Mulher que matou engenheiro na Pituba sofria violência doméstica, diz defesa

salvador
19.05.2022, 05:30:00
(Reprodução )

Mulher que matou engenheiro na Pituba sofria violência doméstica, diz defesa

Advogado de Rutileia Silva disse que a cliente sofreu abuso sexual e foi agredida na frente do filho quando pediu o divórcio

A defesa de Rutileia Cruz de Brito Silva, 38, investigada pela morte do engenheiro Marcello Marcos Gomes da Silva, 58 anos, na Pituba, afirmou que a mulher cometeu o crime porque sofria violência doméstica. O advogado Marcos Melo contou que Rutileia desenvolveu transtornos psicológicos e foi vítima de abusos sexuais por parte de Marcello.

"Ela sofreu atos de violência sexual. Não me sinto à vontade para comentar, pois traz imenso constrangimento, mas será relatado em juízo", declarou o defensor.

Ainda de acordo com o advogado, a suspeita sofreu violências psicológica, patrimonial, moral, física e sexual enquanto esteve casada com o engenheiro. Rutileia estava casada há 14 anos com Marcello.

"Ela apostou nele, mesmo sofrendo constantes agressões. Ela me contou que, certa vez, ajoelhou-se na frente dele clamando para que ele permitisse a separação, mas ele socou ela na frente do filho de 8 anos", contou o advogado. 

Dia do crime
Segundo a defesa da suspeita, o casal estava morando em casas diferentes havia 70 dias. No entanto, eles decidiram reatar a relação e passaram a viver juntos em um apartamento alugado pela mãe da vítima. No dia do crime, Marcello ameaçou tirar a vida de Rutileia e ela pediu para se separar dele.

"A família já tinha conhecimento da complexidade da relação dos dois. Ele a humilhava e a mantinha em cárcere em casa. É claro que ainda não existe uma concretude se ela foi a autora ou não, principalmente porque ela intercala momentos de lucidez, incompreensão, desequilíbrio e confusão mental", detalhou. 

O criminalista solicitou que seja marcado uma oitiva especial, acompanhada por equipe multidisciplinar, com o filho de 8 anos do casal, que estava no apartamento no momento em que ocorreu o crime. Ainda não se sabe se a criança presenciou o homicídio. Além disso, Marcos informou que está recebendo ameaças para deixar o caso. 

Rutileia vinha apresentando características depressivas nos últimos meses, segundo a delegada que assumiu o caso, Pilly Dantas. A versão é corroborada por parentes da vítima, o engenheiro do Inema Marcello Marcos Gomes da Silva. “A partir do início deste ano ela teria apresentado sinais de depressão, mas não temos comprovação de nenhuma doença psiquiátrica e não há um pedido formal da defesa de intervenção por insanidade”, diz a coordenadora da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico).

A família de Marcello foi procurada para comentar as alegações do advogado de Rutileia, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. 

Entenda o caso
Marcello foi golpeado oito vezes enquanto dormia no apartamento 1804 do Edifício Márcio. A faca usada no crime estava escondido atrás do vaso sanitário do apartamento.

"A mãe encontrou o corpo, depois de ligar para ele e para a mulher. Como os dois não atendiam e nem respondiam às mensagens, ela foi até o apartamento e lá encontrou o corpo com oito perfurações. Ela chamou a polícia, que localizou a faca no banheiro, atrás do vaso sanitário", contou um parente de Marcello, no dia do enterro.

Marcello era casado havia mais de dez anos com a suspeita, com quem teve um filho de oito anos. Quando o corpo foi encontrado, ela já não estava mais no apartamento, tendo sido vista saindo do local com a criança. Na época do crime, o parente disse que preferia esperar o trabalho de investigação antes de comentar sobre suspeitas.

"A gente está aguardando o posicionamento da polícia, mas o que se sabe é que a esposa saiu às 8h de ontem. Deu 'bom dia' ao porteiro e foi com o filho. Até agora ninguém sabe o paradeiro dela", declarou, antes da prisão de Rutileia. 

Moradores relataram que o casal estava brigado, versão confirmada pela família. "O casamento estava conturbado, mas não sabemos o motivo do abalo. Ele era uma pessoa tranquila, tinha o estilo muito erudita. Ouvia jazz, não bebia, gostava de ler, cinema, nunca foi de demonstrar ciúmes e vivia pensando no futuro do filho", acrescentou o familiar.

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