Ninguém aguenta criança em casa

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04.05.2021, 05:19:00
Atualizado: 04.05.2021, 06:39:01

Ninguém aguenta criança em casa


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Ninguém aguenta criança em casa


Não fosse a nova instituição do home office seria pior. Imagine os meninos em casa e os pais trabalhando nos escritórios ou repartições: cabeça quente, nervos à flor da pele, o psicoterapeuta ocupado e pais e mães implorando para que as babás se mantivessem firmes e fortes com medo de que saindo e voltando levassem coronavírus para casa. Os avós já de saco cheio, pois menino é coisa do capiroto, não para quieto, tem curiosidade e exige mais do que um sargento de milícia (calma que não estou me referindo às milícias que tanto se fala no Planalto, digo da histórica força de segurança do Império Brasileiro). Veja que notícia do CORREIO dá conta de babás e empregadas que estão há meses em trabalho diuturno, beirando ao “trabalho escravo”.
 
Então que está mais do que claro que os alunos da rede municipal voltando às aulas esta semana serviu para agradar a dois setores importantes. A família dos alunos já ensandecida pois nem surra, nem ameaça nem castigo estava mais adiantando para aquietar as crianças presas em casa e com problemas de aprendizagem por causa da internet travando, por que muitos não têm paciência para estar na aula junto com os filhos e outros têm mais dificuldades de entender que os próprios alunos; e atende-se também ao segmentos do transporte escolar, cujos motoristas vêm se queixando desde o ano passado de estarem enfrentando todo tipo de necessidade.

Na verdade, chegou-se a um ponto que os gestores do estado e municípios estão entre a cruz e a caldeirinha. Se não abre as escolas são criticados. Se abrem sofrem também as críticas porque a pandemia está aí, recrudescendo e nem saímos da segunda onda e vem notícia de uma terceira, graças às variantes, sendo que o país já tem mais de 406 mil mortos. A pressão é grande dentro da cristaleira da Praça Municipal, sede do governo municipal, e lá no Centro Administrativo, onde o governador Rui Costa bate ponto.

O município abriu as portas das escolas e isso desagrada aos professores que estão com medo de pegar covid e levar a doença para casa. Medo correto, mesmo com a aplicação de tudo que é método e metodologia de prevenção e segurança. As escolas particulares também voltam às aulas. O prefeito foi tão pressionado que se saiu recentemente com a conversa de que a retomada da Educação nas redes municipal e privada em Salvador ocorrerá de forma semipresencial, mediante ao cumprimento dos protocolos sanitários que deverão ser cumpridos por toda a comunidade escolar. Ele sabe que nem todos estarão cumprindo as regras. 

Mas fazer o quê? Comprometer três anos letivos das crianças? Deixar os pais mais pirados do que estão? Claro que ainda tem a questão das pequenas e médias escolas privadas, que estão quebradas. Prefeito e donos das escolas particulares estão entre a cruz e a caldeira. E os pais, avós, padrinhos e até vizinhos não aguentam os capetas em formas de guris. Uma amiga disse à babá que se ela fosse embora ela pegava o filho e ia para a casa dela. A assistente sumiu no mundo. Um amigo fez diferente: alugou uma casa em Guarajuba e foram todos morar juntos: ele, mulher, filhos, babá, filho da babá e marido da babá. Disse que iria mesmo ter de pagar caseiro e piscineiro. Saiu tudo por um quilo! Agora é hora de reconhecer o valor de um professor, seu herege, sua ingrata!


Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista. Email: Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

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