Ministério esperou 'colapso de oxigênio' para transferir pacientes com covid, diz servidora

em alta
17.04.2021, 14:11:00
Atualizado: 17.04.2021, 14:20:57
Pacientes foram transferidos para várias cidades, como Brasília, após colapso (Foto: FAB/Divulgação)

Ministério esperou 'colapso de oxigênio' para transferir pacientes com covid, diz servidora

Ao MPF, funcionária do Ministério da Saúde relatou teor de reunião entre pasta e governo amazonense

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Uma servidora do Ministério da Saúde que fez parte da comitiva enviada pela pasta a Manaus, às vésperas do colapso no sistema de saúde do Amazonas, revelou em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que a transferência de pacientes para outros estados foi adiada até que houvesse “óbitos em ambulância”, falta de leitos e “colapso de oxigênio”. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com a servidora, a reunião realizada entre integrantes do governo do Amazonas e do Ministério da Saúde discutiu a possibilidade de transferir pacientes com covid-19 para outros estados no dia 12 de janeiro, dois dias antes de o sistema de saúde local entrar em colapso pela falta de leitos e de oxigênio hospitalar.

Mesmo diante do cenário pré-colapso, a decisão de iniciar as transferências só foi tomada depois do dia 14, quando o sistema não suportava mais a demanda. Na ata da reunião, a indicação foi: “Essa decisão só será tomada em situação extremamente crítica”.

O MPF investiga a possível omissão do governo federal e estadual no episódio. Ainda segundo O Globo, no depoimento, os procuradores questionaram Paula Eliazar sobre o motivo de o Ministério da Saúde e o governo amazonense terem esperado o colapso do dia 14 para só então iniciar as transferências e o que significava a expressão “situação extremamente crítica”, contida na ata da reunião.

Ainda em janeiro, documentos obtidos pelo Ministério Público de Contas indicavam que 31 pessoas morreram por falta de oxigênio em Manaus nos dias 14 e 15 de janeiro, quando a capital atingiu o ápice da falta do insumo. Parentes de pessoas internadas tiveram que comprar cilindros com o gás por conta própria.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas