Mais da metade dos consumidores deve gastar o 13º com presentes, Natal e Réveillon

economia
29.11.2021, 05:50:00
(Imagem: Shutterstock)

Mais da metade dos consumidores deve gastar o 13º com presentes, Natal e Réveillon

Primeira parcela deve ser paga até o dia 30 de novembro; especialistas dão dicas sobre o que é importante avaliar nesse momento

Amanhã, a primeira parcela do dinheiro mais esperado do ano, finalmente, cai na conta. Quem aí não está contando as horas para receber o 13º salário? As empresas têm até o dia 30 de novembro para depositar a primeira parte do recurso. Já a segunda parcela deve ser paga até 20 de dezembro. Mesmo que a grana extra ainda não esteja no bolso, tem muita gente que sabe bem o que deve fazer com esse montante.

Segundo um levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em parceria com Offer Wise, mais da metade dos brasileiros (56%) deve gastar o 13º com presentes e nas comemorações de Natal ou Réveillon. Só 16% planejam usá-lo para quitar dívidas e 34% querem poupar os recursos.

Se por um lado, a chegada do 13º vai aliviar o peso do orçamento de muita gente, a inflação ainda assusta, assim como o aumento da taxa básica de juros (Selic), como destaca o sócio da BP Money e educador financeiro, Nicolau Eloy.  “O principal problema hoje dos brasileiros – economicamente falando – é a inflação. Ela teve um grande aumento nos últimos meses. Essa inflação hoje faz a gasolina, o gás, o supermercado, tudo ficar mais caro. Sabemos que, muitas vezes, o salário não acompanha a inflação. Por isso, temos mais dificuldade em pagar nossas contas no fim do mês. Adiantar parte dessas despesas para o início do ano que vem é uma saída para tentar equilibrar o orçamento.

Com base no resultado mais recente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação acumula alta de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses – esse é o maior índice para um intervalo de 1 ano desde janeiro de 2016 (10,71%).  A Selic também preocupa: No caso da taxa básica de juros, a projeção dos economistas é que chegue a 9,25% ao ano em 2021. Porém, para 2022, a expectativa é de que a taxa, que atualmente está em 7,75% ao ano, passe de dois dígitos, alcançando a marca de 10,25%.

Por isso, Eloy pede cautela. “Separe 30% desse valor para você comprar presente, começar a pagar uma viagem e com a outra parte do recurso faça uma alocação para quitar, negociar uma dívida, iniciar uma reserva de emergência ou até adiantar pagamentos como a matrícula escolar, por exemplo. Então, o caminho é balancear. Ou seja, fazer um planejamento mais adequado para a sua vida financeira, sem deixar, no entanto, de aproveitar junto com a sua família a chegada desse novo recurso”.

Com receio do impacto da inflação, o professor Adailson Moreira, 45 anos, deve levar esse conselho à risca. “Foi um ano horrível. Tudo ficou caro e ainda estou ajudando parentes desempregados e amigos. Vou pagar cartão de crédito, fazer a matrícula do meu filho, pagar a faculdade”, comenta.

Já no caso da também professora Andréia Dantas, 43 anos, o esforço que fez ao longo dos meses em economizar e reduzir algumas despesas vai permitir que ela possa usar uma viagem que com a família, prevista para junho de 2022.

“Com a pandemia fiquei bastante tempo em casa e pude economizar muito. Ainda que eu tenha sentido o impacto grande do aumento dos meus gastos com a cesta básica – que, na verdade, dobrou – eu consegui me organizar para guardar esse dinheiro e programar a viagem. A estratégia que eu utilizo é comprar o necessário”, conta.

Lista de prioridades
Até dezembro, a estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que  o pagamento do 13º salário deve injetar na economia brasileira cerca de R$ 232,6 bilhões. Este valor representa, cerca de, 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o estudo, cerca de 83 milhões de brasileiros serão beneficiados com rendimento adicional, em média, de R$ 2.539.

O funcionário público Antônio Costa decidiu fazer uma reserva financeira. “Estamos há vários anos sem aumento, mas tudo sobe menos o salário. É gasolina, transporte, remédio e outros itens essenciais. Para mim, não é hora de gastar com supérfluos porque a gente não sabe o que pode acontecer nesta pandemia. Então, irei guardar para uma possível necessidade”.

Para a educadora financeira comportamental Meire Cardeal, é importante avaliar a situação financeira atual e perspectivas futuras, versus o que se pretende realizar em 2022, sobretudo, em um momento que ainda é de crise.

“A família brasileira convive hoje com a escalada da inflação e do desemprego e isso se reflete na elevação do número de pessoas endividadas e inadimplentes. É urgente rever os hábitos de compra, padrão de vida, ampliar de alguma maneira a capacidade de gerar renda”.

Diante das incertezas, o conselho é não deixar a quitação das dívidas para o ano que vem. “A chegada desse dinheiro extra é a possibilidade que muitos terão de iniciar 2022 com o orçamento financeiro mais equilibrado. Por isso, rever e organizar as despesas, quitar ou renegociar dívidas deve estar entre as prioridades”, completa a especialista.


CINCO DECISÕES PARA TOMAR ANTES DO 13º CAIR NA CONTA

. Eleja prioridades
Pagar dívidas, antecipar pagamentos, investir ou usar nas compras de fim de ano? Tudo vai depender de como está seu orçamento. Por isso, vale fazer um levantamento detalhado de tudo que vai ganhar e o que precisa quitar. 

. Equilíbrio
Defina uma parte do 13º para ir às compras, porém, destine um valor também para outras necessidades como, por exemplo, pagar a matrícula escolar para o ano que vem ou começar a montar uma reserva de emergência.

. E se for renegociar dívidas
É hora de começar a colocar no papel quais são as dívidas com os juros mais altos e as ofertas de negociação que estão disponíveis e as vantagens para a quitação à vista. 

. Mais uma graninha extra
Pense em possibilidades que possam incrementar o 13º. Vender algo, prestar um serviço. 

. Longo prazo
Outra dica é investir também em você mesmo. Busque um curso que possa valorizar o passe do seu currículo lá na frente, garantir uma promoção, aumentar a sua renda. 

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