O brotinho das manas do Alto do Coqueirinho

coronavírus
22.11.2020, 16:00:00
As irmãs Maria Lúcia e Fernanda ganham hoje o triplo do que tiravam com as faxinas (Foto: Nara Gentil/ CORREIO)

O brotinho das manas do Alto do Coqueirinho

Após perderem o emprego na pandemia, ex-diaristas faturam R$ 3 mil com a venda de pizzas

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"Chegou um momento que bateu o desespero e perguntamos e agora? Foi quando metemos a cara nas vendagens dos brotinhos”. E foi assim que as irmãs, Maria Lúcia Gomes e Fernanda Lima criaram há seis meses o Brotinho das Manas (@brotinhodasmanas), após a diarista e a empregada doméstica ficarem sem emprego por conta da pandemia. “Antes de trabalhar como empregada doméstica eu já fazia coxinha, sonhos, salgadinhos, e vendia na comunidade. Aí com a pandemia a gente pensou no que poderia fazer para ganhar dinheiro, e veio a ideia de fazer as pizzas”, completa Fernanda.

Diretamente do Alto do Coqueirinho, as manas começaram a primeira produção com 60 brotinhos, bem caprichados no recheio e no sucesso, vendendo para vizinhos e amigos. Hoje, a produção já chega a mil pizzas faturando uma média de R$ 3 mil — três vezes mais do que cada uma tirava por mês com as faxinas. Parte da grana é reinvestida no negócio e 60% de lucro que conseguem é dividido entre as duas.

“Por sermos irmãs nós chamamos de mana uma à outra. Daí na hora de escolher o nome do negócio veio esse na cabeça e não podia ser outro. A gente tinha a ideia de abrir juntas uma pastelaria antes mesmo da pandemia, mas faltava coragem, um impulso. A escolha do brotinho foi por conta da concorrência de vendas de pizza no bairro. E pizza todo mundo come com ou sem pandemia, inverno ou verão, não tem época. Queremos expandir, realizar o nosso sonho de trabalhar para nós mesmas”, afirma Maria Lúcia.

Cada brotinho custa R$ 3 e o kit com 10 unidades, R$ 30. Tem sabor para tudo acabar em pizza: calabresa, frango com catupiry, atum, misto, queijo e presunto, marguerita, milho verde com queijo e baiana. A receita? Elas pesquisaram na internet mesmo, mas fizeram questão de dar um toque especial das manas.

“É um conjunto. O bom sabor, a massa, o molho e recheio, que sempre caprichamos”.

Os mais vendidos são de calabresa e frango com catupiry, respectivamente. “Pretendemos fazer o sabor de portuguesa e o sabor da casa, que será com queijo, presunto, calabresa e milho”, complementa.

Para Maria Lúcia esse precinho faz toda a diferença: “O perfil dos clientes são classes média e média baixa. Cada cliente tem o hábito de consumir uns 15 brotinhos por mês. O valor aliado à qualidade do produto é a principal estratégia que utilizamos para chegar até os clientes do bairro, no boca a boca mesmo”. 

A produção dos brotinhos já chega a mil pizzas por mês
(Foto: Nara Gentil/ CORREIO)

Recentemente, as manas chegaram às redes sociais até para conseguirem expandir as vendas para além de Itapuã. “Começamos a utilizar o Instagram para alcançar novos clientes por lá também. O nosso diferencial é simplicidade, personalidade, sabor, qualidade e preço”.

Mão na massa
Além de entregar kits para delivery, Maria Lúcia e Fernanda também passaram a vender nos fins de semana na Praça que fica na Rua Deputado Paulo Jackson, no Alto do Coqueirinho, como conta Fernanda.

“O forninho elétrico nós tínhamos em casa e a barraca, pegamos emprestada. Foi uma expansão, onde passamos a vender a pizza assada na hora. Estamos encaminhando para abrir outro ponto, no final de linha do bairro, com os recursos que ainda estão entrando”.

Para começar a fazer o brotinho circular, as manas investiram cerca de R$ 1,5 mil parcelados em duas vezes, fatura que elas conseguiram quitar só com a venda das pizzas além de pagaram as despesas fixas da casa, depois que perderam as faxinas.

“Logo no início, a gente não tinha nada, então compramos bandejas para assar a pizza, vasilhas, bujão de gás específico para a empresa, aventais, toucas e mais os ingredientes necessários para trabalhar. Com esse débito quitado, agora estamos mais tranquilas para aumentar a nossa produção”, afirma Fernanda. O próximo investimento da lista é a aquisição de um forno maior: “Atualmente, trabalhamos com um forno de casa, que cabe somente uma pizza por vez para assar”.

A expectativa é dobrar a produção dos brotinhos até o fim do ano. “Com a intensificação na divulgação, a nossa meta é produzir o dobro do que produzimos hoje. No início, nós tivemos medo. Isso porque nos arriscamos sem ter fundos, sem saber se daria certo. Mas agora estamos ainda mais confiantes. Graças a Deus as coisas estão fluindo”, comemoram as manas.


AS DICAS DAS MANAS

Vá na cara e na coragem “É ser otimista, determinada, não permitir que a negatividade venha prevalecer, crer que tudo é possível”, diz Fernanda Lima. 

Só vai dar certo se você começar "Abrace as oportunidades e siga em frente”, afirma Maria Lúcia Gomes

E coragem “Bateu um desespero quando vimos que não tínhamos nenhum recurso. Foi aí que começamos a pensar no que fazer para ter uma renda.  Acreditamos, conquistamos e queremos expandir mais com o Brotinho das Manas”, completa. 


QUEM É 

Maria Lúcia Gomes e Fernanda Lima São irmãs e ex-diaristas que criaram há seis meses o Brotinho das Manas
 

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