Missa de Lava-Pés relembra fiéis da necessidade de humildade e de perdão

salvador
29.03.2018, 22:32:02
Atualizado: 29.03.2018, 22:43:15
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Missa de Lava-Pés relembra fiéis da necessidade de humildade e de perdão

Celebração foi realizada pelo Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger

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O silêncio sepulcral dos momentos de pausa na tradicional Missa da Ceia e do Lava-Pés, nesta quinta-feira (29) da Semana Santa, só foi rompido pelo som de festa do lado de fora da Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Terreiro de Jesus. A música alegre dá mostras de que a penitência e reflexão impostas pela Igreja Católica na Semana Santa já não imperam na capital baiana. 

Mas nada disso abalava a fé e a concentração de quem estava dentro da Igreja, principalmente dos doze fiéis que teriam seus pés lavados pelo Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, lembrando o exemplo de humildade dado por Cristo durante a Última Ceia.

“Passei o dia em retiro no Shalom e mensagem sobre as quais estávamos refletindo era justamente a que Jesus disse a Pedro: ‘Se não te deixar lavar os pés, não terás parte comigo’. Ser escolhida é sinal que o Senhor que está me convidando a me deixar lavar a alma com ele”, disse a cabeleireira Maria Nilda barbosa, 53, sobre o convite que lhe foi feito para participar da cerimônia. 

Não era bem isso que planejava o pároco da Igreja de São Pedro, o padre Lázaro Muniz. “A intenção era trazer pessoas que tenham sofrido alguma forma de violência. Todo ano nós trazemos para lavar os pés alguém que tenha algo a ver com a Campanha da Fraternidade”, disse, sobre o movimento cujo tema em 2018 é a superação da violência. 

O padre revelou que seus planos não saíram como imaginado porque todos os fiéis que já tinham sido vítimas da violência ficaram com medo da exposição. Então, foram convidados os fiéis que chegavam para assistir à Missa. “É a primeira vez que sou chamado para lavar os pés e será um momento muito bom. É importante refletir sobre o sofrimento de Jesus”, disse o comerciante Josemir Cordeiro, 35. 

Morador de Simões Filho, ele fala que apesar nunca ter sido uma vítima direta da violência urbana, sempres pede em suas orações proteção contra o mal que está em toda parte. “Hoje em dia fica complicado até mesmo sair e passear com a família. Até mesmo dentro de casa a gente pode estar sujeito à violência”, apontou o comerciante.

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Humildade e perdão
Dom Murilo lembrou na homilia de três exemplos deixados por Cristo com a cerimônia do Lava Pés. O principal deles é a humildade. “Esse gesto de abaixar-se para lavar os pés é para nos lembrar da sua humildade. Os humildes, Deus pode transformar e os autossuficientes, os que se bastam a si mesmo ele nada pode fazer”, explicou o clérigo. 

Além disso, o arcebispo apontou que a lavagem é um ato de purificação, que Jesus o fez para lembrar aos seus filhos que sozinhos eles não são capazes. Outro significado menos lembrado do Lava Pés é o perdão. “Lavar os pés é a capacidade infinita de perdoar-nos uns aos outros. Perdoar não é dar razão ao outro, mas nos esvaziarmos. Se Deus não nos perdoasse, não haveria salvação”, explicou Dom Murilo, deixando mais uma mensagem trazida pelo Período Pascal. 

A Missa da Ceia e do Lava-Pés foi celebrada na Igreja São Pedro dos Clérigos este ano, já que a Catedral Basílica de Salvador - que também fica no Terreiro de Jesus, encontra-se em reforma. A obra deve estar concluída no mês de agosto. 
 

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