Motoristas de app de Salvador fazem paralisação nesta quarta (8)

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07.05.2019, 21:27:00
Atualizado: 07.05.2019, 22:40:03
(Foto: Arquivo CORREIO)

Motoristas de app de Salvador fazem paralisação nesta quarta (8)

Eles ficarão 24h sem rodar em protesto contra as empresas

Os cerca de 25 mil motoristas de aplicativos de transporte que atuam na capital baiana farão uma paralisação de 24 horas, contadas a partir das 0h desta quarta-feira (8). De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (Simactter), Átila Santana, acontece globalmente um protesto contra a Uber e aqui eles vão aproveitar a paralisação para reivindicar melhorias nas condições de trabalho de todos os apps.

"Hoje os motoristas fazem viagem de R$ 4, porque a empresa fica com uma fatia gorda, mesmo sem entrar com nenhum insumo. O motorista que entra com tudo. Antes o motorista repassava 25% do valor da viagem, mais R$ 0,80 por corrida. Agora, a Uber cobra quanto ela quer e paga por quilometragem: R$ 0,75 por quilômetro em área de periferia e R$, 093 na área central", denuncia Santana.

Ainda segundo ele, esse modelo de cobrança pela Uber faz com que uma viagem de Periperi a Calçada renda ao motoristas apenas R$ 4, enquanto que da Liberdade ao Bonfim sai por R$ 5.

Embora o movimento global seja dos condutores do Uber, em meio à abertura do capital da empresa na Bolsa de Valores, que deve ocorrer na sexta-feira (10), Átila informou que os motoristas de todos os aplicatos que operam em Salvador vão aderir ao ato, que eles classificam como "dia do off".

"É um movimento forte, é internacional. É uma maneira de a categoria retaliar empresa. Não tenho como estimar qual será a adesão em Salvador, mas pelo movimento que tenho visto nos grupos da categoria, estimo que será de 100%", informa.
Para marcar o "dia do off", um grupo de motorista se reúne por volta das 8h nas imediações do antigo Aeroclube e, de lá, seguem em manifestação até a sede da Uber na cidade, na Tancredo Neves.

"Vamos manifestar a nossa insatisfação. Também pretendemos levar um documento ao Ministério Público Estadual para que seja proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as partes. As pessoas só se sujeitam a essas arbitrarieades por não terem outra opção".

Procurada pelo CORREIO, a Uber informou que por enquanto não vai se posicionar.

Abertura do capital
AUber faz sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Nova York na sexta - é a abertura de capital do aplicativo que tem motivado mais queixas entre os trabalhadores. A expectativa é de que as ações sejam avaliadas entre US$ 44 e US$ 50 dólares, levando o valor da empresa para próximo de US$ 90 bilhões. 

"A Uber cresceu, se tornou uma empresa bilionária, está entrando na bolsa, mas o motorista, que é a máquina que move esse sistema, está esquecido", diz Eduardo Lima, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp). 

A Amasp reivindica aumento da tarifa para R$ 10. "Eles alegam que se aumentar a tarifa, cai a demanda. Mas faz três anos que não temos aumento. O passageiro já deixa até gorjeta", diz Lima. Outra reivindicação é para aumentar a transparência nos casos de exclusão de motoristas dos aplicativos. 

Associações de outros Estados do Brasil além da Bahia e São Paulo, como Rio, Pernambuco, Minas Gerais, Tocantins, Espírito Santo e Ceará, também terão paralisações.

No Rio, o presidente de uma das entidades, a Associação de Motoristas Particulares Autônomos do Rio de Janeiro (Ampa-RJ), diz que a convocação também é para que os motoristas desliguem os aplicativos por 24 horas. "Não estamos sugerindo carreata", avisa Denis Moura. Segundo ele, será respeitado o direito de motoristas que optarem por trabalhar. 

"Colocamos não como uma imposição. Acreditamos que 50% vá aderir", diz ele, que também pede aumento da tarifa. "Com a quantidade gigantesca de desempregados, a Uber tem mão-de-obra muito farta". No Estado do Rio, diz, são cerca de 100 mil carros de aplicativos. "Mais do que transportar, economizamos o tempo das pessoas, mas não temos respeito das empresas de aplicativo "

Pelo mundo
Nos Estados Unidos, algumas organizações pediram greve de 24 horas, mas a Aliança de Trabalhadores de Táxis de Nova York pediu aos motoristas que parassem apenas entre as 7h e as 9 horas. Foram convocados motoristas de aplicativos como Uber, Lyft, Via e outras plataformas.

Não está claro quantos condutores participarão da greve - também houve convocatórias em cidades como Los Angeles, Filadélfia, Boston e Washington. Um protesto similar é esperado também em Londres, no Reino Unido.

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