsões’ empresariais sempre está conectada às soluções de mobilidade, e vemos que todos os lugares que concentraram essas construções focadas nos setores corporativos acabaram saturando com o tempo”, explica Márcio. “Hoje, o grande desafio do mercado é facilitar a logística das empresas e reduzir os impactos dos contratempos urbanos. Por isso a Paralela é a queridinha do setor”.

Mobilidade
No caso do empresário Manoel Adolfo Picão, sócio de uma distribuidora de lubrificantes automotivos, a oferta de diferentes modais de transporte foi fundamental na escolha do Hangar Business Park, na Paralela. “Antes,  os nossos escritórios funcionavam em Porto Seco Pirajá e o maior entrave era a locomoção dos funcionários. Na Paralela,  é possível escolher entre carro particular, ônibus e metrô”, compara. “Sem contar que hoje estamos em um local que oferece convergência total com outras empresas de comércio, serviços, hotelaria. Até a próximidade com o aeroporto é uma vantagem”.

“Reaproveitamento de recursos e geração de energia renovável são uma realidade. O consumidor que hoje investe em uma estrutura empresarial busca o bom preço na compra e a economia futura que o investimento vai gerar” - Eduardo Pedreira, gerente regional da OR Realizações.


Todos os pontos destacados por Adolfo foram levados em consideração pela OR Realizações no projeto do Hangar, segundo o gerente regional da construtora, Eduardo Pedreira. “Solucionar os contratempos de um grande centro urbano como Salvador foi uma das nossas principais preocupações”.  Ele ainda ressalta que as soluções sustentáveis que buscam traduzir o investimento em tecnologia e economia para o cliente deve ser a tendência a definir o mercado nos próximos anos. “Reaproveitamento de recursos e geração de energia renovável são uma realidade. O consumidor que hoje investe em uma estrutura empresarial busca o bom preço na compra e a economia futura que o investimento vai gerar”. Essas ideias também já estão presentes em outros projetos de empreendimentos empresariais em Salvador, a exemplo do Qualidados e do Arbus, ambos ainda com unidades à venda.

Momento é bom para a compra, aponta o Creci
Apesar da tímida valorização em relação à queda dos preços nos últimos anos, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA) acredita que o crescimento no valor do m²para venda e aluguel de imóveis comerciais é um indicativo da valorização que deverá ser registrada nos próximos anos. 

De acordo com o segundo vice-presidente da entidade, José Alberto de Vasconcellos, o momento do mercado é favorável para os consumidores e, atualmente, os investidores são os principais responsáveis pelo aquecimento dos negócios.  A ideia é comprar para investir, já que a tendência é a de um aumento de preços.“Hoje tenho visto muitas pessoas comprando para investir, pois os preços estão ótimos para os compradores. Em relação a 2013, o preço médio do m² sofreu uma desvalorização de 30%, o desconto no valor chega a R$ 3 mil por m²”, afirma. 

“A crise econômica levou muitas empresas a diminuírem a estrutura, e muitas salas e escritórios foram liberadas. Para não perder o negócio, os locadores podem acabar oferecendo condições especiais que beneficiam diretamente os clientes” - José Alberto de Vasconcellos, segundo vice presidente do Creci-Ba.

Os bons preços, ainda segundo José Alberto, também têm sido sentidos no cenário de locação que, apesar de ter uma procura maior no momento, segue com variação estável. “A crise econômica levou muitas empresas a diminuírem a estrutura, e muitas salas e escritórios foram liberadas. Para não perder o negócio, os locadores podem acabar oferecendo condições especiais que beneficiam diretamente os clientes”, explica.

Prédios multiuso são tendências de mercado
Na luta contra a saturação da mobilidade urbana e a nova realidade que envoolve empreendimentos com escritórios virtuais, home offices e coworkings, que acabam atraindo os consumidores em função do preço mais em conta que as estruturas tradicionais, uma das principais estratégias de construtoras para manter o interesse em seus produtos é procurar somar residência e trabalho no mesmo lugar.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústira da Construção do Estado da Bahia (Siduscon-Ba), Carlos Henrique Passos, o efeito do escritórios digitais ainda não começou a ser sentido, mas já apresenta um novo desafio para o setor responder com mais criatividade em seus projetos. "Nos últimos anos tivemos um crescimento expressivo na construção de empreendimentos multiuso, e aproximar a casa do trabalho é a principal busca da atualidade, tanto que começam a surgir edifícios empresariais fora das áreas tradicionais", explica Passos. 

Uma das construtoras que comprou essa ideia foi a Civil, com o Arbus, que levou o conceito empresarial ao Horto Florestal, bairro predominantemente residencial. "Apostamos no diferencial da localização num bairro residencial e um conceito forte voltado para a qualidade de vida", afirma  o vice-presidente do Grupo Civil, Rafael Valente.

Conheça Opções

Arbus (Horto Florestal)
Localizado em um bairro residencial, o Arbus integra residência e trabalho com um projeto focado em qualidade de vida. O edifício conta com pátio gourmet, lojas no térreo, e salas com varandas para reuniões ao ar livre.

Hangar  (Paralela) 
Com conceito de campus corporativo, reúne nove torres de escritórios e hotelaria integradas a um green mall  (shopping verde) com lojas e restaurantes. O projeto conta com equipamentos de energia sustentável.

Qualidados (Rio Vermelho)
Salas empresariais modulares em projeto que busca oferecer modernidade e conforto. O emprendimento é adaptado a portadores de necessidades especiais e possui dois elevadores e fachada pastilhada.

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