Na arte de pintar, a cor tem primazia

colunistas
16.04.2018, 06:22:00

Na arte de pintar, a cor tem primazia


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A pintura acompanha o ser humano por toda sua história. É uma prática sem mediação – artista, pincel, cor e suporte.

O toque dos dedos move o pincel que une as mãos à matéria da pintura: a cor. A tinta nada revela sozinha.  Na arte de pintar, a cor tem primazia. A cor domina o mundo, o pensamento, a imaginação. O corpo vai ao encontro da intensidade dos matizes que se exaltam no domínio dos sentidos. No universo da pintura, pressente-se luta e encontro com sua matéria primordial. O produto revelado nessa luta e nesse encontro remete o homem à vida desvelando-se nas mutações do prisma solar.

O espaço é o meio físico que nos envolve. Um lugar delimitado, cuja área contém alguma coisa. Um espaço ou uma zona podem conter e revelar manifestações culturais diversificadas. Um espaço, – seja por meio da imagem ou de outra instância sensorial, – pode gerar integrar um objeto e adquirir, - sob o efeito do colorido -, qualidades que o inscrevem nas manifestações do campo da Arte.

A pintura no curso do tempo sempre provocou nos artistas inquietações.

No livro de Israel Pedrosa Da Cor À Cor Inexistente, o maior e mais importante estudo da cor no Brasil. Uma visão cromática do mundo objetivo e também do mundo subjetivo. Estudou particularidades da cor, a luz e da visão.

Desde Leonardo da Vinci que provou que a harmonia das cores depende das relações estabelecidas entre elas e que uma cor em vizinhança transforma a outra. Existiram pintores que levaram o estudo e uso das cores à exaustão, seja por conhecimento científico ou por pura intuição. Foram eles Leonardo da Vinci, Johannes Vermeer, Paolo Veronese, Alfredo Volpi, Israel Pedrosa (foto), William Turner, Eugène Delacroix, Vicente Van Gogh, Paul Klee, Kazimir Malevich, Henri Matisse.

A pintura é um culto secreto que o pintor exerce muita vez sem saber como, a pintura leva a enormes surpresas, por mais rígido que seja o programa teórico e linguagem especifica - o idioleto. O suspense da cor quando em sua integridade, misturadas, mais ainda interpenetrantes ou sobrepostas respondem de maneira diferente ao aspecto solar, à pincelada, ao suporte, as diluições. Elementos ocultos se revelam e as luzes inventam um sentimento de incerteza nas percepções. A cor está lá, presa ao suporte, mas suas emanações são complexas, estão no aqui-e-agora.

Goeth provou o caráter mutável e relatividades dos fenômenos da cor. Outros estudiosos Kepler, Descartes e Newton. Os estudos da pintura e das cores foram essenciais para a compreensão de fenômenos que com o saber, o conhecimento, levam os artistas a timbres de altíssima qualidade cromática.

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